A taxa de mortalidade infantil praticamente dobrou em Campinas, no primeiro quadrimestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados nesta terça-feira (8) pela Secretaria Municipal de Saúde.
De acordo com o balanço apresentado em audiência na Câmara Municipal, a cidade registrou uma taxa de 11.59, ante um índice de 6.08 dos primeiros meses de 2020. O balanço mostrou ainda que a cidade não conseguiu atingir nenhuma das metas do programa de vacinação infantil.
Campinas registrou de janeiro a abril, 48 óbitos dentre os 4.140 nascidos vivos
De acordo com o balanço apresentado pelo secretário Lair Zambon, Campinas registrou de janeiro a abril, 48 óbitos dentre os 4.140 nascidos vivos – um índice de 11.59.
As taxas anuais de mortalidade infantil em Campinas vêm sendo mantidas abaixo de 10 desde 2012 (Veja a lista abaixo). Em 2019, por exemplo, ficou em 7,54. Em 2015, permaneceu em 7,90
O secretário de Saúde disse que o resultado deve ser creditado à pandemia. “Isso mostra o tamanho da desestruturação que a pandemia provocou nos serviços”, disse ele. “Eu até falei com os meus diretores e tomamos como compromisso para este ao levar esse índice para abaixo dos 10”, prometeu.
Outro índice que registrou aumento relevante na comparação entre os quadrimestres de 20 e o de 21 foi a taxa de mortalidade materna. Subiu este ano, nada menos que 144% – com seis óbitos registrados no período. Quatro deles, provocados pela Covid-19.
Vacinação
A vacinação entres as crianças também ficou abaixo do esperado pela secretaria, nas quatro imunizações previstas. A vacina tríplice teve o melhor desempenho, com 90% de cobertura, mas a pneumocóccica ficou em 83% no mesmo período. A pentavalente e a da pólio ficaram em 87%. O recomendado é 95% de cobertura.
Para a diretora do Devisa (Departamento de Vigilância em Saúde), Andréia Von Zuben, a pandemia do cronavírus explica boa parte do problema, mas não apenas isso.
A vacinação entres as crianças também ficou abaixo do esperado pela secretaria, nas quatro imunizações previstas.
“A cobertura vacinal vem ficando abaixo não apenas aqui, mas em todo o Brasil, mas não apenas por causa da pandemia”, afirma.
“Nós ainda temos pai e mãe que acha que não precisa vacinar.Além disso, há o fenômeno das fake news”, acrescenta ela, referindo-se a movimento que sustenta haver efeitos colaterais indesejados da vacinação.
Apesar disso, ela acha que a pandemia acabou sim, sendo um fator complicador. “O discurso do fique em casa atrapalhou muito”, reconheceu.
Veja as taxas anuais de Campinas
2010 – 10,34
2011 – 9,17
2012 – 10,19
2013 – 9,91
2014 – 8,07
2015 – 7,90
2016 – 9,04
2017 – 8,87
2018 – 9,33
2019 – 7,54
2020 – 8,06
Fonte: Secretaria de Saúde de Campinas











