Campinas perdeu neste domingo uma das figuras públicas mais conhecidas. Júlio Lobo, o incansável astrônomo que por quase cinco décadas trabalhou no Observatório Municipal de Campinas Jean Nicolini, morreu aos 64 anos. A causa da morte não foi revelada. O velório do cientista, um dos mais prestigiados do País, começa às 12h no Cemitério da Saudade. O sepultamento está marcado para as 15h.
“É com grande pesar que a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Campinas comunica o falecimento de Júlio Lobo, neste domingo, 26 de maio. Ele atuou 47 anos no Observatório Municipal de Campinas Jean Nicolini. Ele deixa esposa e três filhos”, informa nota oficial divulgada pela assessoria de imprensa da Prefeitura.
Nascido em 7 de janeiro de 1960, Júlio Lobo se autodenominava contador de histórias do universo e estudioso de lendas, mitos e curiosidades.
Ele contava que quando tinha cerca de 9 anos, entre 1969/70, viu uma coisa fantástica, colorida passar no céu deixando um rastro luminoso, que muito o intrigou. Ao perguntar para o pai, soube tratar-se de um meteoro. Na época, seu pai adquiriu a enciclopédia Barsa – o equivalente à Wikipédia atual – e foi lá que ele começou a pesquisar sobre o assunto. “Essa foi a mola da minha opção pela astronomia”.

Júlio Lobo integrava o seleto grupo de “caçadores de meteoros”, rede de astrônomos amadores e profissionais que se ocupam de estudar os fenômenos estelares. Atuou no Observatório Jean Nicolini desde os 17 anos.
Começou como estagiário em 1977, mesmo ano de inauguração do local, então denominado Estação Astronômica de Campinas. Esse foi o primeiro Observatório municipal do Brasil, além de ser pioneiro na oferta de ação educativa regular.
Ele teve como mentor o próprio Jean Nicolini, que, segundo suas palavras, “ensinou o céu para ele”. Tinha como missão aproximar as pessoas ao Universo para construir legados e transformar vidas. “Eu sou a evolução da poeira estelar e o delicado bater de asas de uma borboleta”.

Nos últimos meses, Júlio Lobo tinha projetos de fazer Astronomia Cultural que, como ele próprio explicava, é a relação do ser humanos com a noite estrelada. E também fazer atividades com contos, lendas e mitologias do céu e da natureza.
Em toda a sua trajetória, Júlio Lobo encorajava para que, cada vez mais, pessoas de todas as idades do nosso país se interessem por essa ciência tão encantadora e ajudem a construir os próximos passos da pesquisa astronômica brasileira.
“Além disso, também espero que todos nós continuemos a olhar para o céu estrelado para apreciar a beleza e os mistérios do Cosmos”, reforçava, com anseio e expectativa.
“Hoje, ele foi encontrar as estrelas que tanto olhou através de seus telescópios”, dizem os colegas de trabalho e infinitos seguidores do seu trabalho de pesquisa.











