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Home Cidade e Região

Vida nova: técnica de enfermagem amputada consegue dinheiro para prótese

História de superação de Talita Cristina foi contada pelo Hora Campinas

Francisco Lima Neto Por Francisco Lima Neto
5 de junho de 2022
em Cidade e Região
Tempo de leitura: 4 mins
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Vida nova: técnica de enfermagem amputada consegue dinheiro para prótese

A técnica de enfermagem Talita Cristina Joaquim da Silva, 25 anos: ela descobriu um tumor na perna direita, depois de escorregar no trabalho e precisar de atendimento médico, em 2018 Foto: Leandro Ferreira/Hora Campinas

Resiliência, superação, força, fé, vida nova, emprego, retomada dos estudos. E razão para acreditar que sim, tudo passa. É preciso confiar – e agradecer. É assim que a técnica de enfermagem Talita Cristina Joaquim da Silva, de 25 anos, define o seu momento. É assim, de olho no futuro, que ela quer seguir em frente.

Talita, moradora em Campinas, conseguiu juntar R$ 30 mil em doações para a compra de uma prótese que vai devolver sua mobilidade e independência. Ela passou por uma amputação de parte da perna direita, em fevereiro deste ano, após a descoberta de um tumor. A história foi contada pelo Hora Campinas e teve grande repercussão.

Talita tinha dois orçamentos. Uma prótese mais básica, de R$ 30 mil e outra um pouco mais sofisticado, de R$ 48 mil. Por isso, começou uma campanha de divulgação para tentar arrecadar a quantia.

 

Com o financiamento coletivo ela tinha conseguido arrecadar R$ 20 mil. Para completar o valor, planejou um bingo beneficente, que aconteceu no dia 24 de abril. O evento contou com apresentações musicais e comida, quase tudo doação.

 

 

O cartaz do bingo: iniciativa

 

“Um pouco antes do evento, o chefe da minha mãe doou R$ 8 mil. No evento, eu consegui mais R$ 5 mil, paguei algumas despesas que somaram R$ 1 mil, e sobraram R$ 32 mil, o valor exato que eu precisava. São duas próteses, uma para andar e outra para tomar banho, isso deu R$ 30 mil, e R$ 1 mil cada uma das capas que vão nas próteses para não ficar aparecendo o ferro”, conta.

 

“Eu consegui tudo em um mês de campanha, eu não sei nem como agradecer as pessoas. Eu estou muito feliz”, diz, agradecida.

 

 

A prótese já está paga, mas Talita só deve sair de vez com ela no próximo mês. Isso porque a fisioterapia necessária teve de ser adiada por conta de um acidente doméstico. “Um pouco antes do evento, eu estava sozinha em casa, fui fazer almoço, mas o andador tombou para a frente, ele é muito leve, e eu desequilibrei porque não consigo ficar em pé com uma perna só. Caí em cima do meu coto, abriu, ficou horrível, agora que está fechando”, explica.

Mas nem esse contratempo tira o sorriso do rosto de Talita. “Eu estou me recuperando. No final do mês eu volto para a fisioterapia para logo conseguir usar a prótese. Eu creio que mês que vem eu estou com a prótese porque agora só depende de mim, da recuperação, não depende de dinheiro porque graças às doações eu já atingi, então só depende da minha recuperação mesmo”, conta ansiosa.

 

Talita durante sessão de fisioterapia Foto: Divulgação

 

Entenda

A técnica de enfermagem descobriu um tumor na perna direita, depois de escorregar no trabalho e precisar de atendimento médico, em 2018. Mesmo com o tratamento e diversas cirurgias, a moradora do Parque Itajaí teve a perna amputada. A vida de Talita seguia normal e ela trabalhava em uma ambulância particular. Até que sofreu um acidente de trabalho, segundo ela, quando escorregou em uma fronha e torceu o tornozelo, que demandou atendimento médico.

“Fui para o hospital e lá foi feito um exame de Raio X. A médica disse que estava tudo bem com a entorse, que era só cuidar e ficar em casa, mas que eu tinha um tumor na perna. Eu fui embora e não acreditei. Coloquei gelo quando cheguei em casa, mas aquilo ficou martelando na minha cabeça”, conta Talita.

 

Naquele mesmo dia, ela saiu de casa e foi ao Hospital Mário Gatti em busca de respostas.

 

“Fiquei no ambulatório do Mário Gatti. Foram feitos vários exames, o tumor foi confirmado e era benigno. É um tumor dentro do osso, na tíbia direita. Eu não ia sentir nada. Conforme o tempo fosse passando, eu ia quebrar a perna e só assim eu descobriria, mas isso poderia demorar muito, lá pelos 50 anos. Mas como era benigno tinha solução, e graças a Deus não precisei fazer quimioterapia nem radioterapia”, lembra.

Na sequência, Talita conseguiu uma vaga na Unicamp, onde iniciou o tratamento, no começo de 2019. A primeira cirurgia a que foi submetida ocorreu em janeiro de 2019.

“Eles abriram o osso, fizeram a raspagem do tumor e colocaram o osso de volta. Só que meu osso deu rejeição. Fiquei sem uma parte do osso da tíbia e não podia encostar o pé no chão. Em outra cirurgia, colocaram uma placa, mas eu peguei uma infecção hospitalar nessa placa. Fiquei 45 dias internada tomando antibiótico, e precisei de outra cirurgia para limpar a infecção que eu tive. Foram várias cirurgias para salvar a perna”, relata.

 

Nesse período, surgiu a pandemia, que atrapalhou ainda mais o tratamento. De acordo com Talita, o uso do antibiótico afetou a eficácia do anticoncepcional, e ela engravidou. Por conta de tudo isso, o tratamento ficou mais de um ano suspenso.

Ao voltar para o hospital, o médico explicou que o tratamento teria de ser recomeçado do zero, com a limpeza da infecção, igual em 2019, a recuperação seria lenta e sem garantia de que seria bem-sucedida.

“A outra opção seria a amputação, que me daria mais qualidade de vida e recuperação rápida porque eu tenho uma filha para criar, queria voltar a trabalhar, estudar. Eu não consigo ficar nesse ritmo, parada, sem fazer nada da vida. Eu optei pela amputação e estou super bem psicologicamente, até melhor que antes, porque eu sei que daqui uns três meses eu vou estar andando, trabalhando e vivendo minha vida. Se eu tivesse escolhido voltar para a cirurgia eu estaria acamada, esperando a recuperação”, contou, à época, com otimismo.

Hoje, aquilo que ela projetou, está se materializando.

 

REVEJA A PRIMEIRA REPORTAGEM

 

Um tombo, o diagnóstico e uma nova vida: “Eu optei pela amputação e estou bem”

Tags: amputaçãoCampinascâncercorrente do bemdoaçõespróteserazões para acreditarresiliênciaSolidariedadesuperaçãoTalita Cristina Joaquim da Silva
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Francisco Lima Neto

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