A região de Campinas é marcada por histórias inspiradoras de longevidade, com pessoas idosas que ultrapassam os 100 anos mantendo vitalidade, lucidez e qualidade de vida. Esse perfil, conforme divulgado essa semana pelo Hora Campinas, tem chamado a atenção de pesquisadores, como os do Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco da USP, que buscam entender os fatores que contribuem para uma vida longa e saudável.
Entre esses exemplos que estão no foco do estudo dos pesquisadores, está dona Ruth Alves Flora, moradora da estância turística de São Pedro (a cerca de 2h de Campinas), que no mês de maio completará 104 anos.
Sua trajetória, repleta de andanças, fé e dedicação à família, ajuda a ilustrar o que muitos centenários da região têm em comum.
Nascida em 27 de maio de 1922, em Diamantina (MG), Ruth viveu a infância em cidades como Pirapora e Corinto, acompanhando as constantes mudanças dos pais, Ana Mota Pereira e Juvenal Alves Pereira. Estudou até o quarto ano, mas desde cedo se destacou pela inteligência, facilidade de memorização e gosto pela escrita.
Ainda criança, relatam os filhos da centenária, foi escolhida para fazer uma saudação a um governador durante visita à cidade, sendo elogiada pela desenvoltura com as palavras.

Na juventude, também demonstrou interesse pelo teatro, participando de apresentações locais. Já aos 20 anos, casou-se com o pastor Antônio Flora de Oliveira e, pouco tempo depois, mudou-se para o estado de São Paulo, iniciando uma vida marcada por deslocamentos constantes devido ao trabalho itinerante do marido.
O casal passou por cidades como Indiana, Paraguaçu Paulista, Novo Horizonte, Jaborandi e Barretos, até chegar à capital paulista. Ao longo desse período, dona Ruth teve oito filhos — todos com nomes iniciados pela letra “I”, menos Yone, a primogênita. Na sequência, vieram Ivone, Ivo, Ivete, Iva, Ido, Isnar e Iris. Todos nasceram em casa, sem necessidade de hospital.
Todos seguem vivos, unidos ao lado da mãe.
Dedicada à família e à igreja, Ruth auxiliava o marido nas atividades religiosas, liderava grupos, atuava como secretária e zeladora, “sempre com uma caneta na mão”, frisa a filha Iva.
Em cidades onde muitos não sabiam ler, Ruth escrevia cartas para vizinhos, ajudando a comunicar histórias e sentimentos.
Após 35 anos de casamento, ficou viúva em 1977. No ano seguinte, mudou-se para o bairro do Brás, em São Paulo, e mais tarde passou por Atibaia até se estabelecer em São Pedro, onde vive atualmente.

HÁBITOS E VIDA SAUDÁVEL
Ao longo da vida, manteve hábitos simples. Sempre teve boa saúde, nunca passou por cirurgias e criou os filhos com cuidados caseiros. Em 2024, teve um episódio leve de arritmia cardíaca, mas, segundo avaliação médica, mantém um coração forte — algo que ela mesma atribui, com bom humor, à origem mineira e ao hábito de consumir alimentos como o tradicional fubá.
Hoje, mesmo com 103 anos, dona Ruth segue lúcida, com boa memória e autonomia no dia a dia. Gosta de se manter informada, acompanha notícias e mantém viva a paixão pela escrita, produzindo acrósticos, versos, composições religiosas e releituras de histórias bíblicas.

Com oito filhos vivos, além de netos e sete bisnetos, ela é referência de união familiar. De fé inabalável, costuma repetir uma frase que resume sua forma de enxergar a vida: “Deus é bom o tempo todo”, mesmo diante das dificuldades.
Sua história representa o perfil de muitos centenários da região: pessoas que, após mais de um século de vida, seguem ativas, resilientes e inspirando familiares — além de despertarem o interesse da ciência na busca pelos segredos da longevidade.
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