10 de agosto de 2026
O SEU PORTAL DE NOTÍCIAS, ANÁLISE E SERVIÇOS
ANUNCIE
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Informação e análise com credibilidade
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Informação e análise com credibilidade
Sem Resultados
Ver todos os resultados
PUBLICIDADE
Home Opinião

Artigo: Brincadeira é coisa séria – por Regina Márcia Moura Tavares

Redação Por Redação
27 de maio de 2022
em Opinião
Tempo de leitura: 6 mins
A A
Artigo: Brincadeira é coisa séria – por Regina Márcia Moura Tavares

Nesta “Semana do Brincar” em Campinas, ocorreu-me falar um pouco de um trabalho de pesquisa, documentação e difusão que venho desenvolvendo há mais de 30 anos nesta cidade, no País, na América Latina e em outras partes do mundo, na esperança de sensibilizar pais, educadores, administradores públicos e população em geral para a importância de se resgatar a rua, as praças e outros espaços públicos das cidades para as crianças poderem se encontrar e brincar livremente.

Contra o argumento de ser impossível, no momento presente, em virtude do trânsito caótico e da violência generalizada, devo dizer que somos nós, cidadãos, que fazemos as mudanças na trajetória da História e que tudo pode ser mudado, se assim o desejarmos.

Com a clara convicção de que aos que trabalham com a Preservação do Patrimônio Cultural compete a tarefa de mobilizar as populações no sentido da identificação e reconhecimento do patrimônio cultural que elas mesmas constroem ao longo de sucessivas gerações, entre outros, como condição básica para ensejarem um projeto de desenvolvimento em bases próprias, concebi o projeto BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS TRADICIONAIS: PATRIMÔNIO CULTURAL DA HUMANIDADE o qual se desenvolveu em suas fases preliminares nos anos de 1987 e 1988, na cidade de Campinas, com apoio da Universidade onde eu trabalhava e da Fapesp.

Escolhi BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS do Município de Campinas como alvo de nossa investigação por considerar esse tema com possibilidades de mostrar à população, em geral, que um patrimônio cultural significativo não se encontra só em bibliotecas, arquivos, museus, centros de memória ou academias da cidade, região ou País.

 

Minha pretensão foi colocar em evidência que o simples ato de brincar de determinadas formas, no espaço da rua, constitui-se, ele mesmo num patrimônio cultural relevante, seja produzido nos bairros periféricos de baixa renda e com grande concentração de imigrantes, seja pelos membros da classe média alta.

 

Moveu-me a ideia de sensibilizar a população, desde a fase infantil, para o fato de que ela é uma produtora cultural permanente e, a partir daí, levá-la a assumir uma posição consciente de guardiã de sua própria produção, dando-lhe desta forma o fermento necessário ao exercício da cidadania. Mobilizou-me a proposta de provocar uma intervenção social não mutiladora, na medida que o tempo social de cada grupo investigado foi respeitado e a própria ação se realimentou, a cada momento, no processo interativo da pesquisa.

Finalmente, agiu como força motriz do projeto a busca de aspectos culturais do cotidiano das crianças e dos adultos, capazes esses de lhes darem uma identidade cultural local, cada vez mais ameaçada pela ação uniformizadora da indústria cultural transnacional.

O Museu Universitário PUCCAMP à época, sob minha direção, estava fortemente comprometido com a preservação fora de seus muros, uma prática educativo-cultural capaz de restabelecer um diálogo com a população.

Nossa pesquisa desenvolveu-se durante 2 anos, em 25 bairros da cidade de Campinas, tendo como universo as praças, parques e ruas de Campinas, sendo o objeto de pesquisa as atividades espontâneas das crianças. Isso eliminou a Escola como local de análise. Foram inúmeras manhãs e tardes em que a equipe por mim orientada ficou nas ruas de Campinas vendo as crianças brincarem, gravando suas canções e depoimentos, colhendo seus desenhos, brincando junto para aprender.

Dentro do possível retornamos três vezes a cada local sendo a documentação feita em 500 fotografias, 20 fitas cassetes – material de que dispúnhamos à época, 80 relatórios, além do diário de campo. Ao todo foram entrevistadas 384 crianças, entre 6 e 16 anos em bairros de classe alta, média e baixa, numa amostra aleatória estatisticamente significante.

 

 

Encerrada essa primeira etapa de campo, a documentação audiovisual, assim como os relatórios foram estudados e elaborada uma ficha para cada brincadeira, com o seguinte modelo:

♦ Descrição da regra básica (ou mais frequente):

♦ Bairros em que foi achada:

♦ Variações: (A brincadeira tradicional caracteriza-se, justamente, pela ausência de regras fixas, pela flexibilidade regional).

Em maio de 1988, começamos a etapa de restituição sistemática, ou seja, a dinâmica comunitária, ponto essencial de nosso projeto, devolvendo à comunidade o conjunto de brincadeiras coletadas, de modo a fazê-la compreender a importância da produção cultural da infância, bem como motivá-la à revitalização e perpetuação delas no cotidiano dos bairros.

Para atingirmos nossos objetivos nesta fase, trabalhamos com várias instituições, a saber: associações de bairros, núcleos municipais de atendimento ao menor carente, congregações e escolas, seguindo, em todas, duas linhas de trabalho: diretamente com as crianças e treinando lideranças e educadores.

 

À cada experiência fomos percebendo estarmos tendo a oportunidade de devolver a verdadeira e necessária infância às crianças!

 

A partir daí, esta ação cultural ganhou projeção nacional e internacional, recebendo em 1990 o selo da Unesco “DÉCADA CULTURAL MUNDIAL”. Em 2002 a UNESCO destinou uma verba ao projeto a qual nos permitiu reeditar o livro ‘BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS: PATRIMÔNIO CULTURAL DA HUMANIDADE” em 2004, com um fascículo complementar em 4 línguas (Port., Esp., Fr. e Ing.) a pedido deste organismo internacional.

A atividade lúdica está presente em todas as sociedades humanas, independentemente de sistemas econômicos, políticos e sociais. Que funções sociais eles cumprem, para que sejam imbuídos desse caráter da universalidade? É certo que os animais também brincam; mas a diferença fundamental é que os homens criam regras e inventam instrumentos para brincar, em todas as partes do mundo e muito semelhantes entre si.

São quase sempre criações coletivas, de domínio público, de origem dificilmente identificável e transmitidas oralmente pelos membros da sociedade. Nessa perspectiva de universalidade é que jogos e brincadeiras tradicionais devem ser pensados para que sejam percebidos como patrimônios culturais de toda a humanidade. Uma mesma brincadeira – a exemplo do cabo de guerra – pode ser encontrada na Birmânia, na Coréia e entre os esquimós. A amarelinha já era praticada na Roma Antiga e hoje jogada na Europa, na América, Rússia, Índia e China.

 

 

Jogos e brincadeiras constituem-se em uma linguagem específica Inter e entre grupal. São meios de comunicação eficazes, que carregam em si o imaginário social, ou seja, os conteúdos que compõem a visão de mundo que o grupo tem sobre si e sobre o mundo. São, portanto, espaços que refletem simbolicamente as regras e parâmetros da sociedade.

Nesse sentido, talvez se possa afirmar que uma de suas funções mais importantes seja o fato de se constituírem em uma linguagem através da qual os homens podem se comunicar, manipulando símbolos que alcançam seu pleno significado apenas nesse momento mágico do faz-de-conta. Quando uma criança interioriza uma brincadeira, ela está incorporando e tendo a oportunidade de reformular uma série de conhecimentos e parâmetros que compõem o patrimônio cultural da sociedade a que pertence.

E, o mais importante, é que tudo acontece no plano lúdico, com se a própria vida tivesse em si um prazer implícito. Na situação do faz-de-conta a criança se relaciona com o real e se prepara para o desempenho de papéis sociais futuros. No plano da fantasia elimina-se a vida cotidiana e elabora-se uma representação dela, através de um jogo dramático que não só expressa padrões de comportamento e valores que repousam no imaginário social, como também permite uma reelaboração simbólica das regras sociais, com a possibilidade, sempre presente, da transgressão e do inusitado.

 

Por outro lado, jogos e brincadeiras organizam os indivíduos em grupos, estabelecendo regras de convivência, vínculos sociais e afetivos e formas de se elaborarem ludicamente a fantasia, o medo, a agressão e, até o sexo.

 

Colocam as crianças em contato físico estreito, possibilitam a elas o manuseio de diferentes materiais (pedra, metal, cereal, fibra, papel etc.), que permitam, inclusive, a descoberta de leis e princípios que regem a natureza, desenvolvem a habilidade motora, o espírito sadio de competição, a força, a destreza, a percepção sensorial, a memória, a atenção, a musicalidade, a sociabilidade, a consciência de grupo etc.

Nos bairros onde realizamos nossa pesquisa, pudemos observar que existe uma relação estreita entre o fato de as crianças brincarem nas ruas e os pais se conhecerem. A rua é o espaço de socialização dos indivíduos humanos, seres sociais que, por excelência, somos. É nela que reside um tipo de saber que não está nos livros, nos bancos escolares e nos veículos de comunicação.

Nesse sentido, vale a pena refletirmos seriamente sobre qual preparo para a vida adulta poderá ter alguém, hoje, que passa a infância diante de um IPad, convive somente com seus iguais num clube recreativo ou na escola, surfa na internet, várias horas por dia, mandando fotos e memes ou joga em videogames com seu arsenal de armas e super-heróis galácticos.

 

Semana do Brincar, não! Brincadeiras o ano todo!

 

Regina Márcia é antropóloga, professora universitária aposentada, palestrante, consultora acadêmica para a América Latina e Caribe, membro da ACL, do IHGGC.

www.reginamarciacultura.com.br

Tags: brincadeirasbrinquedosCampinasespaços públicoshumanidadeinfânciapatrimônio culturalPolíticaRegina Márcia Moura Tavaresresgate da ruaSemana do Brincar
CompartilheCompartilheEnviar
Redação

Redação

O Hora Campinas reforça seu compromisso com o jornalismo profissional e de qualidade. Nossa redação produz diariamente informação em que você pode confiar.

Notícias Relacionadas

Artigo – Dia dos Pais: conheça os animais que dão um verdadeiro exemplo de cuidado com os filhotes – por Alan Maia
Opinião

Artigo – Dia dos Pais: conheça os animais que dão um verdadeiro exemplo de cuidado com os filhotes – por Alan Maia

Por Redação
9 de agosto de 2026

...

Artigo: O espetáculo e a existência – por Gabriel Basso Pereira
Opinião

Artigo: O espetáculo e a existência – por Gabriel Basso Pereira

Por Redação
9 de agosto de 2026

...

ONU adia votação sobre uso da força para manter trânsito em Ormuz

Artigo: Por que as crises no Oriente Médio nunca são apenas regionais? – por Francisco Nascimento

8 de agosto de 2026
Artigo – A trova: paixão e desafios – por Adilson Roberto Gonçalves

Artigo – A trova: paixão e desafios – por Adilson Roberto Gonçalves

7 de agosto de 2026
Artigo: O mercado da autoestima e os limites do Direito na estética – por Laura Falsarella e Amyr Muknickas Sabry

Artigo: O mercado da autoestima e os limites do Direito na estética – por Laura Falsarella e Amyr Muknickas Sabry

6 de agosto de 2026
Artigo – A ampulheta do patrimônio: segundo semestre de 2026 é o limite para o planejamento sucessório – por Jônia Barbosa de Souza

Artigo – A ampulheta do patrimônio: segundo semestre de 2026 é o limite para o planejamento sucessório – por Jônia Barbosa de Souza

5 de agosto de 2026
Carregar Mais

Mais lidas

  • Herói até o fim: pedreiro salva colega e morre afogado dentro de caixa d’água

    Herói até o fim: pedreiro salva colega e morre afogado dentro de caixa d’água

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • ‘Rolimã na Rua’ terá edição especial do Dia dos Pais neste domingo, em Valinhos

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Campinas abre seleção inédita de projetos para a pessoa idosa

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Atropelamento na Bandeirantes, em Campinas, deixa um morto e outro ferido

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Motorista morre ao colidir Uno na traseira de um caminhão na Anhanguera, em Campinas

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Avatar photo
    Alexandre Campanhola
    Hora da Saudade
  • Avatar photo
    Carmino de Souza
    Letra de Médico
  • Avatar photo
    Cecília Lima
    Comunicar para liderar
  • Avatar photo
    Daniela Nucci
    Moda, Beleza e Bem-Estar
  • Avatar photo
    Gustavo Gumiero
    Ah, sociedade!
  • Avatar photo
    José Pedro Martins
    Hora da Sustentabilidade
  • Avatar photo
    Karine Camuci
    Você Empregado
  • Avatar photo
    Kátia Camargo
    Caçadora de Boas Histórias
  • Avatar photo
    Luis Norberto Pascoal
    Os incomodados que mudem o mundo
  • Avatar photo
    Luis Felipe Valle
    Versões e subversões
  • Avatar photo
    Renato Savy
    Direito Imobiliário e Condominial
  • Avatar photo
    Retrato das Juventudes
    Sonhos e desafios de uma geração
  • Avatar photo
    Thiago Pontes
    Ponto de Vista
Hora Campinas

Somos uma startup de jornalismo digital pautada pela credibilidade e independência. Uma iniciativa inovadora para oferecer conteúdo plural, analítico e de qualidade.

Anuncie e apoie o Hora Campinas

VEJA COMO

Editor-chefe

Marcelo Pereira
marcelo@horacampinas.com.br

Editores de Conteúdo

Laine Turati
laine@horacampinas.com.br

Maria José Basso
jobasso@horacampinas.com.br

Reportagem multimídia

Silvio Marcos Begatti
silvio@horacampinas.com.br

Leandro Ferreira
fotografia@horacampinas.com.br

Marketing

Pedro Basso
atendimento@horacampinas.com.br

Para falar conosco

Canal Direto

atendimento@horacampinas.com.br

Redação

redacao@horacampinas.com.br

Departamento Comercial

atendimento@horacampinas.com.br

Noticiário nacional e internacional fornecido por Agência SP, Agência Brasil, Agência Senado, Agência Câmara, Agência Einstein, Travel for Life BR, Fotos Públicas, Agência Lusa News e Agência ONU News.

Hora Campinas © 2021 - Todos os Direitos Reservados - Desenvolvido por Farnesi Digital - Marketing Digital Campinas.

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In

Add New Playlist

Sem Resultados
Ver todos os resultados
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME

Hora Campinas © 2021 - Todos os Direitos Reservados - Desenvolvido por Farnesi Digital - Marketing Digital Campinas.