A instabilidade política e econômica não é um conceito distante para quem toca um negócio no Brasil. Ela se manifesta de forma muito concreta: o crédito fica mais caro, o acesso diminui e as decisões precisam ser tomadas mais rápido possível. Para as pequenas e médias empresas, que já operam com margens apertadas e menos alternativas de financiamento barato, o momento exige mais do que cautela. É preciso ter uma estratégia financeira ativa.
Esse impacto chega por dois caminhos.
O primeiro é o aumento do chamado prêmio de risco. Quando cresce o ruído fiscal e político, o risco-país sobe ou deixa de cair, o câmbio se torna mais volátil e o Banco Central tende a manter a Selic alta por mais tempo. O segundo é o custo e a própria disponibilidade de recursos. Diante de mais incerteza, bancos e outros financiadores reduzem linhas e ficam mais seletivos. Em 2025, o Copom manteve a taxa básica em 15% ao ano, enquanto dados do próprio Banco Central mostram que a oferta de crédito continua restrita, com maior aperto justamente para as PMEs.
O cenário internacional também não ajuda. O recente conflito comercial entre Estados Unidos e China, mesmo com suspensões temporárias de tarifas, trouxe incerteza para o comércio global, elevou custos de insumos e atingiu as cadeias produtivas brasileiras. Isso reduz o apetite por risco no mercado e pressiona ainda mais os custos para quem produz e vende no Brasil.
Para as empresas, juros altos drenam o caixa com despesas financeiras e alongam os prazos de recebimento, já que clientes também enfrentam dificuldades. Projetos de expansão deixam de ser viáveis, investimentos são adiados e a inadimplência cresce. Em julho, o PMI da indústria brasileira voltou para a faixa contracionista, mostrando que a demanda está mais fraca e que há menos disposição para investir e contratar.
Nesse cenário, soluções alternativas de financiamento deixam de ser apenas uma opção e passam a ser essenciais. A antecipação de recebíveis e o crédito estruturado, por exemplo, ajudam de forma prática. Ao transformar faturas já emitidas em dinheiro no mesmo dia ou no dia seguinte, a empresa reduz a dependência de capital de giro bancário, que hoje custa caro. Como a análise é feita sobre o fluxo de recebíveis e não apenas sobre o balanço, é possível liberar recursos mesmo para quem está com os números pressionados no curto prazo. Além disso, estruturas bem montadas, com garantias como cessão fiduciária e contas vinculadas, mantêm o limite de crédito mais estável mesmo quando o cenário externo piora.
Essa é a grande diferença em relação ao crédito tradicional. Avaliar detalhadamente a carteira de clientes, o histórico de pagamentos e a diversificação das vendas permite precificar melhor e oferecer limites sustentáveis, com liberação de recursos muito mais rápida. E quando o custo do dinheiro está alto e as oportunidades aparecem em janelas curtas, a agilidade faz toda a diferença.
Momentos de instabilidade não são horas para esperar que o mercado melhore sozinho.
O empresário que se antecipa, organiza o caixa e diversifica suas fontes de crédito tem mais chance de atravessar o ciclo com segurança. Existem soluções no mercado, que foram testadas em diferentes crises e se mostram ainda mais importantes nos períodos de incerteza.
A instabilidade política e econômica eleva o risco e mantém os juros altos. O crédito fica mais caro e mais seletivo, principalmente para as empresas. Cabe a cada gestor decidir se vai enfrentar esse cenário com o freio de mão puxado ou com as ferramentas certas para manter o caixa saudável e o planejamento de pé.
Leonardo Rocha é CFO da AG Antecipa e economista











