Estamos em pleno feriado. Um respiro no meio da rotina, um intervalo que muitos aguardavam com ansiedade, mas, enquanto você lê este texto, vale uma provocação: esse alívio que você sente agora vem do descanso em si… ou do fato de, por alguns dias, você poder se afastar da vida que tem levado?
Curiosamente, nem bem este feriado acontece e já existe outro no horizonte: o dia 1º de maio. E assim, muitas pessoas vivem em um ciclo quase automático, um feriado termina e o próximo já começa a ser esperado. Como se a vida real estivesse sempre adiada, empurrada para esses pequenos intervalos de tempo onde, enfim, seria possível respirar.
A Psicanálise nos convida a olhar com mais profundidade para esse movimento. Quando o sujeito passa a viver em função dessas pausas, algo no cotidiano deixou de fazer sentido. Não é apenas o cansaço do trabalho, mas uma relação desgastada com a própria rotina. O dia útil passa a ser vivido como um peso, e não como parte da vida que também poderia ser habitada com presença e significado.
É importante considerar também que essa espera constante pelo feriado pode estar atravessada por um cansaço que não é apenas físico, mas mental e emocional.
Em pleno 2026, a Organização Mundial da Saúde já aponta para o crescimento significativo de diagnósticos relacionados a transtornos emocionais, como Ansiedade e Depressão, entre outros. Quando a mente está sobrecarregada, o sujeito passa a buscar pausas como forma de sobrevivência psíquica e o feriado surge, então, não apenas como descanso, mas como uma tentativa de alívio de algo que, muitas vezes, não está sendo elaborado.
Segundo Sigmund Freud, o sofrimento psíquico muitas vezes se revela nas repetições. E aqui está uma repetição silenciosa: suportar a semana, esperar o alívio, viver intensamente por um breve momento… e depois retornar ao mesmo ponto de insatisfação. Um ciclo que se repete, semana após semana, mês após mês.
Não se trata de negar o valor do descanso, ele é necessário, mas quando a vida passa a ser organizada apenas em função de escapar dela mesma, algo importante precisa ser questionado. O que, exatamente, está sendo tão difícil de sustentar no seu dia a dia? Por que o cotidiano parece tão pesado a ponto de precisar ser constantemente evitado?
Talvez a questão não esteja na ausência de feriados, mas na ausência de sentido. Porque quando há sentido, até o cansaço encontra um lugar diferente, mas quando não há, nem mesmo o descanso é suficiente, ele apenas alivia, por um momento, algo que logo retorna.
Se esse texto te atravessou de alguma forma, talvez seja hora de olhar para isso com mais cuidado. A análise pessoal é um espaço onde essas questões podem ser escutadas sem pressa, sem julgamentos, e com profundidade.
Thiago Pontes Thiago Pontes é Filósofo, Psicanalista e Neurolinguísta (PNL). Instagram @dr_thiagopontes_psicanalista – site: www.drthiagopontespsicanalista.com.br











