No campo de futebol, na piscina, no shopping, na escola e na rua. Todos os dias, casos de racismo são notificados no país, evidenciando uma dura realidade para a infância: uma em cada seis crianças de até 6 anos de idade já foi vítima no Brasil. Os dados, da pesquisa Panorama da Primeira Infância: o impacto do racismo (2025), realizada pelo DataFolha e a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, revelam ainda que 42% das discriminações raciais aconteceram em espaços públicos, como ruas e parquinhos.
Para desenvolver uma sociedade mais respeitosa e promover mudanças relevantes, a arte desempenha um papel fundamental. “É por meio da apreciação estética do conto, e da experiência da música e da dança, que colaboramos com a desconstrução de toda forma de preconceito em relação à cultura de matriz africana, e com o combate ao racismo religioso, dentro e fora das instituições”, salienta a arte-educadora Marina Costa, idealizadora do projeto “Dan, o que conta o arco-íris”, que no mês de abril faz mais uma rodada de apresentações pelo interior paulista, focada na fomentação da cultura antirracista.
Dez escolas e instituições de Indaiatuba, Sorocaba, Monte Mor, Salto e Itu recebem o espetáculo, com classificação livre e acessibilidade em libras, inspirado em um conto da mitologia iorubá. Ao lado dos músicos Lucas Almeida (cavaquinho) e Flávio Lima (percussão), Marina usa a oralidade para transmitir valores civilizatórios africanos e afro-brasileiros para dentro da sala de aula e assim combater o racismo nesses ambientes.
“Nesta edição do projeto, o objetivo é levar ao ambiente escolar uma reflexão sobre diversidade cultural. Se o racismo está presente na sociedade brasileira, ele também se manifesta no cotidiano educacional”, explica. “Por isso, é fundamental que o espaço escolar seja um lugar de acolhimento, respeito e valorização das diferentes identidades culturais dos estudantes”, reforça a artista.
Dan, o que conta o arco-íris
O conto infantil, inspirado no orixá Oxumarê, apresenta elementos da mitologia iorubá, tradição que chegou ao Brasil por meio da diáspora africana e que integra profundamente a cultura brasileira. “Trabalhar o universo mítico dos orixás por meio da arte e da literatura é uma forma potente de ampliar repertórios culturais e contribuir para o combate ao racismo religioso”, destaca Marina Costa.
“Dan, o que conta o arco-íris” é um projeto artístico contemplado pelo Edital nº 27/2024 – Difusão e Circulação de Projetos Artísticos Culturais, do Programa de Ação Cultural – ProAC, iniciativa da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo. A proposta promove a circulação de atividades artístico-culturais, buscando ampliar o acesso do público às artes e fortalecer o diálogo entre artistas e comunidade, conta com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura de Indaiatuba e já impactou diretamente, desde 2023, cerca de 800 pessoas nas cidades de Indaiatuba, Salto, Itu, Piracicaba, Hortolândia e Tietê.
A trama narra o desequilíbrio do mundo a partir do desentendimento entre os orixás Olodumáre e Onilê. Para restabelecer a harmonia universal, Oxumarê, representado em forma de arco-íris, é convocado. “O projeto não tem caráter religioso, mas busca valorizar essa herança cultural e estimular o respeito à diversidade dentro da escola”, frisa. “Ao utilizar da palavra, da música e da corporeidade, nos valemos da ludicidade para instruir, dando a oportunidade dos estudantes adeptos das religiões de matriz africana fortalecerem suas identidades e se sentirem representados e pertencentes ao ambiente escolar”, completa a arte-educadora.
SERVIÇO:
Projeto “Dan, o que conta o arco-íris”
07/04 – EMEB Dom Ildefonso Stehle (Indaiatuba)
08/04 – Escola Waldorf Micael de Sorocaba (Sorocaba)
10/04 – EMEB Renata Guimarães Brandão Anadão (Indaiatuba)
13/04 – Escola Aracê (Indaiatuba)
14/04 – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo – IFSP (Salto)
16/04 – Centro Ituano de Letras e Artes (Itu)
17/04 – Escola Municipal Leonardo Rodrigues da Silva (Monte Mor)
17/04 – Centro de Inclusão e Assistência às Pessoas com Necessidades Especiais – CIASPE (Indaiatuba)
27/04 – Escola D+ Educativo (Indaiatuba)
29/04 – Centro de Referência a Pessoa com Deficiência (Indaiatuba)











