Observo vários grupos de WhatsApp que discutem aspectos culturais de Campinas, com agenda de apresentações, exposições e eventos em muitos locais, não se limitando aos tradicionais. O território deve ser ocupado culturalmente. Há várias formas de fazê-lo, mas a defesa do patrimônio parece não ser de importância para quem se diz de vanguarda cultural.
Cultura não é apenas movimento de atividades efêmeras, é também a perpetuação no tempo e no espaço de elementos e marcadores. Assim é importante a preservação e a existência de um Conselho que defenda esse patrimônio é de extrema importância e ato de cidadania.
Os detratores do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc), como sempre, denunciam sem conhecimento de causa do que lá acontece. As reuniões do Condepacc, quinzenais, são públicas e convocadas com antecedência pelo Diário Oficial do Município e e-mails enviados a seus membros. Não se vê a participação de outros cidadãos, além dos próprios conselheiros e dos interessados nos projetos em avaliação e análise.
Há várias formas de constituição democrática de órgãos e instâncias representativas. Uns são por eleição direita, outros por eleição dentre representantes. A constituição do Condepacc foi determinada por lei e, se há clamor público para que seja de outra maneira, que se proponha uma nova lei para que altere esse dispositivo. No entanto, o fundamento do Conselho desde sua constituição é a da participação de entidades e não de segmentos da sociedade.
Dizer que estamos lá para propiciar a especulação imobiliária é atestar profunda ignorância, uma vez que a maioria das ações de seus membros é em sentido exatamente oposto, o da preservação do patrimônio já existente, com o mínimo de intervenções ou modificações.
Por fim, em relação às bancas no centro da cidade, é bom que se leia o que foi deliberado e está no Diário Oficial, “o Condepacc deliberou favoravelmente ao encaminhamento de ofício à 37ª Promotoria de Justiça Cível do Estado de São Paulo, para acompanhamento do plano de ação da SETEC, para remoção das bancas instaladas irregularmente em praças tombadas e defronte de imóveis tombados no Centro Histórico”.
Adilson Roberto Gonçalves, pesquisador da Unesp, membro da Academia de Letras de Lorena, da Academia Campineira de Letras e Artes, da Academia Campinense de Letras e do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas.












