Imagens de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) captaram 629 focos de incêndio de 1º de maio até 27 de agosto deste ano em Campinas – 219 deles apenas no último sábado (24). O total representa uma alta de 477% em comparação a toda a Operação estiagem de 2023. De maio a setembro do ano passado, as imagens do INPE confirmaram 109 focos no município.
O balanço parcial da Operação Estiagem divulgado nesta quarta-feira (28) pela Defesa Civil de Campinas também aponta para a grande alta de ocorrências de incêndios pelo Corpo de Bombeiros. Enquanto em 2023 a corporação registrou 259 ocorrências, de maio a 27 de agosto deste ano foram 744, um aumento de 187%.
Os técnicos relataram que 190 dos 219 focos indicados pelo INPE no último sábado se concentraram na região do distrito do Campo Grande. Em seguida aparece o distrito de Sousas, com 23; 5 na Vila boa Vista e um no Jardim Von Zuben.
“Desse total de imagens captadas pelos satélites, a partir das vistorias in loco da Defesa Civil, foram abertas 32 ocorrências. Isso ocorre porque os satélites geram várias imagens de um mesmo incêndio”, explicou o coordenador regional e diretor do Departamento de Defesa Civil de Campinas, Sidnei Furtado. De acordo com Furtado, esse ano está sendo muito atípico por conta das altas temperaturas no período de inverno.
“A nossa impressão é que a temperatura alta tem sido o grande diferencial dos últimos anos. Quer dizer, nós estamos tendo, num período de inverno, temperaturas altas e isso está ocasionando uma grande mudança de comportamento na questão dos incêndios. Isso é preocupante, porque nós temos que rever procedimentos, rever ações, inclusive integradas com os diversos órgãos da Prefeitura”, colocou.
Sem chuva
O coordenador informou ainda que além do número significativo de ocorrências na estiagem desse ano, nos próximos 15 dias, de acordo com a previsão meteorológica, não há perspectiva de chuva para a região.
“Isso realmente aumenta a nossa preocupação e incentivamos que as pessoas adotem o sistema de alerta, que não provoquem nenhum tipo de foco de incêndio, nem queima de lixo no fundo do quintal. E ao detectar qualquer anormalidade, alguém ateando fogo, soltando balão, acionem a Polícia Militar ou a Guarda Municipal”, observou.
O Tenente Borges, do Corpo de Bombeiros, explicou que incêndio de vegetação é um tipo de ocorrência sazonal, esperado nessa época do ano, mas que tem piorado devido a fatores climáticos.
“Esse ano tivemos uma intensificação no número de ocorrências devido à elevação de temperatura e à umidade relativa do ar muito baixa. Aproveito para destacar que o incêndio normalmente começa por uma ação humana. Então, nosso maior objetivo é conscientizar a população na parte preventiva para evitar esses incêndios, é aquela questão de não incendiar terreno baldio, de não querer queimar lixo, porque muitas vezes se perde o controle e o fogo acaba passando para outros locais”, enfatizou.
Em Campinas, qualquer foco de incêndio registrado por uma imagem de satélite é vistoriado. Se for necessário, a Defesa Civil usa o drone para fazer a caracterização da ocorrência e, na sequência, encaminha para o órgão de fiscalização.
Boletim de Alerta
A Defesa Civil também é responsável pela publicação de boletins para alertar a população sobre a baixa umidade relativa do ar (URA); e também em relação a alta ou baixa temperatura.
Até a última segunda-feira (26), foram emitidos 41 boletins de baixa temperatura; 22 alertas de temperaturas abaixo de 13°C; 41 mapas de risco de incêndio; dois boletins especiais de onda de frio e quatro boletins de tempo seco/onda de calor.
No mês de agosto foram emitidos oito boletins de baixa temperatura, quando os índices ficaram abaixo de 13 graus centígrados, sendo que a menor temperatura foi de 6° C, no dia 11. No contraponto, no mesmo período, houve emissão de 20 boletins de alta temperatura, sendo 12 no mês de maio e oito em agosto. No dia 23 de agosto a temperatura chegou a 34,2°C.
O órgão também emitiu 55 boletins de baixa Umidade Relativa do Ar (URA): foram 44 de Estado de Atenção (quando o índice fica abaixo de 30%); e 11 de Estado de Alerta, quando a URA fica entre 12 e 20%.











