Nesta semana, uma pesquisa trouxe à tona um dado incômodo sobre a saúde mental dos adolescentes brasileiros, de 13 a 17 anos. O levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), ouviu cerca de 118 mil estudantes e revelou um cenário preocupante.
Entre os resultados, alguns dados chamaram a atenção, pois 42,9% dos jovens relatam que se sentem irritados ou nervosos com frequência. Três em cada dez convivem com tristeza constante. E aproximadamente 18,5% afirmam que a vida não vale a pena na maior parte do tempo.
Não se trata de exceção, mas de padrão. Por trás dessas estatísticas, há adolescentes que não encontram palavras para o que sentem e, muitas vezes, tampouco encontram escuta.
O quadro se torna ainda mais grave quando se observa que muitos já pensaram em se machucar intencionalmente. Estima-se que cerca de 100 mil estudantes tenham registrado episódios de lesão autoprovocada em um ano. Isso não é apenas um dado, mas um alerta que não pode ser ignorado.
Entre as meninas, os indicadores são ainda mais altos. A pressão social, amplificada pelas redes sociais, ajuda a explicar parte desse desequilíbrio. Em um ambiente de comparação permanente, cresce a insatisfação com o próprio corpo e a sensação de inadequação.
A solidão também aparece como pano de fundo na pesquisa. Cerca de um em cada quatro adolescentes afirma não se sentir alvo de preocupação por parte de ninguém.
Precisamos ficar atentos, pois escola e família, que deveriam funcionar como redes de proteção, ainda falham em oferecer o suporte necessário. O bullying persiste, o acompanhamento psicológico é insuficiente e, dentro de casa, não são poucos os que relatam incompreensão.
Diante desse cenário, tratar o sofrimento adolescente como algo passageiro é mais do que um equívoco, é uma negligência. Não se trata de uma fase, mas de um sinal claro de que algo precisa mudar.
Nesse contexto, acredito que iniciativas que atuam no desenvolvimento socioemocional dos jovens, são muito importantes.
A Fundação Educar, por meio da Academia Educar, tem trabalhado com estudantes de escolas públicas de Campinas e de outras regiões do País, promovendo competências como autoconhecimento, empatia e projeto de vida. Em um cenário de crescente vulnerabilidade emocional, esse tipo de formação deixa de ser acessório e passa a ser indispensável.
Talvez o maior desafio não esteja em compreender os dados, mas em reconhecer o que eles revelam. Há uma geração pedindo ajuda. Como vamos ajudá-la?
Luis Norberto Pascoal é empresário e presidente da Fundação Educar











