Na próxima quinta-feira (11) começa a Copa do Mundo de 2026, a maior já realizada, com 48 seleções e partidas espalhadas por três países. Mas, antes mesmo de a bola rolar, uma tradição toma conta das ruas, escolas, praças, bares e grupos de amigos: a busca pelas figurinhas do álbum oficial.
Muito mais do que completar espaços vazios em páginas coloridas, colecionar figurinhas se tornou um ritual que atravessa gerações. É a ansiedade de abrir um pacote, a expectativa de encontrar aquela figurinha rara e a emoção de trocar repetidas por novas amizades.
Para muitos apaixonados por futebol, a Copa começa justamente aí.
O jornalista Eduardo Martins, de 26 anos, é um desses colecionadores. A paixão pelo futebol surgiu ainda criança, logo após a Copa do Mundo de 2006. Quatro anos depois, ele completou o primeiro álbum da carreira de colecionador. Desde então, não parou mais.
Todos os álbuns desde 2010 estão completos. E a partir de 2014, quando a versão capa dura passou a ser comercializada, Eduardo adotou um desafio ainda maior: completar duas versões do álbum em cada Copa.
Para ele, a experiência vai muito além das figurinhas.
“A melhor sensação é abrir os pacotinhos e participar das trocas”, conta.
Segundo Eduardo, é justamente nesses encontros que surgem amizades e histórias com pessoas que compartilham a mesma paixão pelo futebol.

Mas existe um momento especial que ele guarda para si. Quando está colando as figurinhas, diz que esquece dos problemas, das preocupações e da correria do dia a dia.
“É uma experiência única”, resume.
E o amor pelo colecionismo já tem destino certo no futuro. Eduardo sonha em ser pai e garante que pretende transmitir a paixão pelas Copas do Mundo e pelos álbuns para as próximas gerações da família.
O colecionador que guarda histórias há quase 40 anos
Se Eduardo representa uma nova geração de colecionadores, Francisco Antonio da Costa, o Chico, é praticamente um guardião da memória das Copas.
Aos 59 anos, pai de seis filhos, ele costuma brincar que já é “hexa” em casa e aposta que agora chegou a vez de a Seleção Brasileira também conquistar o sexto título mundial.
Há 37 anos, Chico é proprietário do tradicional “Bar e Mercearia do Trevo”, no Jardim do Trevo, em Campinas.

O estabelecimento se tornou um dos primeiros pontos de troca de figurinhas da cidade e, até hoje, recebe colecionadores durante os períodos de Copa.
A relação dele com os álbuns começou há décadas. Chico possui todos os álbuns completos desde 1986. Naquele ano, a coleção nem utilizava figurinhas autocolantes como as atuais. Os jogadores eram representados por cards.
O álbum da Copa de 2026 já está completo há algum tempo. Mas ele foi além.
Além da coleção finalizada, Chico mantém um estojo com figurinhas de todos os jogadores organizadas por seleção, separadas cuidadosamente pelo nome de cada país.

Ao falar sobre a sensação de concluir mais um álbum, a emoção aparece rapidamente. Segundo ele, completar a coleção é como voltar a ser criança.
“É a sensação de uma criança sorrindo”, descreve.
Todos os álbuns são guardados com cuidado especial e, ao longo dos anos, se transformaram em verdadeiros livros de histórias para filhos, netos e para os jovens que frequentam o bar.
Muito além do futebol
Em tempos de redes sociais, inteligência artificial e entretenimento instantâneo, os álbuns da Copa continuam exercendo um fascínio difícil de explicar.
Talvez porque eles carreguem algo que nenhuma tecnologia consegue reproduzir completamente: a expectativa.
De abrir um pacote.
De encontrar uma figurinha rara.
De trocar uma repetida.
De completar uma página.
Ou simplesmente de reviver, por alguns minutos, a mesma emoção que milhões de pessoas sentem a cada quatro anos.
Porque, para muitos colecionadores, a Copa do Mundo começa quando o primeiro pacotinho é aberto.











