Corpus Christi é uma festa solene da Igreja para celebrar o Corpo e o Sangue de Cristo, que acontece sempre 60 dias depois do Domingo de Páscoa ou na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade, que, por sua vez ocorre no domingo seguinte ao de Pentecostes. Sucede nesse dia da semana em alusão à Quinta-Feira Santa, dia em que Jesus instituiu a Eucaristia. Portanto, a solenidade segue o calendário litúrgico, que difere do civil. Por este, a comemoração se realiza entre 21 de maio e 24 de julho. É um dia santo de guarda, no qual todos os católicos devem participar da celebração da missa, na forma estabelecida pela conferência episcopal do país respectivo.
A Igreja celebra a instituição da Eucaristia desde os tempos apostólicos. Nessa época, na quinta-feira da Paixão o sentimento do sofrimento de Jesus dominava a liturgia, ficando à margem a sua Ressurreição.
No século XIII, no ano de 1243, em Liége, na Bélgica, a freira agostiniana Juliana de Mont Cornillon, revelou ao arcediago Tiago Pantaleão de Tryes, que recebeu visões de Cristo manifestando o desejo de que o Mistério da Eucaristia fosse celebrado à parte, com espírito de festa, glória e de ação de graça. Esse arcediago tornou-se mais tarde o Papa Urbano IV.
No ano de 1264, o sacerdote Pedro de Praga, de Boêmia, em viagem pela Itália, apesar de piedoso, vivia angustiado pela dificuldade de acreditar que as espécies pão e vinho, com a consagração, se transformavam no Corpo e no Sangue de Cristo. Ao celebrar a missa na Basílica de Bolsena, cidade próxima de Orvieto, recebeu a resposta. No momento da consagração, novamente o sentimento de dúvida lhe veio à mente. Eis que, ao partir a Hóstia Consagrada, esta transformou-se em carne, escorrendo sangue, que ensopou o corporal.
O Papa Urbano IV, ao tomar conhecimento do Milagre Eucarístico de Bolsena ordenou ao Bispo que levasse as relíquias para Orvieto, onde morava. O translado foi em forma de procissão em oração, em 19.06.1264. O Papa foi receber a procissão e ao encontrá-la, reverenciou as relíquias eucaristias e disse: “Corpus Christi”, a locução que dá nome à festa do Santíssimo Sacramento da Eucaristia.
Os objetos milagrosos foram examinados por Sua Santidade e por São Tomás de Aquino, residente na cidade, e levados para a Catedral de Santa Prisca. O Santo Padre recordou-se das conversas que teve com a irmã Juliana em Liège, e para que a celebração se tornasse uma cerimônia com destaque e distinção, solicitou a S. Tomás de Aquino elaborar um Ofício para ser cantado. O escolhido foi Lauda Sion (Louva Sião), e até hoje é repetido nas festas de Corpus Christi.
O Pontífice decidiu estender esse evento a toda a humanidade “para que este excelso e venerável sacramento seja para todos peculiar e insigne memorial do extraordinário amor de Deus por nós”, por meio da Bula Transiturus, editada em 11.08.1264.
De fato, em quase todo o mundo a festividade de Corpus Christi é celebrada com alegria e entusiasmo. As ruas por onde o Corpo de Cristo Sacramentado é carregado no ostensório são ornamentadas por tapetes de objetos coloridos e desenhos que expressam a religiosidade e a fé do povo.
Com efeito, as Letras Sagradas registram que por este sacramento nos unimos a Cristo, que nos torna participantes de seu corpo e de seu sangue para formarmos um só corpo, 1Cor 10,16-17. Comer e beber a carne e o sangue de Cristo é condição de eternidade que a Eucaristia celebra e convoca. Com ela, estreitamos o nosso vínculo com Jesus, e, em consequência, com o Pai e com o Espírito Santo, participando da vida divina aqui na terra, prenúncio do que ocorrerá na eternidade.
Como disse Jesus “Quem come minha carne e bebe meu sangue permanece em mim e eu nele. Quem come deste pão viverá eternamente” (Jo 6,56.58).
Wilson Cesca é Membro da Academia Campineira de Letras e Artes (ACLA), ocupando a Cadeira onze, advogado, formado pela PUC/Campinas, turma de 1973, com pós-graduação em Direito Privado, em nível de mestrado pela PUC/SP e ex-professor universitário. Recebeu da Câmara Municipal de Campinas o Diploma de Mérito Jurídico, pelos relevantes serviços prestados na área jurídica ao Município de Campinas. A Ordem dos Advogados do Brasil, Seção de São Paulo, pela 3ª. Subseção Campinas, recebeu a Láurea Antônio Álvares Lobo. É coautor do livro Estratégias Empresariais Diante do Novo Consumidor, pela Sumus Editorial, de S. Paulo. Coautor do Livro Jubilar dos 50 anos da então Paróquia Santa Rita de Cássia, Evangelizando e Fortalecendo a Fé. Foi Sócio Fundador do Instituto dos Advogados de Campinas, Membro da Comissão Nacional de Justiça e Paz. Publica artigos em jornais e revistas abordando a ascese. Seminarista Salvatoriano por oito anos. É agente de pastoral do Santuário Santa Rita de Cássia, em Campinas-SP, exercendo algumas funções no Santuário.












