Quando o assunto é paixão, o protagonismo é feminino no Guarani. Nesta quinta-feira (2), data em que o clube completa 115 anos, o Hora Campinas relembra a história de Thereza Orsi Gozzi, a jovem presente na reunião de fundação, que cresceu ligada ao Bugre e marcou seu nome como torcedora-símbolo. Mas Thereza não está sozinha nessa trajetória.
Na semana passada, a memória da bugrina, que morreu aos 103 anos no dia 29 de abril de 1995, foi resgatada através da história de uma outra torcedora.
Apaixonada pelo alviverde de Campinas, Irma Joana Duarte Carniato, ou simplesmente Dona Irma, morreu no último dia 24 aos 85 anos e foi homenageada pelo clube nas redes sociais.
Dona Irma teve sua paixão revelada há quatro anos, quando, sem dinheiro para entrar em um jogo no Brinco, foi presenteada com uma entrada e, no estádio, recebeu acolhimento.
Hoje, as duas torcedoras, representantes de outras tantas paixões femininas pelo Guarani, enriquecem a história do clube e inspiram gerações de bugrinos.

Confira abaixo a história de Thereza Orsi Gozzi em trecho do livro “À Sombra das Palmeiras Imperiais”:
“Thereza Orsi Gozzi era uma jovem como tantas outras de sua época. Com menos de 20 anos (foi registrada em 30/10/1891), casada com Adão Gozzi, trabalhava arduamente em costuras para ajudar o esposo.
Naquele sábado, 1° de abril de 1911, Thereza voltava para casa após ter comprado alguns itens de costura no centro (ela morava na Rua Conceição, uma quadra além do Largo Carlos Gomes) e, ao passar pela praça observou uma estranha reunião, onde um grupo de jovens discutia animadamente. Dentre eles, vários conhecidos, descendentes de italianos como ela.
Aproximou-se, trocou palavras com alguns amigos e logo descobriu que se tratava da fundação de um clube de futebol. Curiosa, ali permaneceu, assistindo aos debates. Quando o nome Guarany Foot-Ball Club foi aprovado, Thereza aplaudiu entusiasmada, junto com todos os presentes.
Ao seu lado, estavam ao menos alguns garotos. Dois deles eram moradores das redondezas e primos de Vicente e Hemani Matallo: Emani Critter (11 anos) e seu irmão Raphael Radamés Critter (10 anos). Outros dois eram os irmãos mais novos de Pompeo e Romeo de Vito, que os acompanhavam: Nicolau de Vito (13 anos) e Victor de Vito (11). Há possibilidade de outros.
Nunca mais Thereza Gozzi abandonaria aquele clube que viu nascer. C
om todo o apoio do marido, acompanharia as partidas do alviverde de seu coração por dezenas e dezenas de anos, presenciando quase todos os seus momentos mais importantes. Ainda no tempo do antigo Estádio Guarany foi elevada à “Torcedora-Símbolo” do clube, sendo adorada e respeitada por muitas gerações de dirigentes, atletas e torcedores.
Tomou-se muito famosa por não titubear em quebrar seu inseparável guarda-chuva na cabeça de quem se atravesse a falar mal do Bugre em sua presença”.












