Rara leitora, raro leitor, do espaço os astronautas reafirmam a beleza e a exuberância do nosso planeta.
Missão após missão, a beleza da Terra não deixa de tocar os olhos de quem a vê de uma posição privilegiada, e rapidamente percebe-se que não há nenhuma fronteira vista do espaço. Não se vê um “atlas” geopolítico, mas a Terra em sua mais pura beleza.
Daqui do chão, ao lado de nossa visão míope, controlamos obsessivamente as fronteiras, e não percebemos que não há nada além da mente humana que cria barreiras e delimita as divisões.
Queremos aumentar nossa área de influência, nossa zona de comércio, nosso poder de afetar vidas. Nossas ações podem influenciar bem além de nosso jardim, especialmente se tivermos o poder de apertar botões para lançar bombas, mísseis, drones, que geram mais ódio, rancor. As bombas não têm olhos, mas são guiadas por aqueles que têm o poder de guiá-las.
Vivemos em um período em que não estamos oficialmente em guerra, mas não estamos nem mesmo em paz. Esse é o resultado de nos acostumarmos com os conflitos, perdendo a consciência das fronteiras entre guerra e paz, e a linha vermelha é cada vez mais sutil, praticamente invisível. Departamento de Defesa vira Departamento de Guerra; e o conceito de “Defesa Avançada” mostra que é melhor atacar primeiro e perguntar depois.
A guerra é um jogo, é diversão. Os bastidores nos mostram que os (ir)responsáveis tratam o apertar o botão e soltar uma bomba como uma divertida brincadeira. Oh, quero que este país volte à “Idade da Pedra”, vou destruir esta civilização. Palavras de um (potencial) genocida, não?
Netanyahu, Trump, Putin são seres horríveis, terríveis, mas comandam suas poderosas máquinas de guerra que produzem mortes e destruição. Eles são os mais obscuros dos anjos; juntos, formam o quinto cavaleiro do Apocalipse. Mas não são só eles. No Sudão, em Burkina Faso, no Mali, Congo, Myanmar, e em muitos outros países, com menor intensidade, acontecem outras guerras menores, mas com o mesmo poder de destruir vidas e apagar sonhos.
A Europa, que por séculos fez de seu território e de todo o planeta uma carnificina, reduz-se ao papel de mero coadjuvante: assiste passiva a história ser escrita, justo ela que invadiu e dividiu todos os continentes.
Mas em meio a tudo isso, a Copa do Mundo de Futebol Masculino precisa acontecer, afinal, as guerras são “localizadas”, e o dinheiro não pode parar de circular, e de parar nos bolsos daqueles que vão se enriquecer ainda mais.
Gustavo Gumiero é Doutor em Sociologia (Unicamp) e Especialista em Antigo Testamento – gustavogumiero.com.br – @gustavogumiero











