A Câmara Municipal de Campinas aprovou, na reunião ordinária da noite desta segunda-feira (1), o pedido de instalação de Comissão Processante contra o vereador Vini Oliveira, do Cidadania, por indícios de improbidade administrativa. Todos os 29 vereadores com direito a voto aprovaram o pedido. A CP conduzirá a investigação sobre o vídeo que mostra Vini Oliveira em reunião a portas fechadas com uma empresa ligada à licitação do transporte público municipal.
A Comissão Processante será formada por três vereadores, escolhidos por meio de sorteio na sessão desta segunda: Otto Alejandro (PL), Dr. Yanko (PP) e Paulo Haddad (PSD). Haddad será o presidente da CP e Otto, o relator.
Havia dois pedidos de CP contra o político por improbidade administrativa, protocolados pela vereadora Mariana Conti e pelo munícipe Adriano Vieira Novo. Como tratavam do mesmo assunto, apenas o pedido de Conti foi votado.
Vini Oliveira não compareceu à sessão desta segunda-feira. Em comunicado nas redes sociais, a assessoria do parlamentar esclareceu que o vereador recebeu atendimento médico e que passa bem.
“Informamos que o vereador Vini Oliveira segue hospitalizado e, por orientação médica, foi encaminhado à UTI para acompanhamento especializado. Neste momento, ele permanece sem previsão de alta”, traz o texto. “O presidente da Câmara, Luiz Rossini, foi devidamente comunicado de que o vereador está impossibilitado de comparecer à sessão em razão de seu estado de saúde”.
Mariana Conti, Fernanda Souto e Gustavo Petta pediram a palavra para apontar a gravidade das denúncias contra o vereador Vini Oliveira e destacar a crise do transporte público de Campinas. “O que vimos foram indícios fortes das relações entre aqueles que deveriam defender os interesses da população com empresários que controlam um sistema podre”, afirmou Gustavo Petta.
O vereador Nelson Hossri foi em defesa da saúde mental do vereador Vini, mas também destacou a necessidade de apuração e intervenção. “A Câmara já percebeu que o meu amigo vereador Vini tem problemas de descontrole e precisa de ajuda”, disse Hossri, citando um vídeo publicado pelo vereador em suas redes sociais – e minutos depois apagado – e também as imagens postadas do vereador em uma UTI de hospital. “Se ele não renunciar, nós teremos de cassar”, finalizou, se referindo à saúde mental do político.

Pedidos
A Câmara Municipal de Campinas recebeu na última quinta-feira (28) três pedidos de instauração de Comissão Processante para apurar eventual prática de improbidade administrativa.
O primeiro pedido de Comissão Processante (CP) protocolado foi da vereadora Mariana Conti (PSOL). Ela relata a denúncia veiculada em reportagem pela emissora de TV. O segundo pedido, de autoria de Adriano Vieira Novo, tem o mesmo teor da denúncia apresentada por Mariana Conti.
O terceiro pedido de Comissão Processante foi assinado por Aparecido José de Oliveira. Ele escreveu que Vini Oliveira teria nomeado uma funcionária para atuar como assessora parlamentar, mas que ela não presta serviço no gabinete dele.
Relembre o caso
O programa Cidade Alerta da TH+ Record exibiu, na última quarta-feira (27), uma reportagem contra o vereador de Campinas Vini Oliveira. Nas imagens de câmeras de segurança, o vereador aparece numa reunião numa empresa do transporte coletivo – na companhia de outro homem (que parece fazer parte da equipe dele).
Os dois chegam de carro e entram na empresa. Não se sabe o contexto do encontro, mas o tema ganhou grande repercussão porque Campinas passa por um processo de licitação complexo e turbulento no transporte. No momento, a licitação bilionária, inclusive, está suspensa pela Justiça.
Em uma reunião com supostos integrantes da empresa, Vini e o colega recebem dois envelopes, cujo conteúdo não é possível esclarecer, que são colocados em uma caixa preta. O vereador e o colega também são flagrados deixando o local com o material
No vídeo publicado em seu perfil no Instagram, intitulado “A verdade”, Vini negou que havia dinheiro no malote. Ele mostrou a caixa e disse que se tratavam de documentos. “A gente precisa conversar. Vou mostrar para vocês o que tem dentro do malote”, anuncia na post.
“Eu nunca encostei em dinheiro que não seja o meu salário”, continuou. Segundo ele, dentro dos envelopes havia mídias (drives). O vereador colocou-se ainda à disposição do Ministério Público para quebra de seu sigilio bancário. A resposta foi postada mais de 24 horas após a exibição das imagens no “Cidade Alerta”.











