Quem nunca foi coagido a participar de um Amigo Secreto que atire a primeira pedra! Digo coagido, pois nem sempre você quer participar, talvez você seja daquele tipo de pessoa que não se sente muito a vontade de participar de comemorações que exigem sociabilidade. Já fui um desses, já preferi a minha própria companhia, (e até hoje a prefiro), já tive que dizer sim por pressão social e para não parecer o “chatão” do emprego e acabei por participar do tal Amigo Secreto, que de secreto não tem nada, pois as identidades são reveladas nas panelinhas existentes do ambiente, seja numa turma escolar, no emprego, entre os familiares e por aí vai… E que de amigo passa longe, é mais fácil lhe passarem a rasteira isso sim, mas enfim, sobre isso falarei no final. Você aceita refletir sobre tal tema aqui comigo?
Não sei de onde vem tal tradição, mas ela tem um fundo com base no carinho pelo companheiro, pelo “amigo (a)” através do ato de presentear.
Há o tipo de Amigo Secreto que antes mesmo de sortearem os nomes entre si, já descrevem o que querem ganhar e um valor X máximo para se gastar. Há os que não exigem nada e não impõem preços, aí é adrenalina pura! Aqui neste caso cabe uma interpretação de quem a pessoa que tiramos seja, o que ela quer, o que combina com ela. Cabe uma análise quase que como psicanalítica do que ela vem dizendo já há alguns dias, buscando assim pistas, tentando entender o que é descrito nas entrelinhas. A hora da troca é sempre divertida, uns são mais engraçados, outros são mais diretos, alegria geral, ou nem tanto; há quem fique decepcionado com o presente que ganhou.
Não é possível agradar todo mundo não é mesmo? Mas feita esta exposição, que tal refletirmos sobre a proposta disso tudo?
Brincar de Amigo Secreto é uma oportunidade de comunhão entre os partícipes, mesmo que isso soe hipocrisia da mais pura, pois no cotidiano um quer passar a perna no outro, sem falar nas fofocas que correm soltas. Além de comunhão, podemos pensar nessa análise sobre a Identidade: como enxergamos a outra pessoa? Quais características ela nos passa? Tal análise podemos fazer conosco também: como será que irão me interpretar, para a partir dela, comprarem meu presente? Remete a uma postura que vem sendo praticada por mim e pelo próximo durante o ano todo!
O que me incomoda é o uso da palavra “amigo”, não sei se amigos temos de monte, sou cético quanto a isso, talvez os meus caibam nos dedos de uma mão e ainda sobre dedos… Talvez devesse se chamar “Colegas Secretos”, pois a palavra ‘Amigo’ é muito profunda.
A reflexão é pertinente tendo em vista as festividades de um final de ano, ano que deixará suas marcas, seus estragos, suas cicatrizes. Talvez possamos nos esforçar para que, a partir de tudo isso, possamos fazer um 2025 melhor, tornando-nos mais maduros, mais humanos, menos ansiosos ou frustrados.
Pense com carinho: em momentos de crise, com quantos desses chamados Amigos, seguidores ou sei lá o que você tem aos montes nas diversas redes sociais, com quais você pôde ou poderá realmente contar? Quantos te ligaram? Quantos lhe perguntaram como se sentia, do que estava precisando? Quantos lhe ofereceram ajuda, algo físico, ou até mesmo um ombro amigo para desabafar?
Que nesse final de ano, você possa refletir sobre o verdadeiro Valor da Amizade, que não depende de trocas de lembrancinhas, mas sim que vale para a vida, que você possa sim se divertir brincando de “Colega Secreto” e ter um fim de ano mais leve, cultivando a Esperança de um Futuro Melhor!
Thiago Pontes é Filósofo e Neurolinguísta (PNL) – Instagram @institutopontes_oficial







