O tripé da sabedoria exige que você, o outro e um tema em comum, que soma conhecimento e aprendizado filosófico, se conectem. Também entrega a harmonia, a precisão e a estrutura necessárias para construir relações duradouras, onde o respeito mútuo, a segurança e os valores alinhados funcionam como a base estrutural mais sólida para enfrentar qualquer adversidade. E para lidar com a dinâmica de uma sociedade empresarial, melhorar a inteligência emocional em um relacionamento, ou estruturar um novo projeto, precisamos de um excelente tripé de valores, competências e respeito.
Na vida, esse tripé manifesta-se nas mais diversas relações humanas. É ele que sustenta relações equilibradas e duradouras, fortalecendo a confiança entre as pessoas.
A integração desses três pilares funciona de maneira distinta em cada contexto, pois estabelecem a ética, a visão de futuro e os objetivos em comum. Em uma empresa garantem a execução técnica, a gestão eficiente e a capacidade de tomada de decisão, mesmo enfrentando crises,divergências de opiniões e momentos de alta complexidade.
Nas relações interpessoais e na inteligência emocional, o tripé formado por valores, competências e respeito funciona como a bússola moral do casal ou da família. Valores fortalecem a honestidade, a lealdade e a transparência; competências desenvolvem a capacidade de escutar ativamente, negociar divergências e resolver conflitos cotidianos; e o respeito estabelece limites saudáveis, promove a validação dos sentimentos do outro e reduz o desgaste da convivência.
Na estruturação de novos projetos, o tripé da sabedoria orienta os objetivos, a responsabilidade social e ambiental. No plano operacional, transforma-se em planejamento estratégico, capacidade de execução e integração de competências. O respeito, um dos pilares desse tripé, é essencial para liderar equipes, valorizar a diversidade de pensamentos e garantir um ambiente de trabalho colaborativo. Sem ele, nenhum projeto prospera.
O equilíbrio entre esses três elementos gera um ambiente de alta confiança, no qual cada pessoa se sente segura e reconhecida. Ao longo da vida, somos desafiados a aplicar esse tripé em diferentes contextos, como nas relações profissionais, afetivas e familiares, fortalecendo a inteligência emocional e a qualidade de nossas relações.
Em tudo, sempre existiu um tripé, um terceiro ponto de equilíbrio ou um terceiro lugar. Se marcamos um encontro com alguém será em algum lugar. Curiosamente, a maior parte dos bons casamentos nasceu em bibliotecas, igrejas, parques, mercados de bairro, clubes, centros culturais e associações filantrópicas, pois esses espaços sempre ofereceram mais do que um ambiente físico. Funcionam como um terceiro ponto de encontro, onde as pessoas conversam, trocam ideias, fazem novos amigos, conhecem os vizinhos e constroem relações de confiança.
Para mantermos uma vida harmoniosa, precisamos alimentar o tripé da sabedoria, desligando o celular para construir momentos de convivência, marcando bate-papos em lugares agradáveis ou em espaços que nos aproximam. Quando pequeno, adorava empinar papagaio com os amigos; quando jovem, gostava de participar de debates e de bate-papos filosóficos. Hoje, já mais velho, adoro refletir com velhos amigos e até com jovens que se mostram ávidos por conhecer minhas experiências.
Precisamos de encontros presenciais, nos quais olhamos nos olhos, sabemos ouvir e conseguimos refletir. Não se trata de condenar a tecnologia, pois sabemos que ela ampliou o acesso à informação e aproximou pessoas separadas pela distância. O desafio começa quando a presença é substituída pela conexão, pois nenhuma mensagem, chamada de vídeo ou publicação consegue reproduzir plenamente aquilo que acontece quando duas pessoas compartilham o mesmo espaço. Um olhar, um sorriso espontâneo, uma conversa que surge sem planejamento ou um encontro inesperado carregam uma riqueza que o ambiente digital, por mais sofisticado que seja, nunca conseguirá oferecer. Nesses momentos, percebemos o verdadeiro valor do outro, que nos permite uma reflexão que, sozinhos, jamais faríamos.
O sociólogo Ray Oldenburg criou a expressão “terceiro lugar” e mostrou seu papel na construção de cidades mais humanas. Esses espaços não pertencem nem à vida doméstica nem à vida profissional. São lugares onde as pessoas escolhem estar, porque as conversas acontecem espontaneamente, as amizades se fortalecem e a confiança se constrói naturalmente.
O sentido da vida somente existe na conexão com o outro, dentro de valores de respeito, reconhecimento mútuo e da experiência de saber ouvir e falar.
Ao ler um livro que gostamos, a primeira coisa que fazemos é compartilhá-lo com um amigo e acredito, que essa é a sociedade que desejamos construir. Uma cidade mais humana não depende apenas de boas ruas, edifícios modernos ou tecnologias inteligentes, mas também da existência de espaços, onde as pessoas possam se encontrar, permanecer, conversar, confiar umas nas outras e descobrir que viver lado a lado é diferente de simplesmente ocupar o mesmo endereço.
Para construir o tripé da sabedoria, precisamos reconhecer a importância do outro, pois, sem ele, não conseguimos ficar em pé. Sempre precisaremos uns dos outros para encontrar o verdadeiro equilíbrio social e emocional.
Luis Norberto Pascoal é empresário e presidente da Fundação Educar












