O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) informou que vai solicitar a abertura de apuração ética junto à Corregedoria da Câmara Municipal de Campinas para apurar a conduta do vereador recém-eleito Vini Oliveira (Cidadania).
A medida do conselho foi anunciada após a publicação de um vídeo em que o vereador aparece no Hospital Mário Gatti, fiscalizando a presença de médicos e cobrando o atendimento à população.
Na publicação, que alcançou milhares de pessoas, Vini exige a lista de médicos que deveriam estar atendendo naquela data, e questiona uma das médicas que, segundo as falas, estaria jantando no momento.
O Cremesp considerou a ação do parlamentar como violação das prerrogativas médicas e foi considerada “invasão de competências”.
O Conselho também divulgou, em nota, que encaminhará o pedido de instauração de inquérito ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP), e que o desfecho das apurações poderá levar à cassação do vereador.
“O Cremesp enxerga essa invasão como desrespeito às condições de trabalho do médico. As prerrogativas médicas do Cremesp são direitos e responsabilidades exclusivas do exercício da Medicina”, falou Marise Pereira da Silva, conselheira do Cremesp e pediatra, em um vídeo publicado nas redes sociais do Cremesp.
O conselho se reuniu na segunda-feira (6), com a médica constrangida, o diretor técnico e procuradora jurídica do Hospital Mário Gatti.
Em outro trecho do vídeo do Cremesp, a médica faz as seguintes colocações sobre o episódio: “Eu estava de plantão no dia 1º de janeiro desse ano. Eu entrei às 7h da manhã e sairia as 7h da manhã do outro dia. As 20h15 fui jantar retornando as 21h15, no momento em que eu fui surpreendida”, divulgou a médica.
O vereador tem milhares de seguidores nas redes sociais. Sua atuação é vista como polêmica e exagerada por parte da opinião pública, justamente por tentar “lacrar” e gerar engajamento com essa fiscalização.
Outra parte dos seguidores considera a sua atuação acertada, pois concorda com o argumento de que está fiscalizando o poder público. Vini Oliveira se elegeu principalmente em decorrência desse papel de “agente fiscalizador”, notadamente com grande audiência na internet por meio desse tipo de vídeo.
VINI REBATE
O vereador Vini Oliveira rebateu as críticas feitas pelo Cremesp, argumentando que está dentro da legalidade do exercício de um vereador, e que em nenhum momento houve abuso ou ameaça aos médicos.
Em declarações à imprensa, Vini disse estar respaldado pela Lei Orgânica do Município, onde no artigo 12, parágrafo único, garante aos vereadores livre acesso às repartições públicas.
“Eu cumpro a lei, eu sou a lei, o vereador não está acima da lei e todos devem seguir a lei. Se um profissional não está no exercício da sua função, ele está indo contra a lei. Está recebendo para não trabalhar”, disse o vereador, durante entrevista em um programa transmitido nas redes sociais.
Segundo ele, no dia da gravação do vídeo, da escala de cinco médicos que deveriam estar atendendo apenas uma estava trabalhando. Uma delas, a profissional abordada, estava jantando – uma terceira chegou de São Paulo no momento em que o vereador fazia a gravação. O vídeo está em seu Instagram e tem 223 mil curtidas.
“Cobramos do coordenador a presença de demais médicos e naquele dia conseguimos garantir o atendimento aos pacientes do Mario Gatti. Não foi graças ao Cremesp, foi graças a esse vereador. Na minha opinião parece que tem alguém acobertando médico que não trabalha. O vereador faz apenas o trabalho de fiscalização do Executivo e dos órgãos públicos municipais. A gestão tem que entender que é papel do vereador e isso mostra que muitos erros passam despercebidos pela gestão”.
O Hora Campinas entrou em contato com a Câmara Municipal, mas até a tarde desta quinta-feira a Casa não havia sido notificada.
VEJA O VÍDEO DO VEREADOR
https://www.instagram.com/reel/DEU3Ff8RLCu/?igsh=eG05YzVodXlqa2d4
VEJA O VÍDEO DO CREMESP
https://www.instagram.com/reel/DEkPSsYRnUM/?igsh=aWdsMGo0a2t1aHMw










