Além do excelente jogo na final, com o Osasco superando o Minas, a final da Copa Brasil de Vôlei trouxe a vitória do bom senso e da justiça sobre o extremismo de direita que contamina fortemente o parlamento em diferentes níveis, especialmente as Câmaras Municipais.
Os jogos foram realizados em Londrina dentro da política de espalhar as decisões por vários estados no Brasil a fim de popularizar ainda mais este esporte. As finais, realizadas em 27 e 28 de fevereiro, quase foram impedidas de acontecer porque acionaram uma estapafúrdia lei daquele município que impediria atletas trans de participar de competições esportivas. O objetivo era específico em relação à oposta Tiffany Abreu, do Osasco, a única atleta trans participante das equipes do torneio.
No entanto, o clube e a Confederação Brasileira de Voleibol acionaram o STF para garantir a participação de Tiffany e ganharam a causa. A torcida também apoiou fortemente a decisão do STF, ainda que liminar naquele ponto, mostrando sua solidariedade à Tiffany.
Que a patacoada da Câmara londrinense – que proibia inclusive pessoas cis, ou seja, todo o mundo – sirva de exemplo para a Câmara Municipal de Campinas, em que representantes desse fascismo de ocasião querem lei semelhante aqui. Se é por inveja, ciúme ou algum amor reprimido, não se sabe.
Fato é que a tentativa não é contra um grupo de atletas, mas contra todo o sistema legal brasileiro, que passa pelas liberdades individuais e pelas prerrogativas dos órgãos que regulam o esporte que definem o que pode e o que não pode quanto à condição do ou da atleta.
Mais do que visibilidade trans, conseguimos um pouco de legalidade trans com a atitude.
Adilson Roberto Gonçalves, pesquisador da Unesp, membro da Academia de Letras de Lorena, da Academia Campineira de Letras e Artes, da Academia Campinense de Letras e do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas.











