Campinas registrou 680 denúncias de violações de direitos de pessoas idosas entre janeiro e maio de 2026. Os dados são do Painel de Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos e reforçam a importância da conscientização e do combate à violência contra a população idosa.
A partir destes relatos, os órgãos responsáveis realizaram 459 atendimentos e identificaram 4.084 violações de direitos, como negligência, abuso psicológico, violência física e exploração financeira.
O cenário acende um alerta diante do envelhecimento da população brasileira.
Em nota, a Prefeitura de Campinas informou que “não produz, não consolida e não é a fonte desses números, de modo que não cabe ao município referendá-los como base própria.” (veja abaixo).
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o País possui atualmente 35,2 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, grupo que representa 16,6% da população. Segundo dados do último Censo, 18,4% da população de Campinas tem 60 anos ou mais. Isso corresponde a 209.267 idosos.
Junho Violeta
Para a coordenadora do curso de Direito da Faculdade Anhanguera, Juliana Alcoforado, a discussão sobre o tema é fundamental para conscientizar a sociedade e ampliar a proteção desse público. “Essa é a proposta do Junho Violeta: chamar a atenção para as diferentes formas de violência praticadas contra a pessoa idosa e incentivar a prevenção e o combate a essas situações”, afirma.
Entre as ocorrências mais frequentes estão violência física, abuso psicológico, negligência, abandono, abuso financeiro, violência patrimonial, violência sexual, discriminação e violência institucional.
A advogada explica que a vulnerabilidade dos idosos exige atenção redobrada por parte da sociedade.
“Em muitos casos, a pessoa idosa depende de terceiros para atividades básicas do dia a dia, o que pode aumentar sua exposição a situações de abuso. Por isso, é importante que familiares, vizinhos e a comunidade estejam atentos aos sinais de violência”, destaca.
Além de identificar situações de risco, a denúncia é uma das principais ferramentas para interromper os casos de violência e garantir proteção às vítimas. “A denúncia permite a atuação das autoridades, contribui para responsabilizar os agressores e ajuda a evitar que novos casos aconteçam. O cuidado com a pessoa idosa é uma responsabilidade coletiva, não apenas dos órgãos públicos, mas de toda a sociedade”, reforça.
A legislação brasileira prevê mecanismos específicos para a proteção dos direitos da população idosa. Casos suspeitos ou confirmados podem ser denunciados pelos canais oficiais, como o Disque 100, que funciona 24 horas por dia, além da Polícia Militar (190), Polícia Civil (197) e Ministério Público.
Acolhimento em Campinas
Campinas conta com políticas públicas constantes voltadas à pessoa idosa. Diversas secretarias do município reúnem iniciativas que oferecem qualidade de vida e dignidade a esta faixa da população.
Programas e serviços oferecidos pela Prefeitura de Campinas estão reunidos em várias frentes, entre elas, Centro de Vivência dos Idosos, Centro de Educação Profissional de Campinas (Ceprocamp), Educação de Jovens e Adultos (EJA), Centro Dia da Pessoa Idosa e Centro de Referência à Saúde do Idoso (CRI), entre outras.
A posição da Prefeitura
Em nota enviada ao Hora Campinas, a assessoria da Prefeitura ressaltou que os dados citados na reportagem e comentados pela especialista da Anhanguera são oriundos do Disque 100 (Disque Direitos Humanos), canal federal operado pela Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
São registros consolidados pela União e divulgados no Painel de Dados da Ouvidoria.
A Prefeitura de Campinas reitera que “não produz, não consolida e não é a fonte desses números, de modo que não cabe ao município referendá-los como base própria”. A íntegra e a metodologia estão disponíveis no painel da Ouvidoria Nacional.
Prossegue a nota: “Vale uma distinção técnica importante para evitar leitura equivocada. Pela metodologia da própria Ouvidoria, uma mesma denúncia pode relatar mais de um tipo de violação. É isso que explica a diferença entre o número de denúncias e o de violações: não se trata de casos confirmados, e sim de tipos de violação relatados dentro das denúncias recebidas.”
“Além disso, denúncia registrada não equivale a violência comprovada. O Disque 100 acolhe e encaminha os relatos aos órgãos competentes, a quem cabe apurar a procedência de cada caso. O registro é o ponto de partida da apuração, não a sua conclusão.”
A Prefeitura reafirma, na nota, “seu compromisso com a proteção da população idosa, atuando pela rede socioassistencial e em articulação com os órgãos de defesa de direitos, e reforça a importância dos canais de denúncia, inclusive do próprio Disque 100, como instrumentos de proteção.”












