Recentemente fiz aniversário. Pois é, logo mais poderei andar de ônibus de graça mostrando o RG… Brincadeiras a parte, há quem valorize muito tal data. Celebrar a vida, comemorar o aniversário é sim uma postura muito importante, especial, mágica, saudável, mas confesso que não consigo enxergar nada disso em uma só data. Eu, com minha visão de filósofo, acredito que todo o santo dia é santo, acredito que a vida devesse ser celebrada como única, singular, inédita a cada manhã em que acordamos, é como se todo dia eu fizesse aniversário, e com tal visão eu consigo diluir o excesso de comemoração extravagante de um único dia isolado em diversos dias dentro de um mês, dentro de um ano, dentro de uma vida.
Aprendi com ela, a vida, a não esperar nada em troca. Aprendi que as frustrações advêm das expectativas que criamos, e não têm nada de saudável em esperar coisas grandiosas, gestos extraordinários.
Eu falo por mim, um gesto singelo me satisfaz mais do que qualquer presente caro! Recebi o carinho dos meus pais, o abraço do meu irmão, tia, primo, amigos, colegas, cada um do seu modo, dando o que lhes tinham em mãos, ou estendendo as mesmas para mim.
Ganhei uma blusa linda de minha mãe que mesmo que venha a rasgar ela irá me aquecer pela intenção calorosa do amor que nela está contida. Do meu irmão ganhei um livro de PNL, que me passa a motivação dele para comigo para que eu continue a ter a humildade de aprender. Dentre todas essas citações que expus também ganhei de presente um conjunto de bexigas que muito me agradou, eram da cor azul e na maior delas estava escrito meu nome.
Não sei quanto custou em reais, não me interessa o preço, me interessa o valor, o quão valoroso foi aquilo, quanto tempo demandou para tais pessoas escolherem o modo de me presentearem. As bexigas logo mais irão murchar, mas a intenção não! Qual a intenção que está por detrás do seu gesto? Há as chamadas “segundas intenções”, você as carrega consigo na hora de agir para com o próximo?
Há uma teoria da psicologia que expõem algumas formas de se demonstrar afetos, carinho, amor. Segunda ela é possível fazer isso através de presentes materiais, de palavras tais como elogios, de gestos simples, porém impactantes, da doação de tempo de qualidade para com o próximo e de toques físicos tal como um abraço. Você já parou para refletir sobre quais desses modos de demonstração de amor, carinho e afeto você mais gosta de receber? E qual deles você mais oferece? Claro que podemos ter todos, há apenas diferenças em momentos e fases de vida. Por vezes tudo o que você precisa é de um abraço.
Abraço esse que cura tanto quanto um remédio tarja preta, às vezes uma palavra de incentivo salva uma vida, pode ser também que você precise ser ouvido, precise de tempo de qualidade para que possa se expressar sem ser julgado.
Pois bem, nossa reflexão de hoje é provocante como bem quer a filosofia, longe de eu ter respostas prontas, longe de eu ditar como você deve celebrar a vida ou demonstrar seus afetos, meu papel aqui é o de provocar, de incomodar.
Essa semana dava uma aula sobre a Modernidade Líquida, teoria do sociólogo polonês Bauman, e expus em sala de aula que: “Farmácias não são mais farmácias, as lojas viraram farmácias…” (frase de Bauman) e um aluno quebrou a cabeça para entender o que aquela frase provocante queria expressar, ele me questionava, me indagava, até que compreendeu que estamos vivenciando uma era em que tentamos preencher nosso vazio existencial através do consumo.
Um incômodo perfeito gerado no aluno, perfeito, pois essa é a finalidade da filosofia.
Permita-se tirar um tempo para conhecer sua fase atual de vida, compreender em que momento da vida você se encontra, evite se definir como se fosse de um único jeito e ponto final.
Quem se define se dá um fim, se limita, convido você a se compreender hoje, a olhar para si e perceber o que é a vida para você e além disso; a enxergar como você a enxerga. Um grande abraço.
Thiago Pontes é filósofo e neurolinguista (PNL)











