Entre os destaques da programação do III Congresso Internacional de Paralisia Cerebral (CIPC) está a palestra sobre marcha na ponta dos pés idiopática em crianças, condição que gera dúvidas frequentes entre pais e pediatras justamente por se confundir, à primeira vista, com quadros neurológicos mais graves.
Referência em paralisia cerebral no país, o ortopedista pediátrico Filipe Barcelos, do Hospital Israelita Albert Einstein, fará palestra sobre o tema no evento, que acontece entre 30 de julho e 1º de agosto, no Royal Palm Plaza, em Campinas.
O médico vai abordar a marcha na ponta dos pés “idiopática” (termo que significa de causa desconhecida), condição em que a criança caminha apoiando-se predominantemente no antepé sem uma causa neurológica, muscular ou ortopédica identificável — um diagnóstico que só é confirmado após a exclusão de quadros como paralisia cerebral, distrofias musculares e encurtamentos estruturais do tendão de Aquiles.
Durante a palestra, Filipe apresentará os principais sinais de alerta que ajudam pais, professores e pediatras a identificar precocemente quando uma criança precisa de avaliação especializada, como a persistência do padrão após os 3 anos de idade, a dificuldade de apoiar o pé totalmente no chão e a assimetria entre os lados do corpo.
O objetivo é reforçar a importância da avaliação multidisciplinar e da atualização constante de pais e profissionais de saúde diante de sinais que podem indicar a necessidade de acompanhamento ortopédico especializado. O ortopedista também vai explicar as diferentes opções de tratamento — que vão da fisioterapia e uso de órteses até gessos seriados e, em casos mais graves, cirurgia — e os fatores que orientam essa escolha, como a gravidade do encurtamento do tendão, a idade da criança e o impacto funcional na marcha.
O programa multidisciplinar do congresso abrange diversas grandes áreas relacionadas ao cuidado da criança e jovem com Paralisia Cerebral e tem como objetivo proporcionar educação científica multidisciplinar para os profissionais de saúde e promover a excelência na pesquisa e na atenção clínica de boas práticas para crianças e adultos com paralisia cerebral.












