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Home Cidade e Região

60 anos do golpe: Operação Guarani vigiou Reunião Anual da SBPC na Unicamp

Regime militar montou conjunto de ações para espionar realização de encontro em julho de 1982 em Campinas

José Pedro Martins Por José Pedro Martins
4 de abril de 2024
em Cidade e Região
Tempo de leitura: 8 mins
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60 anos do golpe: Operação Guarani vigiou Reunião Anual da SBPC na Unicamp

José Aristodemo Pinotti: o então reitor da Unicamp, junto com o presidente da SBPC, Crodowaldo Pavan, atuaram para evitar uma intervenção direta dos militares durante o evento - Foto: Jornal da Unicamp/Reprodução

Parceria Hora Campinas e Agência Social de Notícias

 

O nome é caro à alma da cidade – Operação Guarani – remetendo à ópera famosa do compositor e maestro campineiro Antônio Carlos Gomes (1836-1896). Pois foi este nome o escolhido pelo regime militar para uma das mais emblemáticas ações de monitoramento da cidadania em Campinas durante a ditadura, a Operação Guarani, montada por um conjunto de órgãos de repressão e da “comunidade de inteligência” para espionar e, eventualmente, reprimir, a realização na Unicamp, entre 6 e 14 de julho de 1982, da 34ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

De fato, houve uma grande articulação de bastidores na época, envolvendo o reitor da Unicamp, José Aristodemo Pinotti, e o presidente da SBPC, Crodowaldo Pavan, para evitar uma intervenção direta dos militares durante o evento.

Todo o desenrolar da Operação Guarani foi objeto de um detalhado relatório do Centro de Informações do Exército (CIE), o Relatório Especial de Informações 07/82.

O documento, que pode ser encontrado no site Memórias Reveladas, do Arquivo Nacional, é muito revelador de como agia a “comunidade de inteligência” no regime militar. O envolvimento de um grande número de instituições ligadas à ditadura mostra, por sua vez, a importância que o regime dava para o conjunto da comunidade científica em geral e, em particular, para as Reuniões Anuais da SBPC, que se tornaram um dos principais espaços de crítica aos militares, entre o final da década de 1970 e início da década de 1980.

 

O presidente da SBPC, Renato Janine Ribeiro, enviou o seguinte comunicado:

“A SBPC fica muito grata ao portal por divulgar esse fato tão irritante que mostra um período bem negativo da história do Brasil, a saber a ditadura, com a hostilidade direta à inteligência, ao trabalho científico e intelectual que era sistematicamente considerado como comunista e subversivo, quando não era. Quando é trabalho de conhecimento que sempre agrada a uns e desagrada a outros, e desagradava muito à Ditadura, porque ditaduras crescem e se mantêm, sobretudo, pela negação da verdade, pela mentira, pela violência.

Quanto aos fatos, a atual Diretoria da SBPC não tem nenhuma condição de comentar, de fazer qualquer reparo ou mudança, uma vez que não testemunhou o que aconteceu há tantas décadas e os personagens que desse evento participaram, como o reitor da Unicamp e o presidente da SBPC, já faleceram. Porém, a SBPC manifesta, mais uma vez, seu mais veemente repúdio a esse tipo de acontecimento. A ideia de que repartições de repressão política se ocupem do que deve ou não deve ser autorizado numa reunião científica é absolutamente indigna. Esse tipo de medida é inaceitável e, por isso, nós nos manifestamos claramente contra esse tipo de prática que ocorreu no passado e esperamos que nunca mais volte a ocorrer. Mas para nos livrarmos disso de uma vez com todas, para termos o devido livramento, nós precisamos estar sempre atentos na defesa das causas democráticas.”

 

 

Foto: Reprodução

Modus operandi

Logo no início, o Relatório informa que o documento foi elaborado por um grupo de trabalho formado por agentes do próprio CIE e também do II Exército, IV Comando Aéreo Regional (IV COMAR), DEOPS de São Paulo e 11ª Brigada de Infantaria Blindada, sediada em Campinas, no Chapadão. Segundo o Relatório, 27 agentes, no total, fizeram a cobertura de 233 dos 1.116 eventos da programação, entre palestras, debates, simpósios, atividades artísticas e outras, em vários espaços da Unicamp e no Salão Vermelho da Prefeitura de Campinas.

O documento destaca “o perfeito entrosamento verificado” entre os agentes que participaram da Operação Guarani e “a experiência que os agentes adquiriram, na cobertura de um evento complexo”. Lamenta, entretanto, que “a quantidade de agentes mostrou-se insuficiente para um acompanhamento mais amplo (e necessário) dos eventos programados”. Lamenta, igualmente, a “inexistência de elementos infiltrados nas principais organizações (PCB, PC do B, OSI/CS), de modo a facilitar a cobertura das atividades clandestinas”.

 

Do mesmo modo, o Relatório lamenta, em termos de estrutura, a “falta de telex na Central de Operações (11ª Bda Inf Bld), dificultando tráfego de mensagens, que eram feitos através do IV COMAR (Viracopos), 15 km de distância”. E, também, a “ausência de elemento de contra-propaganda e/ou contrainformação”.

Sobre a SBPC

O documento prossegue traçando um perfil da SBPC, instituição criada em 1948. Curiosamente, a primeira Reunião Anual da Sociedade aconteceu em Campinas no ano seguinte, nas instalações do Instituto Agronômico.

Segundo o documento dos componentes da Operação Guarani, “desvirtuando-se de sua finalidade básica, principalmente a partir de 1974, começou a tornar-se um grande fórum de debates da problemática nacional, principalmente nos campos político, econômico e psicossocial”.

O documento cita então algumas das Reuniões Anuais depois daquela data, como a de 1977, em que, “sob a alegação de que estaria havendo resistência de setores antidemocráticos contra a atuação da SBPC, elegeu-se GALILEU GALILEI, um símbolo da perseguição à liberdade de pensamento, patrono da 29ª Reunião Anual da entidade”, realizada em São Paulo, na PUC, em Perdizes.

Ainda segundo o documento, em 1981, na 33ª Reunião Anual, em Salvador (BA), “além da discussão de alguns temas científicos e outros de interesse nacional, tivemos a atuação contundente das esquerdas, particularmente o PC do B. A propaganda e a mobilização por eles realizada para a derrubada do regime militar, através da luta armada, foi conduzida com extrema agressividade e arrogância, e de forma inteiramente desinibida”.

 

 

O documento assinala que, de forma prévia à 34ª Reunião Anual, em Campinas, a direção da SBPC procurou “mostrar interesse por uma nova direção na sua orientação, voltando aos seus postulados básicos e abandonando as questões político-partidárias que nortearam sua atuação nos últimos anos”.

Entretanto, segundo os agentes que redigiram o Relatório, “a presença de conhecidos subversivos” entre a diretoria da SBPC “indicava possíveis desdobramentos políticos do evento”.

Desenrolar da Reunião

Na sequência, o documento dos agentes que integraram a Operação Guarani relata o desenrolar da 34a Reunião Anual, desde a abertura, com a presença do reitor Pinotti e dos professores Carlos Chagas Filho e Márcio d´Olne Campos. De acordo com o Relatório, na sessão de abertura o presidente da SBPC, Crodowaldo Pavan, “colocou-se em posição um pouco diferente da prevista que vinha pregando, abrindo possibilidade de colocações políticas”. O documento cita um “fato notório” no final da sessão de abertura, “quando ao final do discurso do presidente da SBPC, apareceu uma faixa do PC do B em saudação ao evento, tendo o sr. Crodowaldo Pavan se dirigido aos responsáveis, cumprimentando-os um por um, após o que eles se retiraram”.

O Relatório destaca que, na manhã do dia seguinte, na abertura da programação de eventos, o campus da Unicamp estava “como se fosse o palco de uma grande festa”.

O documento cita a presença de uma grande bandeira do PC do B e também de “barracas específicas para cada organização subversiva onde era distribuída farta propaganda subversiva, bem como toda espécie de literatura marxista-leninista”.

O documento cita alguns eventos realizados na Reunião Anual da SBPC na Unicamp, como uma palestra com o dirigente comunista João Amazonas e uma palestra com representantes da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

 

 

Análise dos agentes

Os agentes da Operação Guarani fizeram depois uma análise sobre a Reunião Anual da SBPC. Segundo o Relatório Especial de Informações, “os reflexos da 34ª Reunião no Campo Militar foram notórios, quando observados em seus aspectos globais pois, ao final do evento, a manipulação da imprensa dentro de um plano provavelmente pré-planejado, colocando opinião pública x FFAA (Forças Armadas), visando seu desgaste e comprometimento, como pôde ser observado”.

O documento cita, a seguir, detalhes da ampla cobertura da Reunião Anual da SBPC pela imprensa local, estadual e nacional. Na ótica dos agentes, uma cobertura crítica da atuação dos militares.

Entre as manchetes de jornais durante os dias do evento, cita uma do “Correio Popular” (“Rearmamento ameaça recursos à pesquisa”) e uma do “Diário do Povo” (“Fabricando a morte”), ambos de Campinas. Segundo o documento, houve uma forte crítica especialmente a um eventual projeto de construção de bomba atômica no Brasil.

O Relatório também cita alguns ex-cassados políticos que se pronunciaram no evento em Campinas, como Almino Affonso, Márcio Moreira Alves, Fernando Morais, Hélio Bicudo, Fernando Henrique Cardoso, Franco Montoro, Severo Gomes e José Roberto Magalhães Teixeira, na época vice-prefeito de Campinas pelo PMDB e que no final daquele ano seria eleito prefeito.

O documento também elenca uma série de temas e os respectivos debatedores, como os da Reforma Agrária (com Plínio de Arruda Sampaio e José Eli da Veiga, entre outros), Movimentos Sociais e Campesinato, Conflitos Sociais no Campo Brasileiro e outros. “Os temas acima foram abordados, em sua totalidade, dentro do enfoque socialista”, completa o Relatório.

Entre outros participantes da Reunião Anual, o documento cita D. Claudio Hummes, representante da Igreja progressista, o intelectual Octavio Ianni (professor da Unicamp, que falou sobre “Revolução e Contra-Revolução na História da América Central) e José Gregori, presidente da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, que participou de uma mesa-redonda com a participação, também, de Almino Affonso, Rogê Ferreira, o escritor Fernando Moraes e Jacó Bittar, então presidente do Sindipetro de Paulínia. Cita, ainda, as presenças de Celso Furtado, Darci Ribeiro e o físico Rogério César de Cerqueira Leite, professor da Unicamp, como alguns dos grandes intelectuais brasileiros que participaram do evento em Campinas.

Como conclusão, o documento final da Operação Guarani sustenta que o evento em Campinas “apresentou, na maioria dos temas desenvolvidos, o comprometimento político-subversivo-contestatório” e que “a pregação contestatória foi orquestrada” em alguns aspectos, como “comprometimento das Forças Armadas” e “crítica aos grandes projetos gover

Outros documentos foram produzidos pela “comunidade de informações” sobre a 34ª Reunião Anual da SBPC em Campinas. Entre eles, extensas relações de participantes do evento, sobretudo professores e pesquisadores de várias universidades brasileiras.

Ficou evidente, sobretudo pelo Relatório Especial de Informações 07/82, referente à Operação Guarani, como a comunidade científica e, em particular, as Reuniões Anuais da SBPC, foram alvo de amplo monitoramento pela “comunidade de inteligência”, nos momentos finais do regime militar. A Ciência vista como inimiga pela ditadura.

Esta reportagem é uma parceria entre o Hora Campinas e a Agência Social de Notícias (ASN)

namentais”.

Quanto à SBPC, assinala que a instituição “continuou representando um centro ideológico de foquismo intelectual de esquerda, canalizando a área de educação e cultura para a linha socialista”.

 

Tags: Agência Social de NotíciasBrasilCampinasciênciaditaduraencontrogolpe 64HistóriaHora CampinasMemóriamilitaresPolíticaSBPCUnicamp
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José Pedro Martins

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