Em Campinas, entre 2013 e 2019, foram diagnosticados, em média, 198 casos por ano da doença, segundo o Registro de Câncer de Base Populacional (RCBP). Além disso, informações do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) indicam que, de 2013 a 2024, o município registrou uma média anual de 82 óbitos relacionados a esse tipo de câncer.
Para especialistas, esses números acendem um alerta. “A maioria dos tumores de cabeça e pescoço são malignos e, geralmente, do tipo escamoso, uma forma agressiva que exige diagnóstico rápido. Quando identificada no início, a doença tem até 90% de chance de cura. Nos estágios avançados, porém, é quase sempre fatal”, afirma o cirurgião Wagner Guisard Thaumaturgo Junior, da Rede Mário Gatti de Urgência, Emergência e Hospitalar.
O câncer de cabeça e pescoço abrange diferentes regiões: boca, cavidade oral, laringe, fossas nasais, seios da face, glândulas salivares (como parótida e submandibulares), além da pele do rosto e do pescoço.
Entre os principais sintomas estão: dor ou desconforto persistente na boca, garganta ou pescoço; dificuldade para engolir ou falar; feridas que não cicatrizam e podem apresentar sangramento ou mau cheiro; nódulos ou tumores; alterações na voz; tosse persistente e engasgos frequentes; perda de peso sem causa aparente; obstrução nasal e secreção.
“O corpo costuma dar sinais precoces. O problema é que muitos pacientes ignoram os sintomas iniciais ou demoram para buscar atendimento, e isso reduz drasticamente as chances de cura”, alerta Thaumaturgo.
Fatores de risco: tabaco, álcool e HPV entre os principais vilões
Segundo o especialista, o tabagismo é o maior fator de risco, especialmente quando associado ao consumo de álcool. A infecção pelo Vírus do Papiloma Humano (HPV) também se destaca como causa de parte significativa dos casos, principalmente em tumores localizados na orofaringe.
Outros fatores que aumentam a probabilidade de desenvolvimento da doença incluem:
histórico familiar de câncer;
má higiene bucal;
exposição prolongada ao sol sem proteção;
contato com substâncias tóxicas, como amianto, níquel e pó de madeira.
“O grupo mais vulnerável é formado por homens acima dos 50 anos, mas qualquer pessoa que fume e consuma álcool de forma frequente tem risco elevado. Pacientes com infecção pelo HPV ou nódulos em glândulas também devem manter acompanhamento médico regular”, ressalta o cirurgião.
Prevenção: hábitos saudáveis e vacinação
Os especialistas reforçam que hábitos saudáveis são fundamentais para reduzir o risco de câncer de cabeça e pescoço. Entre as recomendações estão:
não fumar e evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
vacinar-se contra o HPV;
manter uma boa higiene bucal;
usar protetor solar diariamente, incluindo nos lábios;
manter alimentação equilibrada, rica em frutas e verduras;
praticar atividades físicas regularmente;
usar preservativo em relações sexuais para reduzir a transmissão do HPV.
A vacina contra o HPV é oferecida gratuitamente pelo SUS a meninas e meninos de 9 a 14 anos e a pessoas imunossuprimidas de 9 a 45 anos. “A imunização é uma ferramenta eficaz, pois ajuda a prevenir alguns tipos de câncer relacionados ao vírus”, reforça Thaumaturgo.
Conscientização salva vidas
Para o especialista, campanhas como o Julho Verde são fundamentais para informar a população. “A prevenção e o diagnóstico precoce são as principais armas contra o câncer de cabeça e pescoço. A demora no diagnóstico é o fator que, muitas vezes, define a diferença entre vida e morte”, conclui.











