O vereador da Câmara de Campinas Nelson Hossri (PSD) protocolou uma Moção de Apoio ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “em reconhecimento aos esforços diplomáticos que resultaram no cessar-fogo entre o grupo Hamas e o Estado de Israel”. Hossri é o autor do pedido de instauração de Comissão Processante (CP) contra a vereadora Mariana Conti (PSOL), em virtude da participação da parlamentar na flotilha que tentou levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza.
Os tripulantes da Global Sumud Flotilla foram capturados por Israel em águas internacionais e transferidos para a prisão de Ktzi’ot, no deserto do Negev, onde passaram seis dias. Entre os 461 participantes da missão, de mais de 40 nacionalidades, estava a vereadora Mariana Conti, ao lado de mais 13 brasileiros.
De acordo com o gabinete do vereador, o documento ressalta o papel de mediação norte-americana na pacificação do conflito e será encaminhada, após aprovação em plenário, à Embaixada dos Estados Unidos no Brasil.
O cessar-fogo, afirmou Hossri, representa um avanço significativo rumo à estabilização da região e à preservação de vidas civis.
“O anúncio do cessar-fogo reacende a esperança de milhares de civis — especialmente crianças, mulheres e idosos — que sofreram com os efeitos devastadores da guerra. A diplomacia, quando exercida com firmeza e responsabilidade, pode salvar vidas e abrir caminhos para a paz”, afirma Hossri.
A proposta também destaca a importância da reconstrução da Faixa de Gaza, da entrada de ajuda humanitária internacional e do desarmamento de grupos extremistas, criando condições para um diálogo político duradouro entre israelenses e palestinos.
“Essa moção simboliza o reconhecimento da Câmara de Campinas ao esforço de mediação que prioriza a vida, a liberdade, a dignidade humana e a paz entre os povos”, completou o parlamentar, que aguarda a votação pela câmara do pedido de abertura de Comissão Processante contra Mariana Conti.
Hossri pede a apuração de uma suposta infração político-administrativa atribuída à parlamentar. De acordo com o texto da denúncia, Mariana Conti teria se afastado do mandato para participar de uma “missão não oficial e sem pertinência temática com as funções da vereança”, o que configuraria, segundo o documento, uma violação ao princípio constitucional da moralidade administrativa.
Conforme noticiado pelo portal Hora Campinas, o pedido de Comissão Processante gerou embate político intenso na Câmara ao entrar em pauta, no último dia 9, com reações de vereadores da bancada de esquerda defendendo que Mariana está legalmente licenciada e em ação humanitária.
A Mesa Diretora da Câmara confirmou que a vereadora solicitou duas licenças não remuneradas para integrar a Global Sumud Flotilha, movimento internacional que tem como objetivo realizar uma ação humanitária e simbólica contra o bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza.
A Câmara decidiu adiar a votação sobre o pedido de instauração de CP contra Mariana Conti. A decisão da presidência segue o parecer da Procuradoria Jurídica recomendando o adiamento do processo enquanto durar a licença da parlamentar, vigente até 25 de outubro.











