O governo do Estado de São Paulo, por meio da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) e da concessionária Ecopistas, estão desenvolvendo o projeto-piloto de um pedágio free flow, localizado na Rodovia Ayrton Senna. O pedágio free flow é um sistema de livre passagem sem praças de cobrança e pagamento de acordo com a quantidade de quilômetros rodados.
Nessa primeira fase, estão sendo realizados testes de performance do equipamento para captação de imagens que permitem a identificação do tamanho, categorias e quantidades de eixos dos veículos que transitam pelo trecho, ainda sem a cobrança aos usuários via sistema. Técnicos da Agência analisam os dados captados do teste no pórtico, instalado no final de 2021 no km 31,5 da SP-070, e preparam um estudo.
Pórtico instalado na Rodovia Ayrton Senna (SP-070) faz apenas leitura das placas; cobrança aos motoristas segue sendo realizada na praça de pedágio
O projeto-piloto serve de base para as próximas etapas de expansão do uso destes equipamentos no Estado de São Paulo, inclusive, no trecho do Rodoanel Norte, pioneiro no Brasil na cobrança de pedágio exclusivamente por essa modalidade. No caso da Ayrton Senna, enquanto o projeto-piloto está em funcionamento, o pagamento da tarifa para quem usa esse trecho da rodovia continuará sendo realizado na praça de pedágio localizada mais à frente, no km 32.
A implementação do sistema de pagamento free flow oferece aos motoristas o benefício da tarifa proporcional ao trajeto percorrido. O sistema também vai melhorar a fluidez do trânsito nas rodovias e, consequentemente, aumentará a segurança viária dos usuários.
“Este projeto-piloto é o pontapé inicial para implantarmos o free flow no Estado de SP, uma forma de termos justiça tarifária nas rodovias, já que os motoristas pagam pela distância percorrida”, afirma o secretário de Logística e Transportes, João Octaviano Machado Neto, que, em 2020, criou o Laboratório de Rodovias Inteligentes, com o objetivo de levar mais tecnologia às estradas paulistas.
Como funciona o sistema free flow
O sistema é composto por pórticos, posicionados em diferentes pontos da rodovia, equipados com câmeras especiais, sensores e antenas, capazes de operar mesmo em condições adversas de visibilidade.
Quando o veículo passa pelo pórtico, as câmeras com tecnologia OCR (Optical Character Recognition), que permite o reconhecimento óptico de caracteres, fazem a leitura das imagens frontais e traseiras das placas. Um scanner a laser faz a identificação e o dimensionamento dos veículos em tempo real, capturando as características como altura, largura, comprimento, trajeto e velocidade de carros, motos, ônibus etc. As antenas de identificação de TAGs e as câmeras de monitoramento complementam as informações, que são enviadas para um sistema central, responsável por receber e processar todos os dados e, por fim, calcular a tarifa de pedágio de acordo com a distância percorrida.
Na região de Campinas, há um sistema similar em operação em Santo Antônio de Posse, chamado de Ponto a Ponto, na Rodovia Adhemar Pereira de Barros (SP-340). O trecho é administrado pela Renovias.
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) prevê o free flow. Para isso, a Lei 14.157/21 regulamentou a possibilidade de se criar, no Brasil, um sistema de livre passagem sem praças de pedágio em rodovias e vias urbanas.











