Trump está prestes a retornar ao Salão Oval com um histórico controverso: dois impeachments, um julgamento de responsabilidade por abuso sexual e múltiplas condenações criminais. Na próxima semana, ele fará o juramento de posse no mesmo local onde cometeu sua mais grave transgressão: incitar uma insurreição no Capitólio.
Apesar de todos os escândalos, seus apoiantes enxergam essas acusações como distintivos de honra, interpretando-as como sinais de sua luta contra o “establishment”.
Desde a eleição, Trump nomeou uma série de conselheiros de reputação duvidosa e qualificação questionável, sobrecarregando tanto o processo de confirmação, quanto o debate público.
A “sobremesa” dessa festa de nomeações mal concebidas foi servida quando Trump indicou Kimberly Guilfoyle, noiva de longa data de seu filho mais velho, Don Jr., como a nova embaixadora na Grécia — um movimento que acomoda os mais recentes afetos do filho por uma socialite de Palm Beach.
Em todo o país, uma suspensão voluntária da descrença se instalou. Certos titãs do Vale o Silício, Wall Street e a mídia, se apressaram para Mar-a-Lago, uma cena de auto-abnegação tão flagrante, beijos de anel e ajoelhamento simbólico.
Até Jeff Bezos, fundador da Amazon e proprietário do Washington Post, parece ter abandonado sua postura combativa. Ele permitiu que o jornal endossasse publicamente Trump, viu repórteres experientes deixarem a redação e ainda investiu 40 milhões de dólares em um documentário sobre Melania Trump.
Enquanto isso, Mark Zuckerberg, completamente rendido, incluiu Dana White, CEO do Ultimate Fighting Championship e aliado de Trump, no conselho da Meta.
Uma das manobras políticas mais eficazes de Trump pode ser descrita como “bater na colmeia”: uma capacidade de gerar tanta tensão no ar que se torna impossível manter a calma, muito menos o foco. Ele criará campos de detenção para imigrantes indocumentados? Romperá com a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e abandonará a Ucrânia?
O futuro é incerto. Onde ficaremos? O que sonharemos? Ou, mais precisamente, que pesadelos nos esperam?
Viva o Brasil que pode falar sem se intimidar, pois apesar de nossas agruras, pode fazer o certo quando quer, sem pedir bençãos a ninguém.
Luis Norberto Pascoal é empresário e presidente da Fundação Educar












