No início desta semana, a convite da vereadora Débora Palermo, participei da reunião da Comissão das Pessoas com Deficiência e Mobilidade Reduzida, no plenário da Câmara Municipal de Campinas. Foi um encontro marcado pela escuta atenta, pela sensibilidade e pela relevância dos temas debatidos.
A pauta, muito bem conduzida, tratou da criação de um programa municipal de políticas públicas intersetoriais, para o combate ao analfabetismo funcional, entre jovens e adultos, com ou sem deficiência. Trata-se de uma iniciativa necessária, que reforça a importância de integrar esforços entre diferentes áreas e ampliar o alcance das ações públicas, com eficiência e continuidade.
Fui profundamente tocado pelos depoimentos apresentados.
Escutar relatos de pessoas com diferentes tipos de deficiência, compartilhando suas vivências, desafios e algumas conquistas nos tira da zona de conforto e nos lembra, de forma concreta, o quanto ainda precisamos avançar para garantir inclusão de verdade, com dignidade e oportunidades reais.
Também tive a alegria de reencontrar uma amiga de infância, Maria Helena Novaes Rodriguez, presidente da Associação de Educação do Homem de Amanhã, a Guardinha de Campinas. Com sensibilidade, experiência e compromisso, ela nos proporcionou uma verdadeira aula ao expor a realidade enfrentada por muitas pessoas que participam da Guardinha.
Carrego comigo uma convicção: sonhos se tornam realidade quando colocamos trem de aterrissagem em nossas utopias. Sonhar é necessário, é o que nos move, mas só faz sentido quando estamos dispostos a transformar ideias em ação e propósito em resultado.
Sonhar com uma educação de qualidade e acessível a todos deve ser uma utopia permanente. Durante a reunião, ouvi relatos de jovens que enfrentaram enormes barreiras para serem acolhidos nas escolas. A falta de acessibilidade, a ausência de profissionais de Libras e estruturas inadequadas ainda são obstáculos reais. Isso nos mostra que não basta garantir matrícula, é preciso garantir aprendizagem, permanência e desenvolvimento.
A solução não está em sonhar sozinho, mas em sonhar coletivamente. Precisamos construir um imaginário comum, capaz de mobilizar a sociedade, inspirar políticas públicas e transformar intenção em resultado concreto, na vida das pessoas.
Educar, hoje, é preparar para um mundo em constante mudança. É ensinar a pensar, dialogar, conviver com as diferenças e desenvolver senso crítico. A escola precisa ser, além de espaço de conhecimento, um ambiente de formação ética, cidadã e de construção de futuro.
Falar em educação plena exige enfrentar, com seriedade, o analfabetismo funcional que ainda atinge jovens e adultos, com e sem deficiência. Trata-se de uma exclusão silenciosa, que impede a plena participação social, limita oportunidades e compromete o desenvolvimento humano. Não basta saber ler palavras. É preciso compreender, interpretar e participar do mundo de forma ativa.
O desafio colocado é claro. Transformar esse diagnóstico em ação concreta. Políticas públicas intersetoriais, como as debatidas nesta semana, são fundamentais para romper esse ciclo e garantir que ninguém fique para trás, independentemente de suas condições.
Educar é, acima de tudo, garantir que ninguém fique para trás.
Luis Norberto Pascoal é empresário e presidente da Fundação Educar











