Aprendi com uma pessoa que se tornou minha amiga em razão de uma relação comercial de locação, que me contou que em certa fase de sua vida tornou-se alcoólatra. Relatou-me sobre a sua luta pessoal, os reflexos em sua profissão e, principalmente, os estragos acarretados em todo o seu clã familiar; seu aprendizado na instituição denominada Alcoólicos Anônimos (AA), enfim, suas lutas, quedas, redenções etc. E seu triunfo ao estar “limpo” há muitos anos. Uma história de vida repleta de nuances – como é a de todos nós (sempre disse para os meus dois filhos, hoje pais de família, que não estamos aqui a passeio, que aqui não é e jamais será um parque de diversões).
Era sempre muito prazeroso conversar com ele. Seu primeiro nome: Sérgio. Eu dizia: “como você está, Sérgio”?, e ele sempre respondia, em alto e bom som, com a voz transmitindo energia e vibrações positivas: “estou cada vez melhor”! Era como se, naquele momento, eu recebesse uma injeção de ânimo inexplicável. Sua voz e sua energia atingiam em cheio a minha alma, proporcionando-me recarga em minha “bateria”. Que pessoa maravilhosa! Que ser humano amoroso! Belo exemplo de superação…
No decorrer de nossas vidas – creio eu – nos encontramos com alguns “Sérgios” (copos meio cheios), todavia, também convivemos com algumas pessoas negativas (copos meio vazios) que em tudo e em todos veem derrotas, são negativas ao extremo, parecem que vieram ao mundo para jogarem água no chope alheio.
Geralmente essas pessoas tendem a analisar o presente como algo horripilante, como se nada mais desse certo, que tudo está comprometido, concluindo que Jesus está voltando e que o mundo está no fim. Será?
Basta analisarmos a própria história da humanidade para aquilatarmos o quanto nós, seres humanos imperfeitos e falíveis, já percorremos, o quanto já melhoramos. A história da humanidade, por exemplo, nos comprova que já moramos em cavernas, que resolvíamos nossas diferenças somente pela lei do mais forte, ou seja, na base do porrete mesmo! (essa era a meritocracia então vigente – risos). Os masculinos, de compleição física mais vantajosa, subjugavam as femininas, franzinas por natureza. Sempre me vem a imagem de um troglodita com um porrete numa das mãos arrastando a sua mulher pelo cabelo com a outra mão.
Invariavelmente era assim que se vivia e convivia em épocas passadas. Já mesmo ao tempo em que Jesus estava presente, em corpo e alma, aqui neste orbe, Herodes ordenou aos seus soldados matassem todos os meninos com idade de até dois anos. E isso foi efetivado, fato esse, inclusive, relatado e comprovado em passagens evangélicas bíblicas.
Muitas desavenças, guerras e mortes regionais, em diversas épocas (tanto aC quanto dC) em razão de demonstração de poder ou, ainda, por causa de disputas de territórios e privilégios. Culminaram, posteriormente, em duas grandes Guerras Mundiais. Hoje, verificamos algo diferente? Não. Lulu Santos resumiu em trecho de uma de suas canções: “assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade”.
Jesus de Nazaré volta todos os dias, e dentro de nós. Deus é luz dentro de cada um de nós. Ele faz isso quando tal qual meu amigo Sérgio dá um bom dia efusivo, fala em seu exemplo de superação e de amor à sua família e ao próximo. Aliás, caso Jesus retornasse hoje ao planeta Terra e promovesse o mesmo discurso contido em seus quatro evangelhos (basta lê-los para verificarmos qual tipo de sociedade Ele propunha e almejava), teria uma grande possibilidade de não chegar nem mesmo aos seus trinta e três anos de idade. Algum desavisado, raivoso, com arma de fogo em punho, cometeria o sacrilégio de fechar a Sua boca, novamente.
Mais um dia em nossas vidas. Mais uma oportunidade de enxergarmos o copo meio cheio, mesmo que recebamos a pecha de sonhadores, de utópicos, de filósofos (risos) de que não estamos enxergando que Jesus está voltando e que o mundo está no fim. Por nossos filhos, netos, sobrinhos, por todas as crianças e jovens, de todas as nações, acreditemos num mundo melhor, num mundo como o fazem as pessoas que trabalham em silêncio pelo bem do próximo, pelo bem comum. Essas pessoas – temos certeza – são a grande maioria, porém, o bem, ao contrário do mal e das pessoas egoístas, trabalham e realizam em completo silêncio, cumprindo, portanto, uma das maravilhosas lições do Mestre Nazareno.
Feliz dia a todos! Que o amor ao próximo possa renascer a cada novo dia em nossas vidas; que possamos ser melhores hoje do que fomos ontem; e que possamos ser melhores amanhã do que fomos hoje.
Que, ao estilo de Sérgio, quando perguntados como estamos, a todos os pulmões possamos dizer, gentilmente: “cada vez melhor!!!” E que sejamos, cada um de nós, individualmente, a mudança que queremos ver no mundo. Saudações!
Armando Bergo Neto é Advogado e Ex-Procurador Geral da Câmara Municipal de Campinas












