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Home Colunistas

A raiva nos destrói – por Luis Norberto Pascoal

Luis Norberto Pascoal Por Luis Norberto Pascoal
20 de fevereiro de 2026
em Colunistas
Tempo de leitura: 3 mins
A A
A raiva nos destrói – por Luis Norberto Pascoal

Imagem Gerada por IA/Freepik

Ao sentir raiva, podemos estar nos destruindo lentamente, pois quando mal administrada, ela gera estresse intenso e contínuo. Embora seja uma emoção natural, se não for compreendida, pode se tornar prejudicial ao corpo e à mente.

Quando pensamos movidos pela irritação, não resolvemos nossos desafios, ao contrário, nos afastamos da solução. Ela pode gerar cansaço, problemas digestivos e insônia, mas raramente conduz a um desfecho saudável.

Quando essa emoção explosiva se acumula, ampliamos o impulso de culpar alguém, mesmo sem resolver nada. Esse sentimento, então, ocupa o espaço do amor e da reflexão, reduzindo nossa capacidade de reconhecer o valor das pessoas e das coisas essenciais.

O pior é que, quando estamos com raiva, nem percebemos que a pessoa que odiamos não imagina o que estamos sentindo. E, vale prestar atenção nisso, pois o ressentimento pode gerar uma sequência de erros que cometemos e que não conseguimos digerir ou aceitar.

Quando não é bem administrada, a raiva raramente traz benefícios, pois nos faz perder a clareza de princípios e, muitas vezes, saímos da situação ainda piores. Não saber se libertar desse sentimento pode ser perigoso, transformando-o em nosso maior inimigo. Em vez de resolver a situação ou cuidar de si, a tendência é que tudo se agrave a cada dia, comprometendo até mesmo o nosso futuro.

A raiva pode ser um sinal de fragilidade, pois muitas vezes revela nossa dificuldade em aceitar perdas ou frustrações. E, se algo precisa ser transformado, talvez esse ‘algo’ sejamos nós. Ao aprender a controlá-la de forma construtiva, procurando identificar o que nos magoou e refletindo se foi o outro ou se fomos nós mesmos que contribuímos para essa situação, ganhamos a oportunidade de amadurecer e aprimorar nosso modo de agir.

Compreender o que está por trás da raiva ou do rancor é fundamental para tratá-los. Identificar a raiz desse sentimento que nos prejudica pode ser o caminho mais eficaz para superá-lo.

Se a raiva se torna crônica, é importante buscar ajuda profissional, como a de um psicólogo, para aprender a gerenciar essa emoção e suas causas subjacentes, protegendo a saúde física e mental.

O impacto corrosivo da raiva está relacionado a processos psicossomáticos e ao enfraquecimento da inteligência emocional. Ela pode se tornar um verdadeiro veneno quando foge ao controle. A raiva ativa intensamente o sistema nervoso simpático, preparando o corpo para o estado de alerta. Quando essa ativação se torna crônica, o organismo perde a capacidade de retornar ao equilíbrio, comprometendo a saúde física e emocional.

A raiva é frequentemente uma emoção secundária, que surge para nos dar uma sensação de poder quando, na verdade, estamos nos sentindo vulneráveis. Muitas vezes, por trás dela, existe tristeza.

Para não deixar que a raiva “nos mate”, podemos praticar uma regra simples: sabemos que, no momento da explosão emocional, a razão tende a desaparecer. A amígdala cerebral, responsável pelo processamento das emoções, assume o controle e reduz nossa capacidade de raciocínio claro.

Há uma pequena história que ilustra isso: um homem devia dinheiro e sabia que no dia seguinte precisaria pagar a dívida. Ansioso, estava com dificuldade para dormir. Sua esposa, então, sugeriu: “Ligue para ele e diga que não terá como pagar amanhã.” Ele ligou, avisou, e conseguiu dormir tranquilo. Quem ficou acordado naquela noite foi o credor.

Se esse sentimento surgir em relação a um amigo ou entre marido e mulher, procure dizer: “Eu me senti magoado quando você fez isso ou aquilo”, mas evite atacar o outro. Falar a partir do próprio sentimento reduz conflitos e abre espaço para o diálogo. Muitas vezes, tudo não passa de um mal-entendido — ou até mesmo de uma interpretação equivocada da nossa parte.

Perdoar não significa afirmar que o erro do outro foi correto, mas decidir que você não continuará carregando o peso emocional, que não lhe pertence. Ao trabalhar seus gatilhos e transformar esse “estoque” de mágoas em aprendizado, você encontra um caminho de cura para a raiva e, acima de tudo, pratica um ato de amor-próprio e preservação da alegria de viver.

 

Luis Norberto Pascoal é empresário e presidente da Fundação  Educar

 

 

Tags: colunistascomportamentoHora CampinasIrãLuis Norberto Pascoalperdãoraivarelacionamentosentimento
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Luis Norberto Pascoal

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