O torcedor que vivenciou, no estádio ou fora dele, aquele dia mágico do primeiro título nacional de sua história, no ano passado, contra o Londrina, no Estádio Moisés Lucarelli, jamais poderia imaginar um cenário tão sombrio e aflitivo poucos meses depois. A conquista da Série C do Campeonato Brasileiro, na verdade, jogou para debaixo do tapete uma crise anunciada, um retrato de várias temporadas de um clube pendurado em apoios financeiros tênues, com uma dívida crescente e muito improviso na diretoria, considerada amadora e retrógrada por boa parte dos torcedores.
Decorridas quatro rodadas do Paulistão 2026, a Macaca é a lanterna da competição, com zero pontos e nenhum gol marcado. Uma situação vexatória e preocupante. Faltam apenas quatro rodadas e o clube precisa somar pontos de forma urgente.
O formato do torneio é diferente esse ano por conta do calendário apertado do futebol brasileiro. Metade da competição já transcorreu. Estão em disputa ainda (ou só) 12 pontos. A matemática já entrou em campo no Majestoso.
Depois da derrota em casa, nesta quarta-feira (21), para o São Bernardo, por 1 a 0, com alguns reforços estreando, restam quatro rodadas para a Ponte Preta buscar a permanência na A1 do Paulista.
Do contrário, voltará à A2, de onde saiu há dois anos.
Os próximos jogos da Ponte são os seguintes: Noroeste (em casa, dia 24, próximo sábado); Guarani (fora, dia 31 de janeiro); Portuguesa (fora, 7 de fevereiro) e São Paulo (em casa, 15 de fevereiro).
Os matemáticos ainda não cravaram a pontuação que livraria a Ponte, mas seria desejável três vitórias (nove pontos). Com duas vitórias e um empate (sete pontos), poderia escapar na bacia das almas.
Se cair, seria o terceiro rebaixamento nesta década.
A terceira queda, se acontecer, será sob o comando do atual grupo político que dá as cartas no Majestoso, com a batuta de Marco Antonio Eberlim e, agora, a presidência do aliado Luiz Antônio Torrano, ex-diretor da Cidade Judiciária, um magistrado que tem sido bastante criticado pelos torcedores.

Na bronca
O caldo de fervura da ira pontepretana já aparece nas ruas, com protestos organizados. No limite, torcedores decidiram cobrar direção, comissão técnica e jogadores pela campanha vergonhosa. Nem o ídolo Élvis, referência técnica e capitão, que está de saída do clube, foi poupado.
Salários atrasados, promessas não cumpridas, insatisfação no elenco, respostas evasivas de diretores, notas oficiais patéticas e com argumentos esdrúxulos. A Ponte colhe em 2026 o que vinha plantando atrás dos muros do Majestoso.
Aliás, o Hora Campinas reuniu algumas manifestações de torcedores nas redes sociais do portal e do próprio perfil oficial da Ponte. A esmagadora maioria dos comentários detona a diretoria, classificando-a como desastrosa e incapaz.











