A presença de bactérias em dentes que passaram por tratamento de canal tem se revelado cada vez mais comum, podendo se tornar uma ameaça à saúde geral do paciente. Não é novidade para ninguém que fontes de infecção dentária são capazes de se espalhar pelo corpo, comprometendo a saúde geral. Mas o tema ganha relevância diante do aumento de casos associadas a dentes aparentemente “tratados”, mas que abrigam bactérias de forma silenciosa.
Esse cenário é destacado pelo cirurgião dentista, especialista em implantodontia, Fernando Zeferino, que aponta uma alta na incidência de abscessos e inflamações ósseas associados a tratamentos de canal.
As bactérias podem se instalar no momento do procedimento ou entrar no canal dentário após um tratamento mal realizado, levando a infecções tardias. O problema pode ocorrer por falhas no selamento, nova contaminação ou infecções resistentes.
“Eu acredito que o profissional de odontologia sempre busca total eficiência ao tratar seus pacientes, mas falhas podem ocorrer”, lamenta Zeferino.
Quando a infecção se instala, a recomendação dos dentistas é a extração do dente e a substituição por implantes. O procedimento remove completamente o dente infectado e substitui, reduzindo o risco de novas infecções.
“O implante não é apenas uma solução estética, em muitos casos é uma decisão de saúde preventiva”, afirma Fernando Zeferino.
Por que o implante interrompe o ciclo infeccioso?
Diferente do dente natural, que possui uma estrutura porosa e canais orgânicos complexos, o implante é composto por materiais inertes e biocompatíveis.
Fernando Zeferino explica que o implante elimina o problema por não ser um “tecido vivo” sujeito a decomposição ou abrigo de microrganismos.
“Ao realizar a extração do dente comprometido, removemos fisicamente o reservatório onde as bactérias se proliferam e o tecido infectado ao redor da raiz. O implante, geralmente feito de titânio, não possui canais nervosos ou circulação sanguínea interna que possam ser invadidos por patógenos. Ele sela a região, permitindo que o osso se regenere de forma saudável e livre de colônias bacterianas”, detalha o especialista.

Consequências vão além da boca
Quando o tratamento de canal não é bem realizado, bactérias e toxinas podem cair na corrente sanguínea. Este processo, conhecido como bacteremia, é um gatilho para problemas graves:
- Endocardite Bacteriana: As bactérias se alojam nas válvulas do coração, podendo causar danos fatais.
- Sobrecarga Imunológica: O corpo vive em estado inflamatório constante, aumentando o risco de doenças cardiovasculares e diabetes.
- Abscessos Distantes: A infecção pode migrar para articulações ou outros órgãos, dificultando diagnósticos médicos.
Sinais de alerta e diagnóstico
O perigo reside no fato de a infecção ser frequentemente indolor. Zeferino orienta que o paciente deve ficar atento a sinais como:
- Gosto ruim na boca ou mau hálito persistente;
- Pequenas “bolinhas” na gengiva (fístulas) que aparecem e desaparecem;
- Sensação de dente “alto” ao mastigar;
- Inchaços leves ou sensibilidade ao toque na região da raiz.
Um dos principais desafios é identificar essas infecções antes que elas causem danos maiores. Como muitos pacientes não sentem dor, o diagnóstico depende de exames preventivos, como radiografias panorâmicas e tomografias, capazes de identificar inflamações ósseas invisíveis a olho nu.
“Esperar sentir dor é um erro comum. A prevenção, com exames periódicos, é o que permite descobrir o problema cedo e indicar o tratamento mais seguro”, orienta o dentista.












