O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) foi escolhido para ser o primeiro Centro de Competência em Insumos Farmacêuticos Ativos a partir da Biodiversidade. A unidade, lançada nesta sexta-feira (3), em Campinas, já inicia as operações com a missão de transformar a biodiversidade brasileira em medicamentos e ampliar a autonomia do país na produção de insumos estratégicos para a saúde. Durante a inauguração, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e o presidente Lula, que marcou presença on-line, destacaram o papel da ciência brasileira no fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e na redução da dependência do país de tecnologia externa.
A iniciativa é da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). A missão, que receberá investimento de R$ 60 milhões do Ministério da Saúde, será impulsionar o início da cadeia de desenvolvimento que visa transformar a biodiversidade brasileira em conhecimento, inovação e insumos para novos medicamentos, ampliando a capacidade nacional de desenvolver IFAs (insumos farmacêuticos), princípios ativos responsáveis pelo efeito terapêutico dos medicamentos.
A instalação do Centro fortalece o papel do CNPEM como uma instituição de ciência, tecnologia e inovação do país. Além de abrigar o Sirius, uma das mais avançadas fontes de luz síncrotron do mundo, o CNPEM tem laboratórios de excelência em biociências, nanotecnologia e materiais avançados, oferecendo infraestrutura para investigar moléculas, compreender mecanismos biológicos e acelerar etapas do desenvolvimento de novos medicamentos.
“O desenvolvimento de tecnologias estratégicas para a saúde é fundamental para reduzir a dependência externa e preparar o Brasil para desafios futuros, como novas pandemias”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. “Com esse novo Centro de Competência, ampliamos a capacidade nacional de desenvolver insumos farmacêuticos ativos a partir da nossa biodiversidade, fortalecendo a soberania tecnológica e a inovação em saúde”, completou.
Ciência reduz dependência
O novo Centro de Competência é criado em um momento em que o Brasil ainda depende fortemente de insumos farmacêuticos importados. Segundo dados do Ministério da Saúde, mais de 90% dos IFAs usados pela indústria farmacêutica nacional vêm do exterior, principalmente da China e da Índia. Em alguns segmentos, a dependência chega a 95%, aumentando a vulnerabilidade do país em períodos de crises internacionais e oscilações nas cadeias globais de produção.
A nova estrutura permitirá desenvolver pesquisas para descobrir moléculas bioativas presentes nos diferentes biomas brasileiros e criar novas rotas tecnológicas para produzir IFAs inovadores. O foco será encontrar soluções para doenças negligenciadas e outros projetos de grande impacto para a saúde pública do país.
Além das atividades de pesquisa, o Centro desenvolverá plataformas tecnológicas, incorporará ferramentas de inteligência artificial e química verde, além de ampliar o Banco de Moléculas da biodiversidade brasileira. Também promoverá programas de inovação aberta, formação de recursos humanos e estabelecerá parcerias com empresas e startups, fortalecendo o ecossistema nacional de inovação farmacêutica.
“A missão da Embrapii é conectar a excelência científica brasileira ao desenvolvimento industrial, transformando conhecimento em inovação com impacto econômico e social”, afirmou o presidente da Embrapii, Alvaro Prata. “A criação deste Centro de Competência, em parceria com o Ministério da Saúde e o CNPEM, permitirá desenvolver insumos farmacêuticos ativos a partir da biodiversidade brasileira, reduzindo nossa dependência de importações e fortalecendo competências estratégicas para o país.”
Biodiversidade, inovação e desenvolvimento industrial
O plano de atuação do Centro de Competência integra diferentes etapas da cadeia de inovação farmacêutica, desde a prospecção de compostos naturais até estudos avançados de desenvolvimento pré-clínico.
Entre as linhas de pesquisa, estão a identificação de novas moléculas bioativas da biodiversidade brasileira; o desenvolvimento de processos tecnológicos para obter e escalonar IFAs; o uso de ferramentas avançadas de biologia molecular, química medicinal e bioinformática; além de estudos de eficácia, segurança e validação de compostos promissores.
A iniciativa também vai aproximar universidades, centros de pesquisa, empresas farmacêuticas e startups de base tecnológica. A ideia é criar um ambiente de inovação aberta e transferência de tecnologia para o setor produtivo.












