A agenda política dos dois principais presidenciáveis da corrida eleitoral de 2026 reservou uma convergência em Campinas nas últimas 72h. Não é, porém, uma situação inusual, já que a cidade é considerada estratégica nas campanhas majoritárias, dado o seu perfi econômico e social.
Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL) participou de um megaevento no Royal Palm Plaza na última sexta-feira (15) para o lançamento da pré-candidatura de Guilherme Derrite (PP-SP) ao Senado.
O encontro ganhou ares de desagravo e apoio a Flávio após o “terremoto” decorrente do vazamento da troca de mensagens entre o senador e Daniel Vorcaro. O encontro no Royal trouxe ainda à cidade o governador Tarcísio de Freitas e o senador Sérgio Moro, pré-candidato ao governo do Paraná.
Menos de três dias depois, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato declarado à reeleição, visitou nesta segunda-feira (18) o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas, onde participou da cerimônia de inauguração de quatro linhas de luz síncrotron do acelerador de partículas Sirius.
Lula estava com Fernando Haddad (PT) a tiracolo. Ex-ministro da Fazenda, Haddad vai disputar o governo de São Paulo contra o atual governador Tarcísio.
A proximidade das datas e agendas dos dois presidenciáveis pode ser casual, mas o foco no eleitorado regional não é.
Em 2022, o Brasil assistiu a mais acirrada eleição da história. Essa polarização vai se repetir esse ano, conforme sinalizam todas as pesquisas eleitorais de institutos respeitados.
Na última pesquisa Datafolha, por exemplo, divulgada antes da divulgação dos áudios pelo site The Intercept Brasil, Lula e Flávio estão numericamente empatados no segundo turno, com 45%. O instituto ouviu os eleirores entre os dias 12 e 13 de maio.
Os eleitores em Campinas
Campinas soma, segundo dados de janeiro deste ano, 857 mil eleitores. Com sua forte vocação industrial e tecnológica, é uma cidade que ostenta uma grande força econômica e política, com redutos fortes à esquerda e direita.
Portanto, o campineiro pode se preparar para muitas agendas similares antes e durante a eleição, com a polarização dando as cartas.
A última eleição presidencial
O ex-presidente Jair Bolsonaro, derrotado no placar geral, teve um bom desempenho em 2022 nas 20 cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC). Ele venceu em todos os municípios. Na média, o candidato do PL recebeu seis em cada dez votos.
Em Pedreira, Bolsonaro teve seu placar mais dilatado. Na cidade turística, conseguiu 71,87% da votação ou 18.555 votos. Lula ficou com 28,13%, um total de 7.263 votos.
Monte Mor foi a cidade onde Bolsonaro ficou com o menor percentual de votos (54,88% ou 18.971). Já Lula obteve 45,12% ou 15.598 votos.
Na soma das 20 cidades, Bolsonaro teve 1.090.791 votos e Lula 719.637 votos. A diferença foi de 371 mil votos, maior que a do primeiro turno.
No primeiro turno, Bolsonaro ficou, na média das 20 cidades, com 56,38% dos votos válidos. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alcançou 34,12% dos votos, na média. Na RMC, em 2 de outubro, o atual presidente conseguiu 957 mil votos, ante 657 mil de Lula, uma diferença de quase 300 mil votos.

Os números para o Palácio dos Bandeirantes
Tarcísio de Freitas (Repub), assim como o seu padrinho político Jair Bolsonaro (PL), teve votação expressiva na Região Metropolitana de Campinas (RMC) em 2022. Ele venceu no segundo turno nas 20 cidades do bloco regional. No primeiro turno isso também aconteceu.
Tarcísio é do mesmo partido do prefeito de Campinas, Dário Saadi (Repub). A vitória de Tarcísio de Freitas mostrou a consolidação do antipetismo numa das regiões metropolitanas mais importantes do País.

Maior e menor vantagem
Repetindo a performance de Bolsonaro, Tarcísio obteve em Pedreira a sua maior vantagem contra Fernando Haddad. O candidato do Republicanos alcançou na cidade turística 72,73% dos votos válidos, um total de 17.616 votos. Já o petista ficou com 27,27% ou 6.605 votos.
Também foi em Monte Mor, no mesmo desenho da disputa presidencial, a menor vantagem de Tarcísio (54,79%, com 17.599 votos) sobre o petista (45,21%, com 14.523 votos).
No total, Tarcísio obteve 1.015.301 votos e Haddad 678.501 votos, diferença de 336.800 votos.
Em relação ao primeiro turno, a diferença aumentou. Na RMC, o ex-ministro da Infraestrutura conseguiu 806.660 votos, ante 528.277 de Haddad, uma diferença de 278.383 no dia 2 de outubro.
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