O Bazar do Sonho da Casa da Criança Paralítica (CCP) de Campinas (SP) finalizou o ano de 2025 com crescimento nas vendas de 17,5% em relação a igual período do ano anterior. Este negócio de impacto social, baseado na economia circular e que conta com duas unidades – uma na sede da instituição, no Parque Itália, e outra no Jardim Nova Europa – respondeu por 17% da receita global da CCP.
Segundo Antonio Pedro Rodrigues, gerente geral da instituição, as vendas do Bazar do Sonho cresceram por conta da maior divulgação dos dois espaços e da reforma da unidade 1, que existe há mais de 20 anos e foi reinaugurada em janeiro do ano passado com uma estrutura mais adequada para os clientes.
“O volume de vendas da unidade 1 do Bazar do Sonho em 2025 representou o atendimento a 58 crianças e adolescentes por mês, enquanto na unidade 2, aberta em dezembro de 2024, permitiu a adaptação de 90 cadeiras de rodas e o atendimento de outras oito crianças. A comercialização dos produtos, portanto, potencializa o nosso atendimento e a consequente inclusão social de pessoas com deficiência física de Campinas”, afirma Rodrigues.

As famílias dos pacientes continuam como principais clientes da unidade 1, onde encontram uma grande variedade de itens obtidos por meio de doações – desde vestuário e utilidades domésticas até brinquedos e livros. Para muitas delas, o Bazar é essencial na hora de adquirir produtos necessários, a preços acessíveis e com qualidade.
Conforme o gerente geral da instituição, enquanto aguardam o atendimento dos filhos pelos profissionais da Casa, muitos pais aproveitam para ver as novidades que chegam frequentemente na unidade.
“Tornou-se uma rotina para nossos funcionários chamarem os responsáveis pelos nossos pacientes na recepção, ligando para o telefone do Bazar, ao finalizarem o atendimento”, ressalta.
É o caso da técnica de enfermagem Marisa Cordeiro Silva, mãe do paciente Noah Isaías Inácio Cordeiro, de 2 anos, atendido pela CCP desde dezembro de 2023 e com diagnóstico de paralisia cerebral. Marisa já adquiriu diversos itens, inclusive uma geladeira em estado novo. Ela conta que costuma incentivar familiares e amigos a conhecerem e comprarem no bazar.
“Eu compro lá praticamente todas as vezes que levo meu filho para as terapias. O ambiente é acolhedor, climatizado e organizado. Sou recebida sempre com sorriso no rosto. E o bazar conta com estrutura excelente. Sei que estou fazendo uma boa ação, pois o dinheiro é revertido em benefícios para nossas crianças que fazem tratamento”, diz Marisa.
Durante os atendimentos semanais do Noah, Marisa já utilizou o espaço do Sebo do Sonho, localizado no Bazar da sede, para estudar. “Quando comecei a levar meu filho na Casa, eu estava cursando o último ano da faculdade de enfermagem. Na correria do dia a dia, eu conseguia estudar no sebo, às vezes até usando os livros que estavam lá ou levando meus próprios materiais. Enquanto meu filho faz o tratamento, eu fico no bazar estudando.”
Noah recebe atendimento de fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e acompanhamento com psicopedagogos.
Além de comprar no Bazar, Marisa também faz doações para o espaço da CCP. “Sempre que posso, estou doando. Mas pretendo me dedicar mais a isso.”
Podem ser doados às duas unidades roupas, calçados, acessórios (bolsas, cintos, bijuterias, gravatas etc.), eletrodomésticos, eletroeletrônicos e equipamentos de informática, móveis, itens de decoração, brinquedos, material esportivo e de recreação, enxoval (cama, mesa e banho) e utilidades domésticas (pratos, copos, talheres, panelas, potes etc.) – sempre em bom estado de conservação.
Sobre a Casa da Criança Paralítica
Fundada em Campinas (SP) em 17 de janeiro de 1954, a Casa da Criança Paralítica (CCP) oferece, atualmente, atendimento especializado gratuito a cerca de 420 crianças, adolescentes e jovens com deficiência física nas áreas de fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, médica, odontologia, psicologia, nutrição, serviço social, pedagogia e informática, além de orientação às famílias que enfrentam situações de vulnerabilidade social. Ao longo dos 72 anos de atividades, já atendeu cerca de 20 mil pessoas.











