Passado, presente e futuro. A eleição da Casa Legislativa campineira revelou algumas curiosidades envolvendo idade, experiência, juventude e questões de gênero.
Ao ser reeleito, por exemplo, Luiz Carlos Rossini (Republicanos), atual presidente da Câmara de Campinas, se tornou o parlamentar com mais mandatos no Legislativo da cidade. Agora são sete mandatos. Ele tem 68 anos.
O ranking se baseia na série histórica iniciada após 1948, quando as atuais funções legislativas foram consolidadas e estão vigentes até hoje, como mandato de quatro anos.
Por outro lado, a Câmara recebe a partir de 2025 um jovem com ascensão meteórica.
O novo vereador Vini foi o segundo mais votado no pleito de domingo. Ele é um jovem que representa o campo da direita. Pelo menos nas redes sociais ele se intitula “direitista”. É seu primeiro mandato. Vini recebeu 11.423 votos.
Vinícius de Oliveira Sandoval (Cidadania), o Vini, 22 anos, tornou-se um dos vereadores mais jovens da história legislativa, igualando o ex-parlamentar Petterson Prado, nos anos 90.
Petterson Prado foi eleito vereador suplente em 1992 quando tinha 19 anos, e assumiu o cargo de titular aos 22. Outro que fez parte desse grupo da juventude política é Rafa Zimbaldi, que foi eleito e assumiu o cargo com 23 anos.

Vini é publicitário e influencer digital. Suas postagens nas redes sociais têm narrativa adequada ao público jovem, em tom sempre crítico e às vezes irônico

A história de Rossini
Até a eleição do último domingo (6), Luiz Rossini estava empatado com seis mandatos com os vereadores Aurélio Cláudio e Tadeu Marcos. Dos 31 vereadores da cidade que concorreram à reeleição, 23 foram reeleitos, ou seja, 74% do total. O percentual é maior do que os parlamentares reconduzidos nas eleições de 2020 (60%).
Dez novos vereadores atuarão na Legislatura 2025-2028, que se inicia no próximo dia 1º de janeiro – oito deles ocuparão o cargo pela primeira vez e dois já foram vereadores anteriormente: Luís Yabiku (PSB) e Roberto Alves (Republicanos).
“Campinas é uma das maiores cidades do País. Me sinto muito honrado em ser o vereador mais longevo desta Casa de Leis. Isso demonstra o trabalho sério e comprometido que realizamos ao longo de cada mandato. Também quero agradecer a população pelo carinho por nos confiar suas expectativas em relação à administração pública”, avaliou o experiente parlamentar.
Rossini foi eleito pela primeira vez no final da década de 1980 e participou das legislaturas (1989-1992), (1993-1996), (1997-2000), (2013-2016), (2017-2020), (2021-2024) e vai integrar a próxima legislatura (2025-2028).
Em seu primeiro mandato, Rossini foi vereador Constituinte, responsável pela elaboração e organização das normas da atual Lei Orgânica Municipal. Como legado, incluiu na Carta Magna da Cidade uma emenda, no capítulo das disposições transitórias em seu artigo 8º que “obriga o município de Campinas a promover o tratamento de 100% dos esgotos coletados. Ainda nessa época, Rossini propôs a isenção do pagamento do IPTU para aposentados e pensionistas.
Rossini foi reeleito mais duas vezes, e na legislatura de 1997-2000 foi corregedor da Câmara. Em 2000 foi candidato a prefeito, ano em que o Toninho do PT venceu as eleições. Depois ficou afastado da política para se dedicar ao mestrado na área ambiental.
Retornou ao Legislativo em 2013, e no ano seguinte criou a Lei do Pancadão, que proíbe o excesso de volume de som nos carros que ficam até a madrugada estacionados nas principais ruas e avenidas perturbando a tranquilidade e o sossego da população.
Foi por mais de dez anos presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, onde teve participação durante a crise hídrica de 2014. No final de 2022, em decorrência do afastamento do então presidente Zé Carlos durante investigação do Ministério Público, foi eleito presidente da Câmara.

Bancada feminina
A candidata mais votada no último domingo para a disputa das 33 vagas na Câmara de Campinas foi Mariana Conti (PSOL), com 14.356 votos. Reeleita para mais um mandato, ela representa o campo da esquerda. A bancada feminina passou, portanto, de quatro para cinco, com a chegada de Fernanda Souto (PSOL), com 3.268 votos.
Além de Mariana Conti e Fernanda Souto, também representarão a ala feminina e suas bandeiras no mandato 2025-2028 Débora Palermo (PL), Guida Calixto (PT) e Paolla Miguel (PT), essas três também reeeleitas.
Das 33 cadeiras, 23 não foram renovadas, ficando com os parlamentares eleitos em 2020.











