O Guarani está com as portas abertas para a sua transformação em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Depois de ampla discussão sobre a reforma do estatuto social do clube que envolveu debates entre conselheiros e sócios desde o final de 2024, o Bugre aprovou na noite de quarta-feira (14) o capítulo do documento que trata da implantação do novo modelo de gestão, baseado nas diretrizes de clube-empresa.
“O capítulo da SAF foi inteiramente aprovado, por unanimidade”, disse o presidente do Conselho Deliberativo (CD), Marcelo Dias, após a Assembleia Extraordinária de Sócios. A conclusão e o registro do novo estatuto ainda estão condicionados à resolução de pontos pendentes, a serem resolvidos “o quanto antes”, afirma Dias.
A assembleia de quarta durou cerca quatro horas, mas não houve polêmica sobre o ponto que trata da SAF. A proposta ganhou força a partir de outubro, quando Rômulo Amaro assumiu a presidência no lugar de André Marconatto, afastado por problemas de saúde. Depois do rebaixamento do time à Série C, a ideia foi classificada como uma espécie de salvação do Guarani. “Vamos trabalhar na completa profissionalização do clube. Não temos outra saída. A SAF é o futuro”, repetia Amaro.
O primeiro passo foi criar condições legais para a transformação do Guarani em clube-empresa, que passava pela reforma do estatuto. Vigente desde 2014, o documento foi tema de análise dos integrantes do Conselho de Administração (CA) e do CD antes das novas diretrizes serem propostas e encaminhadas para as assembleias. No total, foram seis meses de discussão até a consolidação das bases que apontam para uma nova realidade dentro do Brinco de Ouro.
Ao mesmo tempo em que a reforma do estatuto era debatida, a Ernst & Young, contratada pelo Guarani, fazia análises prévias sobre o mercado. Segundo Amaro, a empresa de consultoria trabalha há 30 anos no segmento e já apresentou ao CA exemplos de sucesso e fracasso sobre SAFs no Brasil. O trabalho já inclui avaliação de empresas que, segundo o presidente, já mostram interesse em assumir o comando no Brinco.
Outras mudanças
O ponto mais polêmico entre as mudanças propostas no estatuto se referiu à atuação dos integrantes do sócio campeão dentro da vida política do clube. Foi aprovado que os participantes do programa com as mensalidades em dia terão direito a voto na eleição do CA, mas ainda há dúvidas sobre até que ponto esse grupo poderá atuar dentro do clube. Uma nova Assembleia será convocada para discutir esse ponto.
O novo estatuto também determina uma redução no número de integrantes no CA e no CD. O primeiro, passará de sete para três e o segundo de 80 para 50 dentro do grupo de conselheiros eleitos. A composição do CD é complementada por mais cinco integrantes ligados ao Sócio Campeão e os vitalícios. “Há muitas outras mudanças”, afirma Dias. “Vou preparar em breve um documento para detalhar”, encerrou.












