Uma cerimônia concorrida marcou a posse da nova presidente da Academia Campinense de Letras (ACL), na noite da terça-feira (11). A segunda mulher a ocupar o cargo, Ana Maria Melo Negrão recebeu o bastão das mãos do acadêmico Jorge Alves de Lima, à frente da casa pelos últimos seis anos (2019-2024), em três gestões.
O prefeito de Campinas, Dário Saadi, que é Presidente de Honra da ACL, prestigiou o evento e enalteceu a nova direção, lembrando também a importância do trabalho do presidente cessante.

A transmissão do cargo foi marcada por palavras de gratidão. Em sua fala, Alves de Lima lembrou que sua mãe sempre lhe disse: “Jorge seja grato”. Afirmou pautar sua vida em três princípios: amor e paixão para realizar grandes obras (citando Machado de Assis). Citou também palavras do primeiro-ministro britânico Winston Churchil: “se você passar pelo inferno, não pare de andar e, com destemor, atravesse”. Além da máxima do presidente Juscelino Kubitschek: “Deus nos poupou do sentimento do medo”.
Advogado, servidor público, historiador, memorialista e cronista, Jorge Alves de Lima registrou em várias publicações a vida cotidiana campineira do fim do século 19 e início do 20, com o flagelo da epidemia de febre amarela que assolou a cidade e a trajetória do maestro Carlos Gomes, o Tonico de Campinas, em uma biografia dividida em quatro volumes.
Em sua trajetória na presidência da ACL, Alves de Lima atuou não apenas na parte acadêmica, mas agiu para recuperar a infraestrutura do prédio, então comprometida pelo desgaste do tempo. Na cerimônia, foi distribuída uma publicação registrando os seis anos de atuação do acadêmico na presidência. Um vídeo exibido trouxe falas da equipe da ACL lembrando a gestão recente.
A presidente empossada, em seu discurso, também agradeceu. Ana Maria Melo Negrão já atuou como vice-presidente em duas gestões de Alves de Lima à frente da Academia. Ela chamou os confrades e confreiras a trabalhar em conjunto, como participantes de um mandato coletivo à frente da ACL. “Assumo essa presidência com o resguardo da honra e da ética”, afirmou, expressando sua vontade de realizar um “mandato coletivo” com os colegas da ACL
No discurso de posse, a ocupante da cadeira 8 narrou “a viagem para chegar à presidência da Academia Campinense de Letras e seus percalços”.
Nascida no centro de Campinas, em uma grande casa da família de sesmeiros pioneiros, a poucos metros das palmeiras do jardim Carlos Gomes, onde hoje está o prédio do Rotary Clube, Ana Maria contou que a avó, mãe de 15 filhos, enviuvou quando ainda estava grávida da última filha, a mãe da presidente, e que ela foi sua maior influência de força e papel feminino.
Ana Maria estudou no Instituto Carlos Gomes e afirmou ter se insurgido contra a ordem paterna ao se recusar fazer a Escola Normal para ser professora, casar-se e ser dona de casa. Fez o então Curso Clássico no Colégio Culto à Ciência para ingressar em Letras Anglogermânicas na PUC Campinas, onde também fez segunda graduação em Direito. Após o mestrado, se tornou doutora em Educação pela Unicamp, onde também atuou por vários anos.
Citou Luís de Camões e contou sobre o encantamento por ele despertado para com a Língua Portuguesa. Também agradeceu à família, ao marido e aos três filhos, pelo apoio em sua trajetória.
Ao encerrar sua fala de posse, Ana Maria Negrão elencou os membros da gestão que começa, nominando-os um a um e pedindo aplausos para cada um deles.
Muitas autoridades de Campinas prestigiaram a cerimônia, além dos acadêmicos, amigos e familiares. A noite foi encerrada com uma apresentação de canto lírico.











