Você já teve a sensação de que uma música te descreveu por inteiro?
Desde que me entendo por gente, me considero uma pessoa eclética no quesito musical. Sempre estou disposta a conhecer novos cantores, bandas, gêneros e melodias, pois acredito que o desejo da maioria desses artistas é que as pessoas se sintam conectadas com sua obra. Por isso, estar aberta faz com que possamos conhecer histórias por meio de canções que atravessam barreiras e tocam o nosso coração.
Podemos observar isso em momentos difíceis, quando existe um desconforto em seu corpo e em sua mente que não te deixa descansar, e você não consegue colocar em palavras o que sente, porque elas não seriam suficientes ou talvez porque as pessoas não te entenderiam. Então, a música começa, e você sente que aquele quebra-cabeça confuso começa a se encaixar, percebendo que existem pessoas que sentem e compreendem o mesmo.
Muitas pessoas consideram isso uma besteira e compartilham frases dolorosas como: “Ele nem sabe que você existe”. Mas acredito que essa seja a graça. Imagine ser um artista, fazer música por ser seu sonho e sequer imaginar que você faz uma grande diferença na vida de pessoas em inúmeros lugares.
A música não apenas conversa conosco, mas também marca períodos importantes da nossa vida, seja a canção que você escutava quando era criança, aquela que tocou em sua formatura ou em um momento em que estava sozinho. A música ainda estava lá. Nem sempre ela nos fará felizes; pode ser que relembre algum momento triste, mas, de algum jeito, acaba tocando o nosso coração.
Sejam artistas internacionais ou nacionais, sempre acabo me conectando com algumas melodias, sejam elas alegres ou melancólicas. Saber que existe alguém que dedicou seu tempo e despejou seus sentimentos nessa obra faz com que eu me sinta compreendida, pois, em algum momento, essa pessoa passou por algo parecido e transformou esse sentimento em uma arte que pode ser admirada.
Uma pesquisa publicada no Personality and Social Psychology Bulletin mostra como ir a shows ajuda a reduzir o estresse e a ansiedade. O portal de notícias Metrópoles menciona esse mesmo estudo e, por meio das falas da psicóloga Silvia Oliveira, destaca um ponto muito importante sobre aspectos que a música atinge e que nem sempre percebemos. A profissional afirma que “quando as pessoas se sentem pertencentes a um grupo, isso ativa áreas do cérebro relacionadas à conexão social, resultando em uma sensação de alívio do estresse e promovendo ações positivas para o bem-estar”.
Recentemente, fui ao primeiro show da minha vida, de um dos meus grupos favoritos de K-pop. Foi a primeira vez que esse grupo, chamado ENHYPEN, veio fazer um show no Brasil, depois de seis longos anos de carreira. Por incrível que pareça, acompanho esse grupo desde sua estreia, quando eu ainda era uma criança, e hoje já sou uma adolescente. Um fato curioso é que, quando eles estrearam em 2020, um dos integrantes tinha apenas 15 anos e, hoje em dia, é um adulto. Durante todo esse tempo, fui crescendo e amadurecendo junto deles.
Quando eles entraram no palco, minha primeira reação foi chorar. Eu mal acreditava que eles eram reais e que um dia poderia vê-los pessoalmente. Apesar de muitas complicações antes e depois do show, poder ver meus artistas favoritos de pertinho e cantar todas as músicas foi a melhor experiência que já tive em toda a minha vida, e agradeço aos meus pais por terem tornado isso possível.
Como mencionei anteriormente, já faz bastante tempo que acompanho esse grupo, e posso dizer que, mesmo com as barreiras de idioma, cultura e distância, eles continuaram marcando minha vida com suas canções e histórias.

Uma das minhas canções favoritas se chama ‘SHOUT OUT’ (clique aqui para escutar www.youtube.com/watch?v=U1VhxZYpZ0U ) , nessa música eles falam sobre estarem cansados de ser aquilo que as pessoas querem que sejam, buscando sua liberdade e sua própria identidade por meio da sua voz, mas nunca sozinhos, pois, quando estamos unidos, nossa coragem de enfrentar o mundo se multiplica.
Talvez eles realmente nunca saibam das transformações que provocaram em minha vida, mas, mesmo assim, estiveram presentes quando eu mais precisei.
Esses artistas não lutam em nossas batalhas, mas iluminam nosso caminho, mostrando que, mesmo quando parece não existir esperança, há uma luz capaz de fazer tudo ficar bem.
Ser fã acaba indo além de acompanhar uma carreira; é entender que, toda vez que uma batida muda, nós mudamos junto com ela.

Maria Eduarda da Silva Lima, 16 anos, mora em Campinas e pelo segundo ano consecutivo é colunista do Retrato das Juventudes. A jovem sonha em cursar jornalismo, embora também tenha interesse em explorar áreas como pedagogia e biologia, mantendo aberto o caminho para diferentes possibilidades de atuação no futuro.















