Campinas está entre os municípios brasileiros selecionados para participar do Programa Mutirão Brasil, iniciativa das redes globais de cidades C40 Cities e do Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e Energia (GCoM), que apoia governos locais na estruturação de projetos de ação climática. Isso significa que o município receberá suporte técnico especializado para implementar o chamado Orçamento Climático até meados do próximo ano, o que inclui consultoria, capacitação de equipes e acesso a dados e modelos de outras cidades.
O anúncio ocorreu nesta terça-feira (24), na Arena da Baixada, em Curitiba, durante a 89ª Reunião Geral da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos, evento que contou com a participação do prefeito Dário Saadi. “Campinas tem assumido um compromisso cada vez mais concreto com a agenda climática, e a participação no Programa Mutirão Brasil representa um passo importante para transformar planejamento em ação. O orçamento climático nos permite integrar todas as áreas da administração em torno de metas comuns, garantindo que cada investimento público também seja um investimento no futuro sustentável da nossa cidade e na qualidade de vida da população”, disse Dário.
A assessoria técnica será realizada de março de 2026 a abril de 2027. A cidade foi contemplada após um processo seletivo que recebeu mais de 150 propostas e é única não capital da lista. Também foram selecionadas as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Salvador, Fortaleza e Recife.
O Programa Mutirão Brasil foi lançado em novembro do ano passado, durante o Fórum de Líderes Locais da COP30, realizado no Rio de Janeiro. No total, mais de 150 propostas foram inscritas, das quais 39 foram selecionadas. Entre elas, estão 26 projetos (13 voltados à mobilidade urbana e 13 à gestão de resíduos), seis planos de ação climática em cidades amazônicas e sete iniciativas relacionadas ao orçamento climático.
A proposta do programa é ajudar governos locais a transformar a ambição climática global em ações concretas, desenvolvendo soluções de alto impacto diretamente nas cidades. A meta é apoiar mais de 50 cidades em 19 estados brasileiros até meados de 2027.
Orçamento Climático
O Orçamento Climático é um instrumento que busca garantir que as metas ambientais orientem, de forma efetiva, as decisões de gasto público dos municípios. Na prática, ele assegura que as escolhas orçamentárias estejam alinhadas às prioridades climáticas e de equidade social, contribuindo para a redução das emissões de gases de efeito estufa e para o fortalecimento da resiliência das comunidades.
Segundo a C40, embora muitas cidades tenham planos ambiciosos de ação climática, os processos orçamentários tradicionais não foram concebidos para integrar esse tipo de política. Em geral, as áreas da administração pública atuam de forma separada, os investimentos relacionados ao clima ficam dispersos em diferentes categorias orçamentárias e não existe um método claro para avaliar se esses recursos estão, de fato, reduzindo emissões ou aumentando a capacidade de adaptação das cidades.
Com o orçamento climático, as metas ambientais passam a ser incorporadas diretamente ao planejamento financeiro municipal.
O modelo funciona como um sistema de governança que conecta toda a administração pública às metas climáticas da cidade, por meio de alocações orçamentárias específicas, definição de responsabilidades e criação de relatórios transparentes sobre resultados. Ao longo do ciclo orçamentário anual, também é possível revisar e aprimorar as ações implementadas, fortalecendo novas medidas e prioridades.

Liderança das cidades na ação climática
Para o diretor executivo da C40 Cities, Mark Watts, prefeitos brasileiros têm avançado com propostas inovadoras para enfrentar a crise climática e, ao mesmo tempo, melhorar a qualidade de vida da população. Segundo ele, o Programa Mutirão Brasil conecta as cidades ao conhecimento técnico e às parcerias necessárias para transformar planos em ação, desde sistemas de transporte mais limpos até soluções mais eficientes para a gestão de resíduos, demonstrando como a atuação local pode impulsionar o progresso climático em níveis nacional e global.
Já o codiretor executivo do Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e Energia, Andy Deacon, destacou que a ação climática tende a avançar mais rapidamente quando governos nacionais e locais atuam de forma integrada. Para ele, o programa mostra como parcerias multinível podem transformar ambição em implementação ao oferecer ferramentas, dados e caminhos de financiamento para soluções concretas.
A Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos atua como parceira facilitadora do programa.
A iniciativa reúne ainda uma ampla coalizão de organizações nacionais e internacionais, entre elas o World Resources Institute Brasil, o International Council on Clean Transportation, o Instituto 17, o Instituto Pólis, a Cities Climate Finance Leadership Alliance, a Climate Policy Initiative, a Urban Climate Change Research Network, o ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade América do Sul, o Centro Brasil no Clima e a Associação Brasileira de Municípios.
O programa também atua em colaboração com instituições federais estratégicas para fortalecer a governança climática multinível, incluindo o Ministério das Cidades, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a presidência da COP30 e o Conselho da Federação.











