Após um mês internado na Cidade do México em decorrência de uma série de Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs), o professor Wagner de Oliveira Fernandes, de 78 anos, retornou ao Brasil nesta semana. A informação foi confirmada pela família por meio das redes sociais e detalhada ao Hora Campinas pela esposa, a médica Silvana Penachione, que acompanhou todo o processo de internação e transferência.
Wagner desembarcou nesta quarta-feira (21) no Aeroporto Internacional de Viracopos, em uma complexa operação de transporte em UTI aérea, com escalas para reabastecimento e monitoramento médico.
O professor foi diretamente internado na UTI do Hospital Unimed, em Campinas, onde aguarda reavaliação clínica para definição do seguimento do tratamento. Segundo Silvana, o professor apresenta sequelas neurológicas importantes e inicia agora a reabilitação, fase decisiva. “Ele precisa muito dessa etapa. Sabemos que o seguimento será longo e contínuo”, afirmou.
De acordo com a médica, Wagner está clinicamente estável, porém segue com afasia, sem comunicação verbal, e sem movimentos no lado direito do corpo. Outras possíveis limitações ainda serão avaliadas pela equipe médica no Brasil, explicou a esposa.
A transferência do México até Campinas durou quase 24 horas. O trajeto começou com ambulância até a cidade de Toluca (a 1h30 da Cidade do México) e seguiu em UTI aérea, com escalas em Cozumel (México), Cartagena (Colômbia), Manaus, Goiânia e, por fim, Campinas.

REDE DE SOLIDARIEDADE
O caso do professor mobilizou uma ampla rede de solidariedade. Parte dos custos foi coberta pelo seguro, enquanto uma vaquinha virtual arrecadou cerca de um terço do valor necessário. Ainda assim, segundo Silvana, foi preciso recorrer a empréstimos para viabilizar o retorno ao Brasil. “Felizmente, uma etapa importante foi vencida”, destacou.
A campanha de arrecadação continua ativa por dois motivos principais: o alto valor do empréstimo e a necessidade de equipamentos e adaptações para a nova realidade do professor.
Entre as demandas estão cama hospitalar, cadeira de rodas adequada à condição clínica, fisioterapia contínua e adaptações na residência.
Além do relato pessoal, Silvana também fez um apelo por mudanças estruturais. “Precisamos de projetos de lei que auxiliem brasileiros em trânsito. Não temos nenhuma legislação que nos ampare em situações extremas como a que vivemos”, afirmou.
Reconhecido pelo amor à docência, Wagner sempre teve a sala de aula como centro de sua vida. Para a família, a impossibilidade temporária de lecionar representa uma das maiores perdas.
“Ele sempre acreditou no trabalho dele e no poder da educação de transformar e melhorar as pessoas”, concluiu Silvana.
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