O Brasil está se consolidando como um dos mais importantes produtores agropecuários do mundo, desempenhando um papel vital no abastecimento alimentar global. E muito dessa trajetória começou em 1887, por iniciativa do imperador D. Pedro II, com a criação da Imperial Estação Agronômica de Campinas, instituição que, durante a primeira metade do século XX, contribuiu para impulsionar a pesquisa científica e inspirou a criação de diversos outros institutos dedicados à agricultura.
Hoje, denominado Instituto Agronômico (IAC), mantém cerca de 640 projetos de pesquisas voltados ao melhoramento genético, ao manejo agrícola e à inovação tecnológica. Seus laboratórios de ciências biológicas desenvolvem técnicas modernas e fundamentais, para um mundo que precisará produzir cada vez mais alimentos com eficiência e sustentabilidade.
Somado a isso, a modernização promovida pela Embrapa revolucionou de forma estratégica a competência agroindustrial brasileira. Graças à ciência, à pesquisa e à inovação, o Brasil consolidou-se como uma das principais referências mundiais em produção agropecuária e em tecnologia aplicada ao campo.
Mais do que nunca, devemos apoiar o fortalecimento da nossa agricultura, valorizando a educação, a pesquisa e as pessoas que dedicam suas vidas à construção do conhecimento e ao desenvolvimento de competências na área alimentícia.
Como nasci em Campinas e tive a oportunidade de conviver com pessoas ligadas ao universo da pesquisa, da educação e da ciência, sou grato pelos inúmeros ensinamentos que recebi do pesquisador e professor do IAC Coaraci Moraes Franco. Com ele aprendi a respeitar profundamente a educação e a pesquisa, como instrumentos de transformação. Por isso, carrego uma convicção muito forte: sem nossos professores, não seríamos ninguém.
Antes de qualquer conquista existe alguém que ensinou. Antes de qualquer inovação existe alguém que pesquisou. Antes de qualquer transformação existe alguém que acreditou que era possível aprender mais.
Hoje enfrentamos novos desafios. As mudanças climáticas estão alterando a forma de produzir alimentos e exigirão respostas cada vez mais sofisticadas. E essas respostas continuarão vindo da pesquisa e de bons professores.
Nas últimas décadas, o Brasil ampliou significativamente sua capacidade científica e tecnológica no setor agropecuário. Hoje já podemos encontrar programas de bolsas de estudo que abordam temas estratégicos para o mundo agro, principalmente clima, solo e fatores que influenciam a qualidade e a produtividade.
São pesquisas voltadas para desafios reais, que terão impacto direto sobre a sustentabilidade e a competitividade, de um setor cada vez mais vital para o País e para o mundo.
Mais do que uma homenagem ao passado, devemos assumir um compromisso com o futuro, apoiando a pesquisa científica e tornando possível a criação de bolsas de estudo voltadas aos projetos desenvolvidos nos programas de pós-graduação do IAC.
Acredito que investir em educação e pesquisa é uma das decisões mais inteligentes que uma sociedade pode tomar. Os resultados nem sempre aparecem imediatamente, mas seus impactos atravessam gerações.
Ao apoiar a formação de novos pesquisadores, contribuímos para que instituições como o IAC continuem produzindo conhecimento relevante para Campinas, para o Brasil e para o mundo.
No fim das contas, sempre volto a uma frase de Paulo Freire: “Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo.”
Palmas para o IAC, para a Embrapa e para os muitos centros de pesquisas que estão ajudando a construir um Brasil mais forte, mais produtivo e mais preparado para os desafios do futuro.
Palmas para D. Pedro II, que deu vida ao IAC e ajudou a semear um legado de ciência e conhecimento, que continua transformando o Brasil.
Luis Norberto Pascoal é empresário e presidente da Fundação Educar












