Uma cena rodou o Brasil e o mundo nesta semana. Um avô, que havia acabado de saber que seu neto de 20 anos havia morrido, se dirige ao altar, durante a consagração, e busca um abraço do sacerdote que conduzia a missa.
O episódio aconteceu no domindo passado na Igreja Matriz de São Francisco de Assis, no município de Tubarão, em Santa Catarina.
O vídeo estava sendo transmitido ao vivo pela paróquia e as imagens mostram o Sr Marcos, aos prantos, dilacerado, consumido pela dor, abrindo os braços em direção ao padre Carlos Henrique Machado Fernandes.
Sem nada perguntar ou interpelar, sem nenhuma palavra, o sacerdote apenas o acolhe, sem julgamentos.
A reação dos internautas foi imensa. A maioria percebeu a grandiosidade do gesto e viu que ali, mais do que o cerimonial e a liturgia, era um homem precisando de um ombro para chorar a sua dor.
O jornalista Eduardo Gregori, que mora em Portugal e que já trabalhou na imprensa de Campinas, fez um post narrando a cena e enaltecendo o gesto do padre Carlos.
“Neste vídeo não há igreja, não há padre, não há religião. Há humanidade. Há amor pelo próximo, cru, verdadeiro, incondicional”, observou.
“Em estado de choque e de dor absoluta, sem palavras, sem forças, aproximou-se do altar. Não para rezar um ritual, mas para procurar amparo. E ali encontrou um abraço. O padre Carlos Henrique não perguntou nada. Não explicou nada. Não julgou. Apenas acolheu. Apenas segurou aquele homem que desmoronava. Naquele abraço não houve dogmas, nem discursos. Houve silêncio, compaixão e presença. Houve humanidade no seu estado mais puro. Quando a dor é grande demais, um abraço pode ser tudo. E enquanto existirem gestos assim, ainda há esperança para a nossa humanidade. Chorei muito e muitas vezes ao ver este vídeo”, escreveu o jornalista.
A cena ocorreu numa igreja cujo padroeiro é São Francisco de Assis, um dos santos mais reverenciados da Igreja Católica.
A oração de São Francisco é uma das mais belas da humanidade. Um trecho diz assim: “Onde houver desespero, que eu leve a esperança. Onde houver tristeza, que eu leve a alegria. Onde houver trevas, que eu leve a luz! Ó Mestre, fazei que eu procure mais. Consolar, que ser consolado. Compreender, que ser compreendido. Amar, que ser amado. Pois é dando, que se recebe.”
Diante da grande repercussão, o padre Carlos gravou um vídeo depois para explicar a sua atitude.
“Eu, na grandiosa graça de Deus, tive aquela atitude naquele momento. A Igreja sendo Igreja neste mundo tão desafiador que nos interpela a ter atitudes humanas”, descreveu o sacerdote. No vídeo ele se solidariza com o avô, que inclusive, é ministro da própria igreja. “Damos força e coragem. Estamos unidos em oração”, reforçou o padre Carlos diante da perda abrupta do neto. A causa da morte não foi revelada.











