A Defensoria Pública do Rio de Janeiro informou nesta quarta-feira (29) que passa de 130 o número de mortos após a megaoperação das forças de segurança do Rio de Janeiro nos complexos da Penha e do Alemão, realizada nesta terça-feira (28). Seriam 128 civis e quatro policiais, totalizando 132 vítimas. O governo do estado do Rio não atualizou o total de vítimas de fatais, que no balanço anterior, chegava a 64.
Cerca de 60 corpos foram localizados e retirados de uma área de mata do Complexo da Penha por moradores. Os corpos foram reunidos na Praça São Lucas, no centro da comunidade, e de acordo com os moradores, não fazem parte da contagem oficial de 64 mortos – 60 suspeitos e 4 policiais. A Polícia Militar foi procurada pela Agência Brasil, mas ainda não se pronunciou.

A operação deflagrada pelo governo do Rio de Janeiro contra a facção Comando Vermelho, teve repercussão internacional. Outros países e entidades internacionais também se manifestaram diante do alto nível de letalidade.
A Organização das Nações Unidas (ONU) fez um post, no fim da noite de ontem, em seu perfil na rede X (antigo Twitter), pedindo que as autoridades estejam atentas a suas obrigações perante o direito internacional.
“Brasil: estamos horrorizados com a operação policial em andamento nas favelas do Rio de Janeiro, que já teria resultado na morte de mais de 60 pessoas, incluindo quatro policiais. Esta operação letal reforça a tendência de consequências extremamente fatais das ações policiais nas comunidades marginalizadas do Brasil. Relembramos às autoridades suas obrigações sob o direito internacional dos direitos humanos e instamos a realização de investigações rápidas e eficazes”.
O jornal inglês The Guardian publicou matéria com o título: “Brasil: ao menos 64 mortos no dia mais violento do Rio de Janeiro em meio a batidas policiais”.

A seguir, a publicação escreveu: “A operação — a mais letal da história do Rio — começou de madrugada e teve intensa troca de tiros nos arredores das favelas do Alemão e Penha, onde moram cerca de 300 mil pessoas”. E complementou: “Fotos terríveis com alguns dos jovens homens mortos se espalharam pelas redes sociais”.
O Le Figaro, importante jornal da França, relata em sua reportagem que há muita “contestação sobre a eficácia destas operações policiais de grande porte no Rio de Janeiro, no entanto, elas são comuns na cidade”.
O New York Times chamou a ação policial de “a mais mortal da história do Rio, com quatro policiais mortos e, ao menos, 60 pessoas mortas.












