27 de janeiro de 2026
O SEU PORTAL DE NOTÍCIAS, ANÁLISE E SERVIÇOS
ANUNCIE
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Informação e análise com credibilidade
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Informação e análise com credibilidade
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Home Opinião

Artigo: A conta impagável das bets – por Dimas Ramalho

Redação Por Redação
19 de janeiro de 2026
em Opinião
Tempo de leitura: 3 mins
A A
Bets avançam e mercado de apostas põe economia e saúde mental em debate

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

A onipresença da euforia publicitária das bets, com seus embaixadores famosos e promessas de ascensão rápida, mascara um abismo que os números acabam de revelar: o Brasil está arcando com uma conta impagável para sustentar verdadeiros cassinos de bolso. Um estudo recente do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) não apenas acende um alerta, mas soa uma sirene ensurdecedora sobre os custos dessa “brincadeira”. Estamos diante de um rombo social estimado em R$ 38,8 bilhões anuais; uma fatura que recai sobre o Estado, o orçamento das famílias e o futuro de toda uma geração.

A narrativa construída pelo setor de apostas sempre foi sedutora: trata-se de liberdade individual, entretenimento moderno e, claro, a velha promessa de dinamismo econômico. Contudo, ao dissecar os dados do IEPS, percebe-se que essa estrutura é um gigante de pés de barro, sustentado pela miséria alheia. Do montante total do prejuízo, assustadores R$ 30,6 bilhões referem-se a custos diretos e indiretos na área da saúde.

Não estamos falando apenas de ônus operacionais do SUS, mas de vidas abreviadas e mentes colapsadas. O relatório estima que R$ 17 bilhões desse montante são decorrentes de suicídios associados ao vício em apostas online. Outros R$ 10,2 bilhões evaporam na forma de perda de qualidade de vida, sugados pela depressão e pelos transtornos de ansiedade que acompanham a montanha-russa emocional do jogo. O que se vende como diversão no intervalo do futebol é, na prática, uma máquina de moer saúde mental, que privatiza lucros astronômicos e socializa o luto e o tratamento psiquiátrico.

Se o impacto humano é devastador, a justificativa econômica para a benevolência com as bets é uma falácia ainda mais gritante. Em setores produtivos saudáveis, o lucro empresarial gera, em contrapartida, empregos e infraestrutura. No universo das apostas online, porém, essa lógica é subvertida. As bets operam como parasitas da economia real. Elas extraem bilhões que circulariam no comércio varejista, no turismo ou na indústria, e não devolvem absolutamente nada em termos de desenvolvimento estrutural.

De acordo com o levantamento do IEPS, o setor gera pouco mais de 1.100 empregos formais em todo o território nacional. A média é de risíveis 19 funcionários por empresa. São plataformas desenhadas para a eficiência extrativa máxima e empregabilidade mínima. A disparidade é obscena: para cada R$ 291,00 que entram como receita nas casas de aposta, apenas R$ 1,00 vira salário formal.

Diante desse cenário de terra arrasada, a timidez legislativa não é mais uma opção. A recente aprovação, na Câmara, do projeto que eleva a tributação sobre o setor é um passo na direção certa, mas deve ser encarada apenas como o começo. O texto, que agora segue para o Senado, determina que os impostos passarão dos atuais 12% para 13% em 2026 e 14% em 2027, chegando a 15% em 2028.

Apesar da gritaria habitual dos lobistas sobre a inviabilidade do negócio, é preciso clareza: nos moldes atuais, o negócio já é inviável para a sociedade brasileira. A tributação pesada sobre as apostas não deve ser encarada sob a ótica da arrecadação fiscal comum, mas sim sob a lógica dos “impostos sobre o pecado”, aplicados historicamente ao tabaco e ao álcool. O objetivo não é apenas arrecadar recursos, mas desincentivar o consumo e, principalmente, ressarcir o Estado pelas externalidades negativas brutais que o jogo impõe.

No fundo, a migração do dinheiro do consumo das famílias para as plataformas de apostas acaba sendo uma espécie de imposto regressivo cobrado dos mais pobres, disfarçado de oportunidade. O Estado precisa intervir não como um tutor moralista, mas como o garantidor da sobrevivência econômica da coletividade.

O projeto de lei em tramitação funciona como um torniquete necessário para estancar uma hemorragia grave, mas o debate exige mais profundidade. É urgente decidir se queremos ser uma nação fundamentada no trabalho e na produção, ou se aceitaremos passivamente que o país se converta em um imenso cassino a céu aberto, onde a esperança é a moeda de troca e a derrota, a única certeza matemática. Diz o ditado que a banca sempre vence. Contudo, não há lei que obrigue o povo brasileiro a ser o eterno perdedor nessa mesa.

 

 

Dimas Ramalho é vice-presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo

Tags: apostasArtigobetsBrasilcomportamentoconsumoEconomiaHora CampinasmercadoOpinião
CompartilheCompartilheEnviar
Redação

Redação

O Hora Campinas reforça seu compromisso com o jornalismo profissional e de qualidade. Nossa redação produz diariamente informação em que você pode confiar.

Notícias Relacionadas

Artigo: O protagonismo na trilha da vida – por Alvaro Fernando
Opinião

Artigo: O protagonismo na trilha da vida – por Alvaro Fernando

Por Redação
27 de janeiro de 2026

...

Artigo: Poderosos octogenários – por Joaquim   Z.   Motta
Opinião

Artigo: Poderosos octogenários – por Joaquim   Z.   Motta

Por Redação
26 de janeiro de 2026

...

Quando a formação médica falha, quem paga a conta é o paciente – por José Roberto Franchi Amade

Quando a formação médica falha, quem paga a conta é o paciente – por José Roberto Franchi Amade

25 de janeiro de 2026
Artigo: O lado ruim do lado bom – por Isaque Santos

Artigo: O lado ruim do lado bom – por Isaque Santos

24 de janeiro de 2026
Artigo: Indústria no alvo do insaciável apetite fiscal – por Rafael Cervone

Artigo: Indústria no alvo do insaciável apetite fiscal – por Rafael Cervone

23 de janeiro de 2026
Artigo: O que o DNA revela sobre a ancestralidade judaica no Brasil – por Ricardo di Lazzaro

Artigo: O que o DNA revela sobre a ancestralidade judaica no Brasil – por Ricardo di Lazzaro

22 de janeiro de 2026
Carregar Mais















  • Avatar photo
    Carmino de Souza
    Letra de Médico
  • Avatar photo
    Cecília Lima
    Comunicar para liderar
  • Avatar photo
    Daniela Nucci
    Moda, Beleza e Bem-Estar
  • Avatar photo
    Gustavo Gumiero
    Ah, sociedade!
  • Avatar photo
    José Pedro Martins
    Hora da Sustentabilidade
  • Avatar photo
    Karine Camuci
    Você Empregado
  • Avatar photo
    Kátia Camargo
    Caçadora de Boas Histórias
  • Avatar photo
    Luis Norberto Pascoal
    Os incomodados que mudem o mundo
  • Avatar photo
    Luis Felipe Valle
    Versões e subversões
  • Avatar photo
    Renato Savy
    Direito Imobiliário e Condominial
  • Avatar photo
    Retrato das Juventudes
    Sonhos e desafios de uma geração
  • Avatar photo
    Thiago Pontes
    Ponto de Vista

Mais lidas

  • A ascensão das publicações ‘predatórias’ – por Carmino de Souza

    A ascensão das publicações ‘predatórias’ – por Carmino de Souza

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Passinhos dos anos 80 voltam com força e unem gerações em Campinas – por Daniela Nucci

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Sinfônica de Campinas retoma apresentações com concertos gratuitos que marcam despedida de Carlos Prazeres

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Enamed: Veja notas obtidas por cursos de medicina da RMC

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Ponte Preta corre para recuperar lesionados antes do dérbi

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
Hora Campinas

Somos uma startup de jornalismo digital pautada pela credibilidade e independência. Uma iniciativa inovadora para oferecer conteúdo plural, analítico e de qualidade.

Anuncie e apoie o Hora Campinas

VEJA COMO

Editor-chefe

Marcelo Pereira
marcelo@horacampinas.com.br

Editores de Conteúdo

Laine Turati
laine@horacampinas.com.br

Maria José Basso
jobasso@horacampinas.com.br

Silvio Marcos Begatti
silvio@horacampinas.com.br

Reportagem multimídia

Gustavo Abdel
abdel@horacampinas.com.br

Leandro Ferreira
fotografia@horacampinas.com.br

Caio Amaral
caio@horacampinas.com.br

Marketing

Pedro Basso
atendimento@horacampinas.com.br

Para falar conosco

Canal Direto

atendimento@horacampinas.com.br

Redação

redacao@horacampinas.com.br

Departamento Comercial

atendimento@horacampinas.com.br

Noticiário nacional e internacional fornecido por Agência SP, Agência Brasil, Agência Senado, Agência Câmara, Agência Einstein, Travel for Life BR, Fotos Públicas, Agência Lusa News e Agência ONU News.

Hora Campinas © 2021 - Todos os Direitos Reservados - Desenvolvido por Farnesi Digital - Marketing Digital Campinas.

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In

Add New Playlist

Sem Resultados
Ver todos os resultados
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME

Hora Campinas © 2021 - Todos os Direitos Reservados - Desenvolvido por Farnesi Digital - Marketing Digital Campinas.