Você já saiu de uma reunião com a sensação de que falou mal, de que não conseguiu transmitir suas ideias ou de que sua presença passou despercebida? Muita gente acredita que esse julgamento é um retrato fiel da realidade. Mas, depois de mais de duas décadas trabalhando com líderes e profissionais de diferentes áreas, posso dizer que nem sempre é assim. Muitas vezes, a maior barreira para uma comunicação segura não está na voz, na postura ou na técnica. Está na imagem que a própria pessoa construiu sobre si. E quando você acredita que comunica mal, passa a agir como se isso fosse verdade, mesmo quando os fatos mostram outra realidade.
Lembro de um líder que chegou ao meu escritório decidido a transformar completamente sua comunicação. Antes mesmo de começarmos a conversar, descreveu uma lista enorme de defeitos. Dizia que era confuso, pouco assertivo, inseguro, prolixo e que sua voz transmitia pouca autoridade. Estava convencido de que esse era o motivo de não conseguir se posicionar diante da diretoria e de enfrentar dificuldades para conduzir conversas importantes com sua equipe. O curioso é que, quando começou a falar, encontrei alguém muito diferente daquele retrato. Havia clareza nas ideias, escuta atenta, curiosidade genuína e uma voz que variava naturalmente de acordo com o assunto. O problema não era a comunicação. Era a forma como ele enxergava a própria comunicação.
Essa situação é muito mais comum do que parece. Em algum momento da vida, você pode ter sido interrompido em uma reunião, recebido um comentário mal colocado ou se comparado com alguém que falava de forma diferente da sua. Aos poucos, esses episódios vão formando uma narrativa silenciosa. Sem perceber, você passa a acreditar que não sabe falar em público, que sua opinião não tem força ou que sempre será menos convincente do que os outros. A partir daí, evita se expor, fala menos do que poderia e entra nas reuniões já esperando um resultado negativo. Não porque sua comunicação seja fraca, mas porque sua confiança foi construída sobre uma história que talvez nunca tenha sido verdadeira.
O problema é que essa narrativa acaba produzindo exatamente o resultado que você teme. Quem acredita que não comunica bem costuma hesitar antes de falar, pedir desculpas pela própria opinião, reduzir o impacto da mensagem ou desistir de participar das conversas mais importantes. Aos olhos de quem está ouvindo, essa postura pode ser interpretada como falta de convicção, quando, na verdade, é apenas consequência de uma percepção distorcida sobre si mesmo. A comunicação não começa quando você abre a boca. Ela começa muito antes, na forma como você acredita que será recebido pelas outras pessoas.
A boa notícia é que essa história pode ser reescrita. Isso acontece quando você substitui suposições por evidências, observa sua comunicação com mais objetividade, aceita feedbacks consistentes e reconhece os acertos que antes costumava ignorar. A técnica ajuda, sem dúvida. Mas nenhuma técnica produz resultados duradouros se a pessoa continuar carregando uma imagem equivocada de si mesma. Grandes comunicadores não são aqueles que nasceram confiantes. São aqueles que aprenderam a enxergar suas próprias capacidades com mais precisão. E quando isso acontece, a voz ganha firmeza, a presença se fortalece e a liderança aparece com muito mais naturalidade.
Porque comunicar com clareza é, antes de tudo, acreditar que a sua mensagem merece ser ouvida.
Cecília Lima é fonoaudióloga, especialista em Oratória e Comunicação para Líderes. Há 20 anos, dedica-se a guiar líderes a colocarem suas ideias com confiança, clareza e assertividade, conquistando a influência que precisam para crescerem na carreira e na vida. Conheça:@cecilialimaoratoria












