De acordo com o Art. 5º do Código Civil, completar 18 anos é alcançar a maioridade legal, fase em que cada escolha passa a carregar consequências mais profundas. Isso significa, claro, poder ser preso.
Para muitos, ter 18 anos representa o início da travessia para a vida adulta: a partir dessa idade, conquistamos mais independência para tirar a habilitação, ingressar na faculdade, trabalhar ou até comprar uma casa.
Mas o que significa ter 18 anos para uma garota de 18 anos?
Desde o momento em que o relógio marca meia-noite e acordamos mais felizes sabendo que é “O aniversário de 18”, nada realmente muda. Continuamos na mesma escola, na mesma casa, e seguimos na mesma rotina. Tudo é exatamente igual ao dia anterior quando tínhamos apenas 17 anos.
Após certo tempo, apenas uma coisa muda: as perguntas. Perguntas que, aos 15, 16 ou 17 anos, não exigiam respostas imediatas — podiam esperar até a chegada dos 18 anos.
A mudança acontece gradualmente. As perguntas começam a surgir com mais frequência, carregadas pela esperança de encontrar respostas capazes de encerrar todas as outras perguntas. No entanto, cada resposta apenas aquece a necessidade de continuar perguntando.
Em um dia ordinário dos 18 anos, a ideia de planejar a vida pelos próximos 5 anos e tentar — apenas tentar — silenciar os grandes questionamentos parece fazer sentido.

Listas nomeadas “ cursos que têm a ver com minha personalidade ” são feitas quase semanalmente. Astronomia, medicina veterinária, letras, Ciências, física, arquitetura, e outros cursos de várias áreas distintas estão nessa lista. Qual deles devo escolher? Qual deles eu quero escolher? Qual dá mais dinheiro?
Passamos a colecionar grandes listas de possibilidades em nossas gavetas, e vivemos na ansiedade de fazer uma nova lista toda semana.
Nos acostumamos com a rotina de apresentar novas ideias para nossas vidas. Mesmo que as folhas rabiscadas de planos mudem o tempo todo, sempre tentamos construir uma versão definitiva de quem somos.
Ter 18 anos, para uma garota de 18 anos, é, acima de tudo, questionar.
É despertar todos os dias com a possibilidade ao lado, enquanto cada lista recém-escrita, ainda marcada pela tinta fresca da caneta, representa uma nova oportunidade.
Aprendemos a caminhar mesmo diante das incertezas e entendemos que a folha amassada na lixeira é tão importante quanto a folha branca que será utilizada para uma nova lista.

Ana Beatriz Freitas da Rocha, 18 anos, mora em Itanhaém, no litoral sul de São Paulo, e tem grande admiração pela natureza, buscando participar de iniciativas voltadas à preservação do meio ambiente. Atualmente é monitora da Academia Educar On-line, experiência que tem contribuído para seu crescimento pessoal e para a compreensão de que cada indivíduo possui um potencial único capaz de gerar transformações positivas na sociedade.












