Ao longo dos meus 50 anos de carreira médica e acadêmica, minha abordagem para construir colaborações significativas foi moldada tanto por experiências pessoais quanto por insights profissionais sobre liderança.
Como construir redes colaborativas que são produtivas e pessoalmente significativas?
1. Comece com valores e visão compartilhados:
Colaborações significativas começam com valores compartilhados, e eu intencionalmente sempre busquei colaboradores que se alinhem com minha disposição por criar locais de trabalho equitativos e respeitosos. Explorando liderança ou sustentabilidade no local de trabalho e ter uma base de valores comum ajuda a garantir coerência em nosso trabalho e comprometimento com impacto significativo. O que exemplifica esse espírito colaborativo é baseado no princípio de “cuidando daqueles sob sua responsabilidade: o papel da liderança no local de trabalho ”. Uma determinação coletiva para humanizar a liderança e confrontar o abuso sistêmico que muitas vezes passa despercebido em ambientes organizacionais. O que tornou essa colaboração extraordinária não foi apenas nossa expertise compartilhada, mas nosso compromisso unificado com a segurança profissional e a liderança compartilhada.
2. Acolher a diversidade e o diálogo intercultural:
A diversidade — em disciplinas e perspectivas — acrescenta profundidade a qualquer esforço de trabalho ou pesquisa. Como alguém com experiência em sistemas acadêmicos, valorizo profundamente o diálogo intercultural e a investigação interdisciplinar. Minha experiência vivida em contextos de poder me ensinou o quanto profundamente as nuances culturais nos moldam tais como a autoridade e a voz e como os conflitos são percebidos e gerenciados. Esses insights não apenas informaram minha lente teórica, mas também me ajudaram a construir colaborações para conduzir trabalhos e pesquisas. O que é considerado abusivo ou inapropriado em um contexto pode ser normalizado ou ignorado em outro. A colaboração com acadêmicos de diferentes formações ajudou a garantir que a análise seja contextualmente fundamentada e relevante. Essa experiência demonstra que a colaboração interdisciplinar e culturalmente consciente produz pesquisas mais inclusivas e impactantes.
3. Construir confiança por meio da transparência e da justiça:
A confiança é a base de qualquer colaboração bem-sucedida. A liderança ética, enfatiza a justiça, a responsabilização, a transparência e a comunicação aberta ao trabalhar com outras pessoas. Desde o início, é importante garantir que papéis, expectativas e contribuições sejam claramente definidos. Reuniões regulares ajudam a manter a transparência e a abordar potenciais conflitos desde o início. Cada membro pode se revezar e atuar na liderança das discussões, garantindo que todos se sintam ouvidos e valorizados. Isso não apenas fortalece a confiança, mas também enriquece a qualidade de nossas descobertas e oportunidades.
4. Aproveite a tecnologia para se manter conectado:
No mundo interconectado de hoje, a tecnologia desempenha um papel fundamental na facilitação da colaboração. Ferramentas como o Microsoft Teams, o Zoom e as mídias sociais como o LinkedIn permitem que pesquisadores se conectem apesar das barreiras geográficas. Durante a pandemia, isto ficou mais claro e foi altamente necessário. Apesar da interrupção parcial de nossos trabalhos, conseguimos trabalhar à distância e muitas vezes, além das fronteiras, usando ferramentas virtuais para coordenar tarefas e debater ideias. Acredito que a colaboração digital abre portas para parcerias que, de outra forma, seriam impossíveis.
5. Esteja aberto para aprender:
Por fim, uma colaboração significativa exige humildade e disposição para aprender. Uma das experiências mais gratificantes da minha carreira foi a parceria com pesquisadores sêniores cuja abordagem metodológica inicialmente era desconhecida para mim. Mas, ao manter a mente aberta, descobri novas técnicas analíticas que aprimoraram meu próprio trabalho. Essa experiência me ensinou que o crescimento acontece quando saímos da nossa zona de conforto e que ter uma mentalidade de aprendizado é a essência de qualquer colaboração significativa. A riqueza científica está nas diferenças e nas colaborações. Ninguém faz mais nada sozinho e o contraditório é fundamental à inovação e ao aperfeiçoamento.
Carmino Antonio De Souza é professor titular da Unicamp. Foi secretário de saúde do estado de São Paulo na década de 1990 (1993-1994) e da cidade de Campinas entre 2013 e 2020. Secretário-executivo da secretaria extraordinária de ciência, pesquisa e desenvolvimento em saúde do governo do estado de São Paulo em 2022 e atual Presidente do Conselho de Curadores da Fundação Butantan. Diretor científico da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH). Pesquisador responsável pelo CEPID-CancerThera apoiado pela FAPESP.











