O câncer de testículo, que tem abril como o mês de conscientização, ainda é uma doença pouco debatida no Brasil e chama a atenção quando algum paciente conhecido revela o diagnóstico. Especialista ouvido pelo Hora Campinas afirma que é preciso conhecer o próprio corpo e procurar ajuda em caso de alterações na região.
A doença chama a atenção por acometer principalmente jovens. Pessoas com idade entre 20 e 40 anos. Em março do ano passado, o ator Léo Rosa, de 37 anos, morreu em decorrência da doença. Recentemente, outro jovem, o jogador de futebol Jean Pyerre, passou por cirurgia para a retirada também de um tumor no mesmo órgão. Assim como o jogador, outros homens internacionalmente conhecidos já tiveram esse diagnóstico e, felizmente, se curaram da doença. Alguns atletas de futebol, como o goleiro Douglas Friedrich do Avaí, o holandês Arjen Robben e o ex-volante Magrão. Astros do basquete americano, como o brasileiro Nenê, e do ciclismo, como Lance Armstrong, também tiveram câncer de testículo e hoje, estão curados após o tratamento.
O médico oncologista Higor Mantovani, do Grupo SOnHe – Oncologia e Hematologia, aponta que é preciso entender um pouco mais sobre esse tipo de câncer, suas particularidades e os tratamentos disponíveis para combatê-lo.
“O câncer de testículo é um tumor raro, que responde por aproximadamente 2% a 3% de todos os cânceres em homens. Quase sempre acomete pacientes jovens, entre os 20 e 40 anos de idade, o que nos faz entender o motivo de termos alguns nomes famosos do esporte com este diagnóstico. Em geral, os sintomas se iniciam com um caroço no órgão, que pode ou não estar associado a dor, e que pode alterar o tamanho, a consistência e a cor do testículo. O exercício de alta performance não aumenta o risco de câncer de testículo. A lista de atletas diagnosticados pela doença é longa, mas a atividade física não é fator de risco para o desenvolvimento de tumor testicular, mas, sim, a faixa etária dos atletas, que geralmente são jovens”, explica o médico.

O especialista lembra que o de testículo também tem relação com fator de risco. “Para este tipo de tumor, o principal fator de risco é a criptorquidia, conhecida popularmente como o ‘testículo que não desceu’ ou que está ‘mal posicionado’. Na criptorquidia, temos a ausência ou a não localização do testículo na bolsa escrotal, condição esta que pode aumentar em até 5% a chance de desenvolver câncer do testículo”, diz.
O oncologista Higor Mantovani ressalta a necessidade de conhecer o próprio corpo. “É importante que o homem se conheça, se palpe, e tenha noção das características do testículo normal. O aumento do tamanho, a presença de um caroço, dor, endurecimento e/ou mudança da cor do testículo são sintomas que devem chamar a atenção do homem e motivá-lo a procurar o médico”, alerta.
Vale destacar que, segundo o médico, não há risco aumentado da doença em mulheres trans, já que não há uma correlação direta entre a suplementação de hormônios femininos (estrógenos) e a ocorrência do câncer do testículo.
“É oportuno ressaltar que, a despeito da identidade de gênero, o risco de câncer é o mesmo em pacientes que possuem os órgãos genitais e reprodutores masculinos preservados (como a próstata e o testículo). Por tal motivo, é necessário conscientizá-los da necessidade de exames periódicos, bem como da vigilância de sintomas”, ressalta.
De acordo com o médico, o tratamento do câncer de testículo quase sempre parte da cirurgia de remoção do órgão (orquiectomia). “Através dela, fazemos não somente a retirada do tumor, mas também a aquisição de material tumoral para analisarmos o tipo de câncer que estamos tratando. A maioria dos tumores de testículo são de células reprodutivas (germinativas), visto que se trata do órgão reprodutor do homem. Existem dois principais subtipos: os seminomas e os tumores mistos (seminomas com componentes não seminomatosos)”, explica o oncologista.
Em tumores pequenos ou iniciais, a cirurgia é suficiente para curar o câncer de testículo. Já em casos mais avançados, nos quais se tem acometimento de gânglios (linfonodos) abdominais ou metástases em outros órgãos, faz-se necessário uso de quimioterapia endovenosa.
“Felizmente, a quimioterapia utilizada para o tratamento do câncer de testículo tem grande eficácia. Ainda que tenham sido desenvolvidos na década de 90, os esquemas de quimioterapia utilizados vêm mantendo a sua eficácia até os dias atuais, mesmo quando o câncer já se apresenta com metástases em outros órgãos, a quimioterapia pode controlar e até eliminar a doença”, afirma o especialista.
O melhor é sempre a descoberta precoce para que as chances de cura sejam maiores. “Infelizmente, como em muitos tipos de câncer, existem casos de refratariedade aos tratamentos, como aconteceu com o ator Léo Rosa. É de extrema importância que o homem saiba da existência do câncer de testículo e de suas particularidades. O diagnóstico em estágios precoces possibilita a cura na maioria esmagadora dos casos. Por isso, não se deve hesitar em procurar um médico urologista caso perceba alguma alteração no testículo”, finaliza.











